Supremo amplia ganhos de juízes e promotores com contagem de tempo de advocacia

O avanço silencioso das diversas delações que inquietam os Três Poderes

Charge do Duke (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Na política brasileira, nem sempre os acontecimentos mais decisivos se dão sob os holofotes. Muitas vezes, o que realmente altera o equilíbrio de forças ocorre de maneira silenciosa, em processos que avançam longe do debate público imediato. É nesse plano menos visível que ganham tração as delações relacionadas tanto ao caso do Banco Master quanto às fraudes no INSS — investigações que, pouco a pouco, ampliam seu alcance e começam a tocar pontos sensíveis do sistema de poder.

O que se delineia não é apenas a revelação de episódios isolados, mas a exposição de conexões recorrentes entre operadores, interesses financeiros e estruturas que transitam entre o público e o privado. Trata-se de um modelo que não depende de um único núcleo, mas se reproduz em diferentes contextos, adaptando-se às circunstâncias e explorando fragilidades institucionais. Nesse cenário, as delações deixam de ser meros instrumentos processuais e passam a atuar como mecanismos de reconstrução de redes que antes permaneciam fragmentadas ou ocultas.

DINÂMICA ACUMULATIVA – O fator que mais pesa politicamente nesse tipo de investigação é a sua capacidade de se expandir ao longo do tempo. Cada novo depoimento não apenas acrescenta informações, mas altera o comportamento dos envolvidos, criando um ambiente em que colaborar passa a ser, muitas vezes, a estratégia mais racional. Esse efeito acumulativo tende a acelerar o processo e dificulta tentativas de controle ou desaceleração.

É natural que investigações com esse perfil encontrem resistência. Em um sistema político altamente interconectado, qualquer apuração que se aproxime de estruturas consolidadas de poder inevitavelmente enfrenta reações — sejam jurídicas, políticas ou narrativas. Questionamentos sobre procedimentos, disputas institucionais e esforços para reduzir o impacto das revelações fazem parte desse ambiente. Ainda assim, a continuidade das delações indica que há vetores institucionais atuando no sentido oposto, sustentando o avanço das apurações.

IRREGULARIDADES – No caso do INSS, o impacto ganha uma dimensão adicional. As irregularidades atingem diretamente aposentados e pensionistas, o que amplia o desgaste público e adiciona um componente social relevante à crise. Quando esse tipo de esquema se conecta a circuitos mais amplos de influência, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a ter implicações políticas mais profundas.

Já o episódio envolvendo o Banco Master revela outra camada dessa engrenagem: a relação entre interesses privados e decisões que orbitam o ambiente regulatório e político. Mais do que eventuais ilegalidades, o que pode emergir daí são padrões de proximidade e influência que, mesmo quando formais, levantam questionamentos sobre sua legitimidade.

AMBIENTE INCERTO – O ponto em comum entre essas frentes é o potencial de reorganizar o cenário político à medida que novas informações vêm à tona. Não se trata, ao menos por ora, de uma ruptura imediata, mas da formação de um ambiente progressivamente mais incerto. E a incerteza, em política, tende a produzir movimentos defensivos, reposicionamentos e, eventualmente, mudanças mais amplas.

No fim, a questão central não está apenas nos nomes que possam surgir ao longo das investigações, mas na capacidade do próprio sistema de absorver esse processo contínuo de exposição. A experiência recente mostra que esses ciclos podem tanto gerar transformações significativas quanto serem diluídos por rearranjos internos.

Desta vez, porém, o alcance simultâneo das investigações e a diversidade dos setores envolvidos sugerem um desafio mais complexo. O processo já não depende exclusivamente de decisões pontuais — ele avança por força própria, impulsionado por sua lógica interna. E, quando isso acontece, o controle sobre os desdobramentos tende a escapar justamente daqueles que mais seriam afetados por eles.

Sabatina de Messias no Senado deve expor crise ética no STF e caso Banco Master

Messias dirá se apoia um código de ética para o STF

Roseann Kennedy
Estadão

Senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que mantêm resistência à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), começam a montar a estratégia para sua sabatina. Embora o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda não tenha definido a data para a tramitação da indicação, os congressistas preparam o roteiro com base em indagações que a sociedade está fazendo sobre a atual crise no Poder Judiciário.

O escândalo do Banco Master estará no centro das indagações. O ministro não pode se manifestar especificamente sobre causas que poderão estar sob seu julgamento no futuro. Mas ele não terá como evitar indagações a respeito do envolvimento de magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro.

