Bolsonaro entrou no poder pela porta da frente, mas vai sair pela porta dos fundos

Bolsonaro escolhe desembargador do TRF-1 Kassio Nunes para o Supremo, mas nome sofre resistências – Money Times

Bolsonaro devia se aconselhar com o presidente do Banco Central

Carlos Newton

Parece que eles venceram, porque conseguiram emplacar no Supremo mais um advogado sem notório saber nem reputação ilibada, que foi capaz de fraudar o próprio currículo. Como esse fato se tornou público, sua reputação não tem o valor de uma nota de três dólares. Seu saber também não é notório. Na verdade, a única justificativa para a nomeação é de que se trata de um advogado a serviço dos corruptos do Centrão, seja sob governo de Dilma Rousseff ou de Jair Bolsonaro, isso não tem a menor importância. O que vale é servir ao Centrão, garantir a impunidade.

É verdade, parece que eles venceram, mas a realidade política é muito mais criativa do que esses conchavos de bastidores, essas negociatas de pessoas nefastas que agem debaixo dos panos, como se dizia antigamente.

ESPÍRITO ALTIVO – As pessoas de bem não podem desanimar. É preciso manter o espírito altivo e confiar nessa nova geração que criou a Lava Jato e emparedou a corrupção, lutando o bom combate citado pelo Apóstolo Paulo. A reação dessa gente imunda desde sempre já era esperada. É preciso saber enfrentá-la.

Bolsonaro poderia ser um presidente a entrar na História pela porta da frente. Mas está destinado a sair pela porta dos fundos, sorrateiramente, como Lula no final de 2012, fugindo da imprensa internacional em Barcelona, escapando pela lavanderia do hotel junto com dona Marisa Letícia.

Este é o futuro que está destinado a Bolsonaro, por ter trocado de lado e se unido ao que há de pior no Congresso e no Judiciário desse país. Para salvar os filhos e garantir um novo mandato, não se importa com a própria biografia. Apenas vive o momento.

PODIA SER DIFERENTE – O presidente poderia ter cumprido a antiga promessa de nomear um jurista terrivelmente evangélico. Mas preferiu um tremendamente amoldável, que antes era petista e agora virou bolsonarista, porém mais à frente pode mudar de lado, de acordo com os interesses do Centrão.

Quinto país do mundo em extensão, sexto em população e que ainda está entre as dez maiores economias, o Brasil é importante demais para passar desapercebido. Tudo o que acontece aqui repercute no exterior.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, adverte que a credibilidade da política econômica está arranhada, que a fragilidade fiscal contribui para desvalorizar o real e que o País já perde fluxo de capitais por conta das políticas ambientais. Mas quem se interessa?

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P.S.
É preciso entender que o Brasil é um país superglobalizado, não pode mais ser uma ilha, diria o utópico filósofo Thomas Morus. Entre as 500 maiores multinacionais, pelo menos 400 estão instaladas no Brasil. A imagem do país no exterior deve ser preservada a qualquer custo. O presidente Bolsonaro e seu chanceler parecem dispostos a destruí-la, mas não conseguirão. Estão no poder apenas de passagem e não tardam a ser esquecidos. O Brasil é muito maior do que eles. (C.N.)

Brasileiros devem torcer por Biden, para recuperar a dignidade da diplomacia do Itamaraty

174 anos de nascimento do Barão do Rio Branco | Curso Sapientia

Que falta faz ao Brasil um chanceler como Rio Branco…

Carlos Newton

Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, tendo como chanceler o jovem e inexperiente embaixador Ernesto Araújo, tornou-se evidente o equívoco da política diplomática de aproximação e submissão aos Estados Unidos, que talvez seja o maior erro do atual governo. Durante a chamada Guerra Fria, como dizia o então secretário de Estado, John Foster Dulles, “os Estados Unidos não tem aliados, apenas interesses”.

De lá para cá, nada mudou. Por isso, para os sucessivos governos brasileiros, as eleições para presidência dos Estados Unidos jamais tiveram maior importância. Democrata ou republicano, o candidato vencedor não faria diferença nessa política externa imperialista norte-americana.

SEM NOVIDADES – É preciso lembrar que o imperialismo não é nenhuma novidade na história do mundo, vem se repetindo desde os romanos e gregos, com destaque para Alexandre Magno, um fenômeno como chefe militar que viveu apenas 32 anos, cujas conquistas foram realmente extraordinárias.

Depois, esses sonhos imperais chegaram ao auge com o Império Britânico, onde o sol nunca se punha, que resistiu ao expansionismo germânico de Adolph Hitler, mas acabou superado pelo imperialismo americano, que tem um estilo mais moderno de dominar duplamente, pela simultânea influência militar e econômica.

O Brasil sempre soube conviver com a situação internacional de forma hábil e proveitosa, como vinha fazendo desde a Independência, com destaque para a fase do Barão de Rio Branco, o maior ministro do Exterior que já tivemos.