ÉTICA DOS JUÍZES – O tema entrará numa discussão mais ampla sobre ética dos juízes nas relações com investigados e na atuação de familiares dos ministros que advogam na Corte. Principalmente depois das novas revelações de uso de jatinhos da empresa de Vorcaro pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Há três pontos principais de conduta e regulação da Corte a serem perguntados a Messias: Ele vai apoiar o código de ética que o presidente do STF, Edson Fachin, tenta criar? Se sim, em quais termos e amplitude de rigor para inibir ações dos magistrados? Como tratará o impedimento para familiares de ministros do STF atuarem em causas na Corte?

A ideia é forçar o indicado a se posicionar sobre mecanismos de controle interno, algo historicamente evitado por integrantes da Corte. Basta observar a dificuldade que Fachin tem encontrado para avançar com o tema, especialmente quando entra na discussão sobre a atuação de parentes dos magistrados em processos nos tribunais superiores.

ATUAÇÃO DE PARENTES – Como mostrou o Estadão, 1.860 causas nos tribunais superiores (STF e STJ) contam com a atuação de parentes de 1º grau dos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Flávio Dino. Além disso, 70% desses processos foram protocolados somente após a posse dos respectivos ministros. Somente o filho de um dos ministros saltou de 5 para 544 processos sob sua responsabilidade após a ascensão do pai à Corte.

Nas conversas internas, os senadores usam esses dados para questionar se o Judiciário se transformou em um balcão de negócios familiares. Mas o tom que usarão na sabatina ao fazerem essa abordagem ainda é uma incógnita.

CONTRATO MILIONÁRIO – O caso mais escandaloso é o do escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Como revelou O Globo, ela fechou contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, de Daniel Vorcaro — montante considerado incompatível com os valores de mercado para serviços advocatícios. Ela faturou até 645 vezes mais do que outros advogados ouvidos pelo Estadão que afirmam ter realizado, poucos anos antes, parte do mesmo trabalho que ela diz ter feito.

Em conversas de bastidores, Jorge Messias tem afirmado que o problema de conflito de interesses familiar não se aplicará à sua trajetória. O argumento utilizado pelo AGU é de que sua esposa, pais e irmãs não possuem formação na área do Direito, tampouco atuam no setor jurídico, o que, segundo ele, eliminaria a possibilidade de trânsito de familiares em processos sob sua futura relatoria.

A mulher de Messias é formada em relações internacionais, as irmãs são médicas e os pais já estão aposentados. O pai trabalhou como bancário e a mãe é formada em teologia. Em carta ao Senado, Messias defende separação dos Poderes e cita fundo evangélico

SEPARAÇÃO DE PODERES – No dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou no Senado a indicação de Jorge Messias, o advogado-geral da União enviou uma carta aos senadores. No texto, reforçou sua formação evangélica e defendeu o “respeito absoluto à separação dos Poderes”. A indicação começou a tramitar oficialmente no sistema do Senado na quarta-feira, 1°.

“Acredito firmemente que o fortalecimento das instituições, o respeito às leis e o diálogo entre os Poderes são os pilares da democracia e da harmonia institucional. Tenho absoluta consciência de que o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal exige distanciamento institucional, serenidade decisória e respeito absoluto à separação dos Poderes”, escreveu Messias na mensagem.

MAIS LEVE – Como mostrou a Coluna do Estadão, nos bastidores ele também não escondeu o alívio. A interlocutores próximos, Messias resumiu: “Estou leve!”. Nas últimas semanas, Messias vinha confidenciando a aliados que vivia uma “agonia” e que, independentemente do resultado, a ausência de uma definição era o pior cenário possível. Agora, com o nome oficialmente na mesa, a estratégia entra em uma nova e decisiva fase.

Messias se prepara para uma segunda rodada intensiva de conversas, o tradicional “beija-mão” legislativo. O esforço não parte do zero: nos últimos quatro meses, ele já dialogou com 76 dos 81 senadores.

Vorcaro propõe uma delação tipo biquini, que mostra tudo, mas esconde o essencial

Vorcaro segue preso sem prazo definido e terá destino julgado pela Segunda Turma do STF #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (Jornal do Commercio)

Deu em O Globo

Acordos de colaboração premiada em negociação ou já firmados vêm avançando no país em meio à promessa de que as revelações poderão atingir autoridades, nomes de peso do mundo político e servidores públicos.

Do caso Master ao escândalo no INSS, passando pela lavagem de dinheiro do crime organizado, as tratativas enfrentam, porém, diferentes resistências, como a oposição da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a ação resgatada essa semana pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que discute os limites das delações.

VORCARO À FRENTE – A negociação com maior potencial de sacudir a República é a de Daniel Vorcaro, dono do Master. Como mostrou a colunista Malu Gaspar, a defesa do banqueiro pretende concluir ainda neste fim de semana a primeira versão de colaboração que Vorcaro vai apresentar à Polícia Federal (PF) e à PGR, que, neste caso, participa das conversas.

De acordo com fontes envolvidas no trabalho, a proposta terá “dezenas” de anexos e trará a sugestão de pagamento de multas bilionárias, além dos benefícios esperados pela colaboração.

O plano dos advogados é apresentar o pacote aos investigadores em uma reunião conjunta, já na semana que vem. No cronograma dos sonhos da defesa e do próprio Vorcaro, a discussão sobre a proposta levaria no máximo 15 dias e, depois da homologação, que imaginam que seria rápida, os depoimentos ocorreriam em duas ou três semanas.

DESCONFIANÇA – As estimativas são baseadas na crença de que as informações oferecidas na delação serão tão impactantes que o acordo será fechado rapidamente.

]Entre os investigadores ouvidos pela coluna de Malu Gaspar, contudo, o clima é o oposto. Não só pela desconfiança de que Vorcaro não vai contar de imediato tudo o que sabe, mas também porque certamente haverá embates em torno dos valores do ressarcimento e da multa a ser paga ou dos benefícios que o banqueiro irá pleitear em troca da colaboração.

Em meio às tratativas, Alexandre de Moraes decidiu remeter ao plenário do STF uma ação apresentada em 2021 por advogados do PT que questiona a validade e os limites constitucionais das colaborações premiadas. O ministro é um potencial alvo da delação de Vorcaro, junto com Dias Toffoli, por conta de supostas conexões com o banqueiro.

SUPERCONTRATO – Um dos pontos a ser esclarecido no conteúdo fornecido por Vorcaro, por exemplo, é o contrato que o Master fechou em 2024 com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prevendo o pagamento de R$ 130 milhões em três anos para a prestação de serviços junto ao Executivo e ao Legislativo em Brasília.

A Receita Federal informou nesta semana à CPI do Crime Organizado que o banco pagou R$ 80 milhões em 22 meses ao escritório antes de ser liquidado pelo Banco Central (BC). Meses depois de questionado, o escritório afirmou ter feito reuniões e elaborado uma política de compliance para o banco, mas os valores são considerados muito acima do mercado.

“CONSEGUIU BLOQUEAR?” – Além disso, o conteúdo do celular do banqueiro apreendido pela PF mostra que, no dia de sua primeira prisão, Vorcaro trocou diversas mensagens com Moraes. Nas conversas, ele relata ao magistrado que estava tentando “salvar” o Master e pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu bloquear?”.

Já Toffoli deixou a relatoria do caso Master em 12 de fevereiro, sendo substituído por André Mendonça, após a PF entregar ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre o magistrado e Vorcaro que poderiam levar à sua suspeição.

Entre eles, estava o pagamento de R$ 35 milhões feito pelo Master por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de O Globo foi feita em São Paulo e Brasília, por João Sorima Neto, Malu Gaspar, Patrik Camporez, Pepita Ortega e Sarah Teófilo.  É a primeira reportagem a indicar que os preparativos da delação de Vorcaro estão no final, e a grande dúvida é saber se ele vai ter coragem de denunciar os ministros do Supremo. Mas até agora tudo indica que ele tentará uma denúncia meia-sola ou meia-bomba, do tipo biquini, que finge mostrar tudo, porém esconde o essencial. (C.N.) 

Fogo amigo na direita prejudica crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro

Dvisões internas colocam Flávio na defensiva

Vera Magalhães
O Globo

Enquanto o governo e o PT catam cavaco quanto ao momento para começar a confrontar Flávio Bolsonaro, partem da direita as maiores dores de cabeça para o projeto de franquia familiar empreendido por Jair Bolsonaro a partir da Papudinha.

Pelo menos três pré-candidaturas questionam a escolha do filho Zero Um para suceder ao pai inelegível: Ronaldo Caiado e Romeu Zema, que tentam abocanhar votos daqueles que acham Flávio radical demais, e Renan Santos, que ataca o flanco oposto do senador, falando àquela fatia do eleitorado que se identifica com o discurso antissistema.

POUCO ESPAÇO – Até aqui, as pesquisas mostram pouco espaço para o crescimento de nomes que tentam evitar que já se imponha no primeiro turno a polarização estabelecida em 2018 e repetida em 2022, entre lulopetismo e bolsonarismo.