O GRANDE DIPLOMATA – Como advogado, jornalista, diplomata, geógrafo, professor e historiador, Rio Banco se destacou em todas essas atividade. Hoje, é mais lembrado como diplomata, por ter garantido e estendido as fronteiras brasileiras, conseguindo incorporar definitivamente ao Brasil uma área de 900 mil quilômetros quadrados.

Em 1895, assegurou para o Brasil boa parte do território dos estados de Santa Catarina e Paraná, no litígio da questão de Palmas, contra a Argentina. Cinco anos depois, na virada do século, derrotou diplomaticamente a França na disputa de fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

Em 1903, a grande glória, com a incorporação do Acre, consolidando a façanha do major Plácido de Castro, que liderou os seringueiros e derrotou o Exército e a Marinha da Bolívia. Com isso, Plácido de Castro evitou que o Acre se tornasse um território governado por um consórcio anglo-americano.

FALSO IMPERIALISTA – Embora fosse acusado de “imperialismo” pelos argentinos, Rio Branco era justamente o contrário, um cidadão do mundo, que soube reconhecer os direitos do Uruguai ao regime de águas compartilhadas com agricultores brasileiros na região da Lagoa Mirim. Foi até homenageado pelo governo uruguaio, que deu o nome de Rio Branco a uma importante cidade na fronteira.

O fato concreto é que, quando o presente é turvo e pegajoso, é melhor recordar boas coisas do passado, como a atuação de Rio Branco. Hoje, temos no Itamaraty o pior chanceler da História, um diplomata subserviente, de tal forma curvado aos Estados Unidos que só falta aparecer o cofrinho da cueca.

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P.S.
Por tudo isso, os brasileiros deve torcer pela vitória do democrata Joe Biden nos Estados Unidos. Pode ser que a derrota de Trump desperte Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo para a necessidade de o Brasil retomar sua histórica diplomacia independente e altiva, que teve no Barão do Rio Branco seu maior expoente. Afinal, sonhar ainda não é proibido. (C.N.)

Política brasileira sofre retrocesso brutal com os três Poderes apodrecidos simultaneamente

Impunidade | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

É inadmissível, inaceitável e intolerável que o Brasil tenha sido levado a esse retrocesso brutal que se registra hoje, sendo motivo de chacota internacional, não apenas pelo grotesco episódio do senador flagrado escondendo dinheiro na cueca, mas sobretudo pelo apodrecimento dos três Poderes da República, que vêm emporcalhando a imagem do Brasil no exterior, com Bolsonaro se transformando num fenômeno mundial (no mal sentido) e causando uma preocupação enorme com a Amazônia no resto do mundo, especialmente na matriz USA.

A imagem do Brasil está cada vez mais emporcalhada pelos desmandos nos três Poderes, a ponto de o presidente do Banco Central, Roberto Campos Filho, ter afirmado que a credibilidade da política econômica está arranhada, acrescentando que a fragilidade fiscal contribui para a desvalorização da moeda e destacando que o País perde investimentos externos por conta da política ambiental, conforme o jornalista William Waack acentuou em artigo no Estadão..

PERDA DE IDENTIDADE – Não mais que de repente, diria o grande brasileiro Vinicius de Moraes, o Brasil foi perdendo sua identidade, e isso começou a acontecer após o extraordinário governo de Itamar Franco, que foi sucedido pelo trêfego Fernando Henrique Cardoso.

A pretexto de reduzir a dívida externa, FHC abriu as torneiras das privatizações “no limite da irresponsabilidade”, como definiu Ricardo Sérgio de Oliveira, então diretor da Área Internacional do Banco do Brasil.

FHC era farsante e incompetente. Reduziu a dívida externa, que cobra baixos juros, e escancarou a dívida interna, com juros muito maiores e que beneficiam o sistema financeiro. Hoje, essa dívida é o maior problema brasileiro e se tornou impagável, mas não se costuma atribuir esse fracasso a FHC.

SOMBRA DO PASSADO – Hoje o Brasíl é apenas uma sombra do passado. Sua antiga importância na política internacional já foi substituída pela Índia.

O Supremo tornou o Brasil o paraíso da impunidade, como único país da ONU a determinar prisões após condenação em quarta instância, enquanto a maioria das nações só tem três instâncias judiciais.

E o Legislativo transformou o pacote anticrime do então ministro Sérgio Moro em pacote a favor do crime, que acaba de permitir a fuga de um dos mais perigosos criminosos do país. E na Câmara e no Senado os projetos não andam. Estão trancados nas gavetas do deputado Rodrigo Maia e do senador Davi Alcolumbre, ambos do mesmo partido do senador com dinheiro na cueca.

DINHEIRO VIVO – No Executivo, o poder está na mão de uma família que também gosta de operar em dinheiro vivo e de se curvar diante da matriz USA, a ponto de aparecer os cofrinhos nas cuecas.