Mas a entrada em cena desses nomes disputando a atenção dos eleitores que rejeitam Lula obriga os filhos de Jair a gastar tempo em debates estridentes via redes sociais e a combater acusações pesadas de corrupção, rachadinha e conluio com escândalos como o do Banco Master — tudo aquilo que a esquerda ameaça fazer, mas ainda não conseguiu entabular na forma de uma estratégia de comunicação minimamente coesa.

TRÉGUA – Uma das maiores preocupações dos apoiadores de Flávio é estabelecer uma trégua com setores das igrejas evangélicas que também andaram meio atritados com o clã, por discordar da condução do ex-presidente e da escolha do filho como sucessor.

Dirigentes do PL se preocupam com a guerra nada velada entre os filhos de Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle, que tem muito mais ascendência sobre lideranças evangélicas do que os enteados que a desautorizam publicamente a cada oportunidade.

AGRO NEGÓCIO – Outro foco de atenção é o agronegócio, setor fundamental para a estruturação dos palanques bolsonaristas no Centro-Oeste e no Sul, principalmente, mas também em estados cruciais, como São Paulo e Minas Gerais.

Caso o PSD leve até o fim a disposição de lançar o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, existe a chance de que ele seja visto como opção mais sólida por expoentes importantes desse segmento econômico.

Isso poderia abalar a credibilidade do candidato do PL e dividir votos que, até aqui, são creditados a ele nas pesquisas.

TRAPALHÃO – Também pesa sobre os ombros de Flávio a atuação do irmão Eduardo, que desertou para os Estados Unidos e, de lá, não consegue passar um dia sem criar confusão. A última quase custou ao pai a prisão domiciliar provisória que obteve pelo agravamento do seu quadro de saúde.

Cobrado pelas trapalhadas que continua a promover, Eduardo já não esconde a amargura pelo fato de, com seus gestos tresloucados, ter deixado a candidatura presidencial escorrer pelos dedos e cair no colo do irmão. Passou a dizer nas redes sociais que, em uma família, sempre existe um que se “sacrifica” pelo todo.

Todas essas arestas e todos os questionamentos, tanto pela direita mais institucional quanto pela extrema direita que tenta mimetizar Javier Milei, só mostram as fragilidades de Flávio, que o PT e a esquerda não parecem saber como confrontar.

DENÚNCIAS – O esfacelamento do bolsonarismo em seu estado de origem, o Rio de Janeiro — com denúncias que vão do uso da máquina em campanhas ao envolvimento explícito com o crime organizado, passando por negócios com o Master no Rioprevidência —, passa ao largo dos discursos de Lula e de seus aliados no Congresso.

A entrada na disputa de nomes de direita que precisam primeiro fustigar o filho de Bolsonaro para ter alguma esperança de tirá-lo do segundo turno não deixa de ser um alento para Lula no momento em que ele parece sem repertório, time e tática para sair das cordas onde está desde o início do ano.

Só que a terceirização da disputa política tem alcance e prazo limitados.

Se até Zema já empata com Lula, é um sinal de que o petista subiu no telhado…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ainda não decidiu se disputará a eleição presidencial de 2026, indicando que a definição dependerá de fatores como cenário político, condições pessoais eCarlos Newton

Há menos de seis meses da eleição, o Datafolha confirma outras pesquisas, como a Quaest/Genial, e indica que o presidente Lula da Silva (PT) entrou em queda diante de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL).

Os dois estão em duplo empate técnico em um segundo turno, porque pela primeira vez o petista foi ultrapassado numericamente, perdendo de 46% a 45%, e ele apresenta também maior rejeição, com 48% ante 46% do filho zero Um de Bolsonaro.

ALTA REJEIÇÃO – Portanto, o petista aparece em pior situação do que em pesquisas anteriores do Datafolha, e seu problema maior é a rejeição pessoal, que na pesquisa Quaest é de 51% ao seu governo e de 61% à sua candidatura.

Mesmo o Datafolha indicando que a rejeição de Lula seria menor (de 48%, ante 61% na pesquisa Quaest), há outros indicativos que também demonstram a queda de Lula.

No segundo turno, por exemplo, quando o rival é Ronaldo Caiado (PSD) ou Romeu Zema (Novo), o atual presidente marca os mesmos 45% ante 42% em ambos os cenários, e esse empate técnico ocorre embora Lula seja conhecido por 100% dos entrevistados, enquanto Caiado e Zema são desconhecidos para 54% e 56% dos eleitores.

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P.S. –
Se até Romeu Zema está em empate técnico com Lula no segundo turno, sendo desconhecido pela maioria absoluta dos eleitores (56%), isso é um forte sinal de que a candidatura do petista à reeleição é como aquele gato que subiu no telhado. Ele está tão desanimado que “desconfirmou” publicamente a candidatura, embora já esteja em campanha há vários meses, tendo inclusive escolhido quem será o vice, que aceitou o convite. A coisa está feia, minha gente. (C.N.).

Boulos amplia espaço no Planalto e entra no núcleo estratégico da campanha de Lula

Preso por fraude no INSS, empresário fecha delação e pode atingir rede política

Charge do Fred Ozanan (Arquivo do Google)

Sarah Teófilo
O Globo

Preso desde setembro do ano passado por suspeita de ser um dos operadores do esquema de fraudes do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), com descontos indevidos em aposentadorias e pensões, o empresário Maurício Camisotti fechou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo O Globo. Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também deteve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

DELAÇÃO – Os advogados que negociaram a delação com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi. Os defensores já atuaram em delações antes. Vilardi fez a colaboração da Hypera Pharma, e Machado, do doleiro Dario Messer — as duas no contexto da Operação Lava-Jato. Procurada, a defesa não se manifestou.

Camisotti e o Careca do INSS são suspeitos de serem os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS por meio de acordos de cooperação técnica com a autarquia, segundo as investigações. Os valores eram cobrados sem o consentimento dos beneficiários.

INDÍCIOS ROBUSTOS  – “Do material colhido nas diversas diligências, emergem indícios robustos de que os indivíduos inicialmente investigados, Antônio Carlos Camilo Antunes e Maurício Camisotti, atuavam como líderes da estrutura delitiva, promovendo o branqueamento de milhões de reais provenientes dos descontos indevidos”, pontuou o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em uma das decisões.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar em novembro do ano passado, Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 17 saques efetuados entre 2018 e 2025, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que levantou suspeitas. Para a PF, ele adotou “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial, conforme apontado pelo Coaf”.

Haddad mira agro e articula vice para romper resistência no interior paulista

Da consultoria à articulação política, Master bancou uma rede para blindar Vorcaro

Saúde de Bolsonaro melhora, mas quadro ainda sustenta domiciliar sob aval de Moraes

TV Globo prepara missão à Lua para Cesar Tralha ir e nunca mais voltar…

César Tralli, o 'amigo gente boa' do público na internet - 01/12/2025 -  Thiago Stivaletti - F5

Cesar Tralha está pronto para partir en viagem à Lua

Vicente Limongi Netto

Cesar Tralha aproveitou o retorno dos astronautas americanos que chegaram perto da Lua, para entediar e irritar os poucos que ainda se dão ao trabalho de perder tempo vendo o Jornal Nacional. Tralha é irrecuperável. Fogoso deslumbrado, fala pelos cotovelos. Ficaria rico como camelô. 

As imagens mostram tudo. Não precisam dos palavrórios de Tralha. Os comentários de apresentador de telejornal são sempre dispensáveis. Mas o Tralha insiste em ser mais importante do que a notícia.  Adora se exibir. 

MISSÃO TRALHA – A TV-Globo pedirá empréstimo ao BNDES ou ao Daniel Vorcaro para organizar a missão espacial a Lua. A previsão é partir antes das eleições de outubro.  Tralha será o único astronauta na memorável cápsula. Está mais feliz do que pinto no lixo.

Sua difícil tarefa já foi definida pelos chefões da TV-Globo. Trazer vestígios de vida de alguém no universo que seja mais chato e desagradável do que o próprio Tralha.

Cientistas responsáveis pela missão não sabem ainda quando a cápsula retornará ao Brasil. Tralha saberá da dramática decisão apenas quando a capsula estiver no espaço. Distante mil quilômetros da aprazível Terra.

COMPARAÇÃO – Vou emoldurar a comparação que recebi do acadêmico Ignácio de Loyola Brandão:

“Limongi, você está se tornando um novo Stanislaw Ponte Preta furioso”.  

Datafolha confirma que Lula empata com Flávio, Caiado e Zema no 2º turno

Um caso de amor inspirou a sinfonia imortal de Cartola e Nelson Sargento

Nelson Sargento (@oficialnelsonsargento) • Facebook

Nelson Sargento, um gigante da Mangueira

Paulo Peres 
Poemas & Canções)

O artista plástico, escritor, cantor e compositor carioca Nelson Mattos foi sargento do Exército, daí o apelido que virou nome artístico. Com parceria de Angenor de Oliveira, o Cartola, fez da vida amorosa uma bela “Sinfonia Imortal”. O samba foi lançado no CD Nelson Sargento Versátil, em 2008, patrocinado pela Natura.