Repita-se: o presidente do Banco Central adverte que a credibilidade da política econômica está arranhada, que a fragilidade fiscal contribui para a desvalorização da moeda e que o país perde investidores devido à política ambiental, mas não acontece nada, nenhum comentário do presidente nem do ministro-chefe da equipe econômica, é como se não tivessem nada a ver com isso.

Bolsonaro e Guedes mais parecem personagens de Voltaire no melhor dos mundos, nada pode atingi-los, e com isso os dois demonstram um elevadíssimo grau de irresponsabilidade pública, enquanto la nave va, cada vez mais fellinianamente.

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P.S
.- Esqueci de dizer que causa espanto o comportamento dos generais do Planalto. Comportam-se como se Bolsonaro fosse um presidente da maior eficiência e que estivesse fazendo um governo magnífico. Como diz o velho ditado, cada homem tem seu preço, e isso independe das estrelas sobre os ombros, que parecem não pesar sobre suas consciências.

E aí lembramos a expressão latina de Plauto, criada há mais de 2 mil anos e depois popularizada pelo pensador britânico Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do homem”. De lá para cá, nada mudou. (C.N.)

Biden continua firme na liderança e tem mais audiência do que Trump na TV

Biden X Trump – quem são os candidatos preferidos de Rússia, China e Irã,  segundo serviço secreto – Jornal dos Sports USA

Pesquisa WSJ/NBC indica Biden 11 pontos à frente de Trump

Carlos Newton

Enquanto aqui na filial Brazil as notícias são desalentadoras e demonstram que o país se encontra numa fase de absurdo retrocesso em termos administrativos, jurídicos e legislativos, como única nação da ONU que proíbe prisão após segunda instância, a cobertura internacional está fervilhando com as informações da matriz USA sobre as mais importantes eleições do mundo.

Como os debates nas emissoras de TV foram suspensos depois que Trump anunciou ter anunciado que testou positivo para covid-19, os dois candidatos estão participando de eventos separados em emissoras diferentes, e o democrata Joe Biden continua mantendo boa vantagem sobre o republicano Donald Trump.

PESQUISA NIELSEN – Na quinta-feira (dia 15), em programa transmitido pela rede ABC, Biden conseguiu ter mais audiência do que Trump, que estava sendo entrevistado em programa exibido no mesmo horário na rede NBC.

Pesquisa divulgada pelo tradicional instituto Nielsen, que atua em mais de 100 países, registrou que o programa de Trump teve média de 13,1 milhões de telespectadores, enquanto Biden alcançava média de 13,9 milhões de espectadores.

O programa com o democrata foi transmitido da Filadélfia, e Biden fez graves críticas à atuação de Trump na pandemia. Além disso, voltou a destacar a importância da Amazônia para evitar o aquecimento global e as mudanças climáticas, um assunto cada vez mais popular na matriz.

TRUMP “MODERADO” – A entrevista de Trump teve transmitida direta de Miami. O presidente foi entrevistado pela apresentadora Savannah Guthrie e respondeu também a perguntas de eleitores.

Segundo o “The New York Times”, o candidato republicano manteve um tom mais moderado, porque sua estratégia é tentar conquistar os indecisos, para superar Biden na reta de chegada, conforme aconteceu na eleição passada, quando Trump teve menos 3 milhões de votos do que Hillary Clinton, mas acabou vencendo devido ao sistema de colégios eleitorais.

O levantamento do Instituto Nielsen sobre os dois programas simultâneos representa mais uma derrota para Trump, que continua atrás nas pesquisas de intenção de votos para a eleição de 3 de novembro.

JOGANDO A TOALHA – Outra notícia importante, divulgada aqui no Brasil pela Folha, revela que o renomado senador republicano Lindsey Graham, muito ligado a Trump, admitiu nesta quinta-feira (dia 15) que o democrata Joe Biden tem uma “boa chance” de ganhar a disputa pela Casa Branca nas eleições de 3 de novembro.

Relata a Folha que a declaração de Graham, presidente do Comitê Judiciário do Senado, foi dada aos colegas democratas na abertura do quarto dia de audiências de confirmação da indicada de Trump à Suprema Corte, Amy Coney Barrett.

“Obrigada por reconhecer isso”, respondeu a senadora democrata e ex-candidata à indicação do partido para disputar a Presidência Amy Klobuchar, ao que Graham acrescentou: “Sim, creio que seja verdade”.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Para a sucursal Brazil, a torcida deve ser para a vitória de Biden. O motivo é evidente. Se Trump vencer, o presidente Bolsonaro e seus ministros continuarão nessa postura provinciana e subalterna, pois o governo de Washington só defende os interesses próprios, está pouco ligando para o Brazil, cuja produção agrícola é a maior rival dos ruralistas americanos, que são subsidiados pela matriz para enfrentar a sucursal, vejam como funciona o tal mercado que Paulo Guedes tanto idolatra.