SINFONIA IMORTAL
Cartola e Nelson Sargento

Nós dois somos um naipe de orquestra
Raios de sol pela fresta
Nas partituras do amor.
Surgiu no brilho dos instrumentos
Feito uma sombra, um lamento
Um contratempo da dor.

Jamais a corda lá do destino
Fez nosso amor peregrino
Vagando em acordes vãos.
E a paz era perfeita harmonia
Até que chegou o dia
Da gente fora do tom.

Quando o amor desafina
As notas que predominam
Saudade e desilusão.
Mas se o maestro é de fato
Põe na pauta um pizzicato
Resolve a situação.

E o que eu desejo afinal
É fazer das nossas vidas
Uma sinfonia imortal

Temer admite consultoria ao Master e cobra impedimento no STF

Ex-presidente afirmou ter recebido honorários pelo trabalho

Pedro Penteado
Estadão

O ex-presidente Michel Temer (MDB) confirmou nesta sexta-feira, 10, que foi contratado pelo Banco Master para realizar uma consultoria e mediação antes de o banco ser liquidado pelo Banco Central, em novembro do ano passado.

Em entrevista à CNN Brasil, ele afirmou ter recebido honorários pelo trabalho e disse que o contrato foi encerrado sem resultado. Temer também avaliou que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com possíveis vínculos ao caso Master deverão se declarar impedidos para julgá-lo.

ENVOLVIMENTO –  “Há no sistema normativo impedimentos para que eventuais ministros ou juízes ligados a familiares possam decidir certas matérias. Tenho absoluta convicção de que os ministros que têm advogados envolvidos nessa questão declararão impedimento”, disse.

Temer confirmou ter participado de uma reunião em Brasília com Daniel Vorcaro, controlador do Master, o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. Afirmou não poder detalhar o conteúdo do encontro por razões de confidencialidade profissional. “Há uma certa confidencialidade nessas matérias. Isso é uma coisa ética, fundamental para o advogado”, disse. (Leia mais abaixo)

Sobre os contratos do Master com escritórios de advocacia, o ex-presidente afirmou que cabe a cada um estabelecer seus “critérios de cobrança”. Como publicado pelo G1 e confirmado pelo Estadão, o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do banco liquidado em um período de 22 meses. Ele defendeu especificamente os serviços prestados pelo escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, ao afirmar que a assessoria era “global” e não apenas de natureza jurídica.

IMPEDIMENTO – O ministro Dias Toffoli já se declarou impedido de participar do julgamento sobre a prisão de Vorcaro, em 11 de março. Antes disso, em 12 de fevereiro, ele deixou a condução das investigações do caso após a divulgação de um relatório da Polícia Federal com menções a seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.

Temer disse não saber o que Vorcaro irá revelar em eventual acordo de colaboração, mas avaliou que o empresário “tinha uma influência muito acentuada” e “os mais variados contatos”. Sobre o impacto político do caso, o ex-presidente afirmou que os efeitos mais severos devem aparecer a partir de julho, com o início das convenções partidárias. “Não está sendo bom para as campanhas políticas e para o quadro institucional geral no País”, disse.

Temer negou ter orientado Moraes, ministro que ele indicou ao STF em 2017, sobre o caso Master. “Jamais me atrevi a dar uma orientação a ele. Eu conheço bem o Alexandre e sei que ele decide por conta própria”, afirmou.

Envolvido até o pescoço com Vorcaro, a eleição de Ibaneis será um desacato 

Escândalo Vorcaro: A Prisão e suas Implicações na Democracia

Esta é a pergunta que não quer calar em Brasília

Roberto Nascimento

Até semana passada, o rombo do BRB  (Banco Regional de Brasília) era de R$ 12 bilhões, jogados no colo do banqueiro fraudador e picareta Daniel Vorcaro. Mas ainda era pouco e novas investigações da Polícia Federal, apontam um rombo muito maior, na faixa de 30 bilhões.

O dono do Master, Daniel Vorcaro, salafrário, tinha uma milícia particular para fazer o serviço sujo, sob o comando do matador e aluguel, o “Sicário” Mourão, um moderno cangaceiro de Minas, parecido com o Antônio das Mortes, que também matava no sertão, por dinheiro de fazendeiros, imortalizado no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do cineasta Glauber Rocha.

SAI ILESO – No filme, uma bela ficção de Glauber, Antônio das Mortes sai ileso, são e salvo, enquanto as vítimas, ficaram na horizontal com terra por cima. Na vida real, o Sicário Mourão, o chefe da milícia do  Vorcaro, teria se enforcado na cela da PF em Belo Horizonte.