Ninguém sabe o que se passa na cabeça do presidente Bolsonaro e de seus ministros, mas a vitória de Biden traz a possibilidade de o Brasil retomar sua histórica e bem-sucedida estratégia  independente e altiva, que teve no Barão do Rio Branco seu maior expoente, um ministro conhecido e respeitado no xadrez da política internacional. Mas quem se interessa?

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P.S.Já ia esquecendo.  Divulgada nesta quinta-feira, pesquisa WSJ/NBC aponta Biden com 11 pontos percentuais à frente de Donald Trump na disputa pela Presidência dos Estados Unidos. O democrata teria 53% das intenções de voto, contra 42% do republicano. (C.N.)

Fux desmoralizou Marco Aurélio ao revelar que ele soltou André do Rap antes dos 90 dias previstos na lei

A gente já desconfia, mas dá o nome deles, ministro! | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

O vigoroso e irrespondível voto do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, para justificar sua interferência “excepcional” contra a libertação do traficante André do Rap pelo ministro Marco Aurélio poderia ser resumido a apenas algumas linhas que ressaltassem a ilegalidade da soltura do chefão da mais temida e perigosa facção criminosa do país – o Primeiro Comando da Capital.

Bastava ter dito que Marco Aurélio Mello cometeu três gravíssimas irregularidades:

1) Aceitou decidir uma liminar de tal importância em processo que não lhe caberia, pois a questão é relatada pela ministra Rosa Weber;

2) Determinou a soltura de um dos mais perigosos bandidos, considerado o maior “atacadista de cocaína” do país, sem que tivesse se esgotado o prazo de 90 dias, previsto na própria lei que Marco Aurélio usou para dar fuga ao facínora.

3) Não se considerou suspeito para julgar um facínora defendido por um advogado que até um ano atrás era seu assessor no Supremo, e com a petição assinada pela esposa dele. 

ENCHER LINGUIÇA – Mas Fux teve de encher linguiça, como se dizia antigamente, para acalmar os demais “garantistas” (Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Rosa Weber e Ricardo Lewandowski), que estavam com fricotes e faniquitos porque o novo presidente do Supremo, ao cancelar o habeas corpus, teria infringido o Regimento, que o impediria de interferir em matéria penal.

Assim, Fux teve de perder um tempo enorme para explicar que sua decisão, atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República, teve caráter “excepcional”, e chegou até a citar o aumentativo “excepcionalíssima”.

Ou seja, o presidente quis deixar claro que não tem a menor pretensão de se transformar num revisor das decisões dos demais ministros.

“JUS SPERNIANDI” – Mesmo diante da explicação de Fux sobre as ilegalidades cometidas por Marco de Mello, os outros garantistas fizeram questão de manifestar sua indignação, como se fosse obrigatório que o Regimento Supremo previsse uma situação totalmente escalafobética como a que foi armada por Marco Aurélio Mello, que só faltou colocar uma placa diante do gabinete, anunciando: “Libertação de criminosos / Tratar aqui”.

Como desabafou no ano passado o correto ministro Luís Roberto Barroso, “no Supremo você tem gabinete distribuindo senha para soltar corrupto, numa ação entre amigos”. Esta foi a denúncia mais pesada já feita internamente em toda a História do Supremo, sobre as ligações de ministros com criminosos de toda sorte. 

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P.S. – Por fim, como disse ontem Pedro do Coutto, o ministro Marco Aurélio Mello deveria  antecipar a aposentadoria. Não há mais clima para julgar ninguém, está completamente desmoralizado. Não serve nem para apitar partida de futebol na várzea, é a imagem da decadência. (C.N.)

Marco Aurélio pode ser derrotado por unanimidade no caso da soltura do chefão do PCC

Antes, Marco Aurélio já tinha libertado 79 outros criminosos

Carlos Newton

Embora haja outros ministros “garantistas”, que apoiam a cega obediência à chamada letra fria da lei preconizada por Marco Aurélio Mello, como Dias Toiffoli, Ricardo Lewandoswi, Gilmar Mendes e Rosa Weber, a decisão de libertar o chefão do PCC pode ser rejeitada por unanimidade, com o voto dos outros nove integrantes do STF.

O fato concreto é que esses cinco ministros estão unidos pelo “garantismo” e chegaram a ponto de votar contra a prisão após segunda instância, junto com o então decano Celso de Mello, envergonhando o Brasil perante os demais países da ONU, pois passou a ser o único a prender os réus somente  após julgamento em quarta instância, que é Supremo, com um detalhe vexatório – a grande maioria das 193 nações da ONU nem possui quarta instância, pois tem apenas três.

IMPUNIDADE GARANTIDA – Os garantistas tiram Lula da Silva e José Dirceu da cadeia, garantiram a impunidade da elite que comete crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, improbidade e enriquecimento ilícito.

Por esses crimes abjetos, cometidos através do desvio de recursos públicos, no Brasil ninguém mais vai para a cadeia, os criminosos nem precisam mais da ajuda dos garantistas do Supremo, pois as penas prescrevem antes de chegar na quarta instância..

ABSURDO TOTAL – No caso da libertação de André do Rap, chefão do PCC, trata-se de um facínora comparável a Fernandinho Beira-Mar, aquele que mandava esquartejar em vida, e fica acompanhando pelo celular: “Já cortou a orelha? Corta agora o polegar. Depois, o nariz…”

Mesmo assim, o garantista Marco Aurélio Mello decidiu soltá-lo, porque o juiz da causa esqueceu de renovar a preventiva. Antes, o lunático ministro já tinha libertado 79 outros criminosos.

SEIS A ZERO – O plenário do Supremo começou a examinar e julgar esse ato teratológico e inexplicável. O placar já está seis a zero. Votaram contra a decisão Luiz Fux, Dias Toffoli, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Alexandre de Moraes.

Marco Aurélio Mello pode perder por unanimidade, porque nem mesmo Gilmar Mendes tem coragem de defender uma maluquice dessas. Aliás, os dois não se falam há anos, desde que tiveram uma briga e Gilmar disse que ia pedir o impeachment dele.  

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P.S. – A Polícia levou cinco anos até prender André do Rap. Agora, só conseguirá chegar novamente a ele se houver alcaguetagem. Caso contrário, o chefão do PCC pode ficar livre para sempre. (C.N.)

A culpa é de Rodrigo Maia, que transformou o Pacote Anticrime em Pacote a Favor do Crime

Marco Aurelio tomou o processo de Rosa Weber e soltou André

Carlos Newton

A escalafobética decisão monocrática tomada por Marco Aurélio de Mello para libertar o criminoso de altíssima periculosidade está sendo justificada pela alegação de que o ministro apenas cumpriu a lei. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que incentivou a inclusão dessa teratológica norma no “Pacote Anticrime” do então ministro Sérgio Moro, que passou a ser “Pacote a Favor do Crime”, reforça a defesa do lunático Marco Aurélio Mello, dizendo que a culpa teria sido do Ministério Público, que deixou de requerer a prorrogação da prisão preventiva.

Essas  justificativas são capengas e têm sido reforçadas pelo apoio dos que defendem o garantismo – a cega obediência da letra fria da lei, algo que nem existe no Direito. Aliás, muito pelo contrário, antes de obedecer à lei, os magistrados são orientados a examinar a situação social e o bem comum.

NORMAS DO DIREITO – Qualquer estudante de faculdade sabe que, acima das leis, existem as diretrizes que regem a aplicação delas, e aqui no Brasil essa doutrina está consubstanciada na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, de 4 de setembro de 1942.

Particularmente, tenho especial admiração por dois dispositivos: “Artigo 4º – Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito”; e “Artigo 5º – Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”.

Bingo!!! Ao apresentar suas decisões, todos os magistrados estão obrigados a obedecer a essa doutrina, dentro do Princípio da Razoabilidade, que norteia toda a Ciência do Direito, pois o que não é razoável não pode gerar direito…

DEFINIÇÕES PRECISAS – Na verdade, a decisão de Marco Aurélio Mello é uma monstruosidade. A melhor definição, até agora, foi do site “O antagonista”:

“A soltura do traficante André do Rap pelo ministro Marco Aurélio do Mello equivale à leitura da lei por um robô que, investido do poder de magistrado, se atém à literalidade do texto, sem levar em conta o histórico do criminoso, a moldura da organização a que ele pertence e a sua capacidade de escafedecer-se, como obviamente ocorreu. Robô dos antigos, porque talvez um mais moderno, programado com algoritmos mais sofisticados, fosse capaz de processar todas as informações sobre o facínora e decidir pela manutenção da sua prisão preventiva”.

E como disse Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça, à Folha, “Se (Marco Aurélio Mello) não olhou a capa (do processo), não dimensionou as consequências de sua decisão. Ele ficou preso à estrita letra da lei, sem avaliar o mérito efetivo e as consequências desse ato. O juiz tem que ver o conjunto. Acho que esse amor formalista à letra da lei, que desconhece a sociedade e desconhece a capa, leva a situações muito injustas.”

ALEGAÇÕES INÚTEIS – Além de não ter cumprido o art. 5º, pois não levou em conta a situação social e as exigências do bem comum, o ministro Marco Aurélio Mello infringiu as leis que impedem ao magistrado atuar em questões nas quais tem relações com os advogados, pois o habeas foi pedido pelo escritório de advocacia de um ex-assessor seu, assinado pela mulher, e Marco Aurélio Mello nem poderia ter atuado, pois a questão cabia à relatora Rosa Weber.