No meio dessa confusão, surge uma pergunta que não quer calar, e todos a fazem em Brasília e arredores:
Por que o governador de Brasília, Ibaneis Rocha, ainda não foi preso?

Ele negociou as compras de papéis podres do Master, diretamente com o banqueiro Vorcaro na mansão do picareta. Que país é este, que deixa o vampiro de Brasilia solto e livre para se candidatar ao Senado e ganhar imunidade eterna?

PROPOSTA INDECENTE – E agora surge a nova governadora Celina Leão, que era vice e assumiu o cargo de Ibanéis após a renúncia dele para se candidatar ao Senado, tenta pressionar o governo federal para salvar o BRB, o Banco de Brasília do rombo gigantesco.

Qual a proposta de Celina Leão? Ora, ela pretende que a Caixa Econômica e o Banco do Brasil, comprem papéis do BRB, da ordem de R$ 8 bilhões. Que vergonha, governadora Celina, esse pedido é uma proposta indecente e imoral.

A única saída é uma intervenção do Banco Central, liquidando de vez o BRB. Embora seja estatal, pode sofrer intervenção e liquidação por insolvência, má gestão grave ou colapso financeiro, justamente as características atuais do BRB, deixando claro que governadores não devem administrar Bancos, porque o rombo é praticamente certo.

CIDADE ABANDONADA – Ao mesmo tempo, Brasília dá mostras de que está abandonada, com o aumento do número de moradores de rua nas superquadras e a favelização das chamadas cidades satélites.

Tudo isso demonstra que os políticos querem alçar ao poder apenas para enriquecer. Pedem votos ao eleitor com promessas impossíveis e depois riem da cara do povão, quando são eleitos.

Será que o morador de Brasília ainda pretende votar no Ibaneis Rocha e na Celina Leão? Acho que não. Errar de novo e sofrer duas vezes, sinceramente seria demais.

O rastro de bilhões de reais do Master que expõe as zonas cinzentas do poder

Charge do Laerte (Folha)

Pedro do Coutto

Há momentos em que a política brasileira não se revela por discursos, mas por conexões. E poucas histórias recentes ilustram tão bem essa engrenagem quanto o caso do Banco Master — um enredo que mistura expansão agressiva, colapso financeiro e uma rede sofisticada de relações que atravessa Brasília, o mercado e o Judiciário.

As revelações mais recentes, baseadas em dados fiscais e reportagens de veículos como O Globo, mostram que o banco não apenas cresceu de forma acelerada, mas também construiu, ao longo desse processo, uma espécie de “cinturão de proteção” composto por advogados, consultores e figuras de peso da República.

MILHÕES DE REAIS – Não se trata de pagamentos clandestinos, ao menos não no sentido clássico. São contratos, pareceres, consultorias — todos formalmente registrados. E é justamente aí que reside o problema. Entre 2023 e 2025, milhões de reais foram destinados a escritórios de advocacia e estruturas de assessoria jurídica.

Parte relevante desses valores foi direcionada ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Dados encaminhados a investigações e divulgados pela imprensa indicam repasses que chegam à casa de R$ 80 milhões em cerca de dois anos .

Formalmente, não há acusação direta de ilegalidade. O próprio escritório afirma não atuar em processos no âmbito do STF e sustenta que os serviços prestados foram técnicos, com reuniões e pareceres ao longo do contrato . Ainda assim, o impacto político é inevitável. Porque, em ambientes institucionais, não basta ser legal — é preciso parecer legítimo.

PADRÃO RECORRENTE – Esse é o ponto central que transforma o caso em algo maior do que uma simples relação contratual. O escândalo do Master, já descrito como um dos maiores colapsos financeiros recentes do país, com bilhões em jogo e investigações em curso, acabou por expor um padrão recorrente na elite brasileira: a sobreposição entre interesses privados e redes de influência pública .

O controlador do banco, Daniel Vorcaro, não operava apenas no mercado financeiro. Sua estratégia envolvia algo mais sofisticado: construir pontes. Pontes com o Executivo, com o Legislativo, com o Judiciário e com a opinião pública. Consultorias econômicas, pareceres jurídicos, mediações institucionais e até gestão de crise — tudo integrado em uma estrutura que, na prática, funcionava como um sistema de proteção e expansão simultâneas.