Com isso, o ministro do Supremo jogou fora o que ainda resta de sua dignidade, pois agora está sob suspeita de ter sido corrompido. Como diz outro ex-ministro, o jurista Walter Maierovitch: “O bom juiz percebe claramente quem é o traficante do tostão e quem é o traficante do bilhão”…

A LEI DE MAIA – Quanto à alegação de Rodrigo Maia de que a culpa é do Ministério Público, o presidente da Câmara está totalmente enganado. Aliás, a culpa é dele, que incentivou a deturpação do Pacote Anticrime e aprovou uma mudança legal que não pode ser obedecida.

 No inquérito, a prisão preventiva pode ser pedida pelo Ministério Público, pelo delegado ou pela parte que se diz em risco. A Lei de Maia diz que a preventiva deve ser revista “pelo órgão emissor” a cada 90 dias.

Órgão emissor é o juiz, portanto,  a lei está errada, porque a necessitada de preventiva deve ser revista pelo condutor do inquérito, que é o delegado ou o Ministério Público. O juiz nada tem a ver com isso. Ou seja, uma lei para proteger corruptos e que não pode ser aplicada em criminosos de maior periculosidade, como é o caso de um facínora, já condenado duas vezes em segunda instância e chefão da maior organização criminosa do país.

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P.S.
– É como no samba “Nega Maluca”, de Evaldo Rui e Fernando Lobo, em que não se sabia quem era o pai da criança que estava no colo da nega maluca, que hoje em dia teria de ser chamada de “afrodescendente com necessidades especiais”. (C.N.)

É preciso apelar a Sérgio Moro para que não deixe o país e termine sua obra saneadora

Sérgio Moro é exonerado da Justiça Federal

Desapontado, Moro pensa em morar nos Estados Unidos

Carlos Newton

Embora sejam numerosos, fortes e ameaçadores, os inimigos da Lava Jato não são invencíveis. Pelo contrário, bastou um juiz de verdade assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal para logo desfazer a principal arma dos “garantistas”, que se dizem cultores da aplicação da lei, mas na realidade trabalham as brechas da legislação para garantir a impunidade de governantes, parlamentares, autoridades e empresários envolvidos em sonegação, improbidade, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito.

Como são crimes que não ameaçam a ordem pública nem a segurança dos cidadãos, os autores têm a garantia da impunidade até trânsito em julgado na quarta instância (Supremo), circunstância que assegura a prescrição dos crimes por decurso de prazo.

IMAGEM EMPORCALHADA – Esta é situação real da Justiça, que é inteiramente conhecida no exterior e contribui para emporcalhar a imagem do Brasil, único país da ONU a ter tamanha leniência em relação à criminalidade das elites.

Luiz Fux está determinado a mudar essa situação. Menos de um mês após assumir a presidência do Supremo, ardilosamente usou a sessão administrativa para conseguir dar um freio nessa garantia de impunidade.

Com uma manobra foi de uma habilidade surpreendente, deu um xeque-mate nos ministros ligados à corrupção, que nem esboçaram reação e aprovaram por unanimidade a determinação de que as ações criminais voltem a ser julgadas pelo plenário do tribunal, acabando com a ditadura da Segunda Turma, que vinha impondo sucessivas derrotas à Lava Jato.

GILMAR E MARCO AURÉLIO – O único ministro que se mostrou contrariado foi Gilmar Mendes, que reclamou da decisão ser tomada em sessão administrativa, mas votou a favor. Furioso com a mudança, o “garantista” Marco Aurélio Mello também votou a favor, mas três dias depois deu o troco, ao libertar um dos mais temíveis criminosos do país, André do Rap, um dos chefões da fação PCC.

Pegou muito mal para Marco Aurélio, porque o presidente do Supremo logo revogou sua decisão, mas o criminoso já estava foragido. Neste faroeste caboclo, ficou claro que Fux faz o papel de amigo do mocinho e Marco Aurélio representa o protetor da bandidagem.

É nesta conjuntura que a Dra. Rosângela, mulher de Sérgio Moro, tenta convencê-lo a ir morar nos Estados Unidos, onde será recebido com todas as honras.

UM APELO A MORO – É um momento de decisão, e a bancada da corrupção tenta incentivar Moro a deixar o país. Seu desencanto é natural. A campanha movida contra ele na mídia e nas redes sociais é implacável, embora não haja a menor prova de parcialidade e de conluio com o Ministério Público, nem mesmo nas centenas de horas de gravações ilegais publicadas pelo The Intercept.

Como juiz, Moro jamais direcionou a Lava Jato. Apenas examinava as denúncias a ele encaminhadas pela força-tarefa, aceitava ou não. E o fato de a Lava Jato priorizar o PT e o Centrão foi causado pelos rumos das delações dos doleiros, com Alberto Youssef à frente, e depois pelos próprios empresários envolvidos. Por isso, PMDB e PSDB só entraram depois, no decorrer das delações.