Não é um fenômeno novo. O Brasil já assistiu, em diferentes momentos, à formação de ecossistemas semelhantes, onde o poder circula por meio de relações personalizadas, contratos bem remunerados e uma zona cinzenta entre influência legítima e captura institucional. O que diferencia o caso Master é a escala e o timing: ele explode em um momento de forte polarização política e de crescente desconfiança nas instituições.

QUESTIONAMENTOS ÉTICOS – O efeito colateral mais sensível recai sobre o próprio Judiciário. O Supremo Tribunal Federal, que nos últimos anos assumiu protagonismo político, agora se vê, ainda que indiretamente, envolvido em questionamentos éticos. E isso tem consequências. Pesquisas recentes já apontam erosão na confiança pública, alimentada justamente por episódios que, mesmo sem ilegalidade comprovada, geram desconforto coletivo .

O presidente Lula da Silva chegou a reconhecer, em declarações públicas, que há situações em que decisões podem ser juridicamente corretas, mas politicamente problemáticas — sobretudo quando afetam a percepção da sociedade sobre a imparcialidade das instituições. Essa distinção, aparentemente sutil, é hoje o centro do debate.

DÚVIDAS LEGÍTIMAS – No fundo, o caso Master revela menos sobre um banco específico e mais sobre o funcionamento do poder no Brasil. Um sistema em que contratos podem ser legais, relações podem ser formais, mas o conjunto ainda assim levanta dúvidas legítimas.

Porque, quando milhões circulam entre atores que orbitam o núcleo do Estado, a questão deixa de ser apenas jurídica — torna-se política, institucional e, sobretudo, moral. E é exatamente nesse território, onde a lei encontra a percepção pública, que crises verdadeiramente perigosas começam a se formar.

Lula está ensinando ao Supremo que em política não existe gratidão nem lealdade

Charge do Zé Dassilva: Ninguém precisa saber - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

William Waack
Estadão

Lula entregou aos leões o homem que ele diz em público ter salvado a democracia, o ministro Alexandre de Moraes. Ao recomendar ao ministro que “salve sua biografia”, e se declare impedido de julgar qualquer coisa relativo ao escândalo do Master, Lula pediu para Moraes não atrapalhar a reeleição.

Explícito nesse conselho é o reconhecimento de que a situação do STF – perda de credibilidade e legitimidade – terá impacto eleitoral. Bastante evidente, aliás. Na noite do primeiro turno já se sabe qual será a composição da Câmara dos Deputados e do Senado. Portanto, qual o peso da tropa para se pedir votos no segundo turno contra o STF – visto como associado a Lula.

SALVAR A PELE – As posturas públicas de integrantes das duas principais alas em que se divide hoje o Supremo indicam que a luta por “preservar” a imagem da instituição cedeu lugar à luta para salvar literalmente a pele de alguns de seus integrantes. Não ganhou tração no debate a tentativa de tratar a crise em que se encontra o Supremo como esforço para preservar a institucionalidade diante de ataques infundados.

Formou-se um tipo de “onda”, de “momento” na política, no qual a hipertrofia do STF é percebida amplamente como intolerável. E surgiu bastante distante, mas está na linha do horizonte, o temor de algum tipo de desobediência civil. A tal da “autocontenção” sequer é percebida como tal.

Ao contrário. A resposta à crise dada pelo STF é vista pelo público como o emprego mal disfarçado de subterfúgios “técnicos” para limitar o poder de investigação do Legislativo, cercear a distribuição de conteúdo obtido por órgãos como a PF, mudar regras do jogo para dificultar a tramitação de pedido de impeachment dos ministros e, por último, contestar o alcance e valor de delações – quando virão várias no Master.

NOVA LAVA JATO – Talvez seja a arrogância do poder irrestrito que tenha levado alguns integrantes do STF a acreditarem que está em curso um novo tipo de lavajatismo. O paralelo possível com aqueles tempos é outro: é o grau da indignação em vários setores da sociedade com a podridão e falta de moral no “sistema”. A Lava Jato foi um grande grito de “basta”. É o que se ouve novamente.

As duas “saídas” em curso no momento para a situação do Supremo são o forte espírito corporativista do Judiciário em geral e da corte suprema em particular. E um tipo de entendimento “informal” com um Senado que não mais comanda o mesmo respeito que já teve. Ficou mais parecido com a Câmara dos Deputados e suas “negociações”, inclusive políticas.

Seria mesmo difícil vislumbrar como “saída” uma eventual ajuda vinda de um mandatário que admite em público estar no cargo graças ao Supremo. Lula ensinou que em política não existe gratidão e nem lealdade.

A ilusão da estabilidade fugaz: por que o cessar-fogo não resolve o Oriente Médio

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)