A Lava Jato não morreu, está prosseguindo do jeito que permitem. Portanto, é preciso fazer um apelo a Sérgio Moro, para que ele prossiga sua carreira aqui no Brasil, que tem uma Justiça ainda tão capenga. Fica, juiz, e deixe a vida te levar.

    

É mais fácil a Lava Jato matar o presidente Bolsonaro e os filhos do que ser morta por eles

Bolsonaro, o espantalho da democracia

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

A gente sempre avisa aqui  na Tribuna da Internet que sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. O presidente da República certamente estava sonhando quando disse que matou a Lava Jato. É claro que ele sonha com isso de manhã, de tarde e de noite, para evitar o pesadelo do desfecho de inquéritos e ações a que respondem dois de seus filhos e que podem envolvê-lo também e à primeira-dama, não somente pelos R$ 89 mil recebidos e até agora não explicados por Michelle Bolsonaro, mas também pelo conjunto da obra rachadíssima do marido em seus 28 anos de Câmara.

Há duas semanas a Veja publicou que os advogados de Bolsonaro teriam encontrado uma forma de justificar os R$ 89 mil reais depositados na conta da primeira-dama, mas até agora nada…

HÁ MUITOS SONHADORES – Bolsonaro não é único a sonhar com a morte da Lava Jato. É apenas mais um que entra na longuíssima fila de parlamentares, governantes, empresários, gestores públicos e até magistrados.

Todos lutam desesperadamente contra a força-tarefa do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita. Já conseguiram até sufocar a Lava Jato, com o golpe da prisão somente após quarta instância, que transformou o Brasil no único país do mundo a praticar essa teratologia, como dizem os juristas, mas a expressão mais certa seria escatologia, pois fede à distância.

A união tácita dos três apodrecidos Poderes – armada por Dias Toffoli e Gilmar Mendes, que junto com suas mulheres são alvos de investigação da Receita e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) – tem como principal objetivo liquidar a Lava Jato. Por isso, foi entusiasticamente aceita por Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, com imediata adesão de Bolsonaro.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Os dirigentes dos três Poderes, ao combinar esse pacto pela impunidade mútua e alheia, não esperavam tamanha resistência.

Pelo contrário, Toffoli e Gilmar até julgaram que tinham liquidado o Coaf, mas o ministro Alexandre de Moraes percebeu a manobra imunda e convocou o plenário do Supremo a restabelecer os poderes do importantíssimo órgão de controle financeiro, que é a principal arma do Estado para combater corrupção e lavagem de dinheiro.

Além da volta do Coaf, que esta batendo recordes de produtividade, ganha força na Câmara o movimento para aprovar o retorno da prisão após segunda instância e restabelecer a dignidade do país no campo do Direito.  

Essa realidade demonstra que a Lava Jato não morreu nem morrerá nas mãos desses pseudos representantes do povo. A cada semana surgem novas operações das forças-tarefas, mostrando que a Justiça há de prevalecer neste país.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Antes de Bolsonaro ser eleito, foi considerado pelo editor-chefe da Tribuna como “um completo idiota”. Esses quase dois anos de gestão comprovaram que tal definição é a coisa mais certa de todas as coisas, como diria Caetano Veloso. E a gente acrescenta que Bolsonaro é como Roberto Carlos e também exibe uma “força estranha”. A diferença é que a utiliza para o mal. Por isso sonha em matar a Lava Jato. (C.N.)

“Sem aumento do consumo, a reforma de Guedes vai fracassar”, assinala Pedro do Coutto

JOSÉ PEDRIALI: Bode na sala ou salame fatiado, reforma tributária de Guedes  cria confusão

Charge do Céllus (site Charge Online)

Carlos Newton

A Tribuna da Internet está com alguns importantes desfalques, que fazem muita falta, como Pedro do Coutto, com um problema na mão direita, que o impede de digitar, Francisco Bendl, que implantou ontem dois “stents” nas artérias, e Antonio Santos Aquino, que ainda está às voltas com a recuperação da saúde de sua mulher.

Vamos torcer para que os três amigos voltem a publicar seus artigos e comentários o mais rápido possível, para incrementar ainda mais os debates aqui na TI, que está pegando fogo.  

GRANDE ANALISTA – Pedro do Coutto é um lendário jornalista carioca, professor universitário de Economia Política, muito conhecido por suas participações em programas de rádio e televisão, especialmente nas épocas eleitorais, por ser um dos maiores especialistas em pesquisas.

Aliás o nome dele já está na História Política do Brasil, por sua participação em importantes episódios, especialmente na eleição de 1982, quando Leonel Brizola disputou para governador do Rio de Janeiro.

Com sua expertise em pesquisas e apuração de votos, foi Pedro do Coutto que denunciou na Rádio Jornal do Brasil a fraude na consultoria Proconsult, armada para tirar a vitória de Brizola e que virou uma escândalo internacional.

TOCA O TELEFONE – Nesta terça-feira, dia 6, Pedro do Coutto ligou para dizer que está pensando em contratar um digitador para voltar a escrever. Dei a maior força, é claro, e perguntei quais assuntos ele gostaria de abordar, se pudesse escrever hoje.

“Os principais assuntos, a meu ver. são a falsa reforma econômica de Guedes e a eleição nos Estados Unidos”, respondeu, acrescentando:

“A reforma de Guedes é fake, porque esquece a importância do consumo. Não existe recuperação da economia se o consumo não aumentar. Qualquer reforma precisa partir desse princípio, se quiser ser bem sucedida”, assinalou.

TRUMP COM PROBLEMAS – “Quanto à eleição americana, a coisa está feia para Donald Trump. Quando o governante tenta reeleição – não importa se presidente, governador ou prefeito –, precisa largar na frente nas primeiras pesquisas, e isso não aconteceu com Trump. E agora sua contaminação com a covid-19 tornou-se uma arma contra sua campanha, por ter ridicularizado a pandemia, que já matou mais de 211 mil pessoas nos Estados Unidos. É claro que isso vai influir na eleição”, disse Coutto, ressalvando:

“É preciso lembrar também que o candidato democrata Joe Biden é muito fraco, caso contrário já teria engolido Trump, que ainda tem possibilidades de se reerguer”, concluiu.      

Existe possibilidade de o Senado recusar a indicação de Kassio Marques para o Supremo?

Bolsonaro veta projeto que concede incentivos ao cinema brasileiro | Exame

Bolsonaro não esperava encontrar tamanha resistência

Carlos Newton

Esse pacto sinistro entre os três poderes da União é uma manobra indecente, que deveria ser proibida a menores. Significa um acordo de cúpulas apodrecidas e que têm contas a pagar junto à Justiça. Exatamente por isso, o objetivo principal é liquidar a Operação Lava Jato, para repetir o que aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas e criou o deplorável premier Silvio Berlusconi.

Sabe-se que nem todos os ministros do Supremo estão envolvidos nessa negociação suja, assim como há muitos parlamentares e ministros do governo que estão fora desse acordo, porque são pessoas de bem e de moral inatingível.

AINDA HÁ ESPERANÇAS – No jornalismo, uma das primeiras lições que se aprende é que jamais devemos generalizar. Ou seja, não se pode considerar o todo pela parte. Portanto, a existência de cidadãos de bem na Esplanada dos Ministérios, assim como no Planalto, no Supremo e no Congresso, é uma circunstância que nos traz esperanças.

Não quero parecer ingênuo, nesses 54 anos de jornalismo político. Mas posso dizer, sem medo de errar, que não passou nem passa pela cabeça do presidente a possibilidade de ter cometido um pecado capital ao quebrar a promessa de indicar um jurista “terrivelmente evangélico”, que há aos montes neste país de tanta religiosidade.

PECADO MORTAL – Poderia ter sido Ives Gandra Martins Filho, por exemplo, mas Bolsonaro preferiu Kassio Nunes Marques, e isso é uma afronta às Leis de Deus, porque o objetivo é garantir o quórum no Supremo para destruir a Lava Jato, que tanto ajudou o candidato Bolsonaro a se eleger.

Agora, quase dois anos após vencer a eleição, Bolsonaro quer liquidar quem conduz o bom combate do apóstolo Paulo. E o objetivo do presidente é ter apoio do lado podre do Congresso e do Supremo.

“ENVIADO DE DEUS” – Terrivelmente vaidoso e delirante, Bolsonaro já declarou várias vezes que se considera um “enviado de Deus”. Outros pecados – mortais ou veniais, não importa – o presidente comete no dia a dia, ao deixar de usar máscara, defender o uso de um remédio com muitas contraindicações ou faltar com a verdade.

No entanto, como Deus escreve certo por linhas tortas, quem sabe ocorre um milagre e o Senado recusa a indicação de Kassio Marques para o Supremo?

São necessários 41 votos para obrigar Bolsonaro a indicar um jurista de verdade. É difícil, mas não é impossível, na graça de Deus.

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P.S. –
Nos meus cálculos, já existem, pelo menos, 30 senadores contra a indicação de Kassio Marques. Ficam faltando apenas 10 votos entre os demais 51 membros do Senado. Se tiverem uma crise de bom senso, esses 10 senadores poderão evitar que um novo Dias Toffoli envergue o manto sagrado da Suprema Corte. E ao impedir que isso ocorra, esses 41 senadores estarão a um passo do paraíso aqui na Terra. (C.N.)

Em tradução simultânea, juíza não reconheceu a “legalidade” das palestras de Lula

E Viva a Farofa!: A frente socialista dos palestrantes milionários. | Homens, Imagens de humor, Tirinhas

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton     

Conforme temos assinalado aqui na “Tribuna da Internet”, na política as aparências realmente enganam e muitas notícias necessitam de tradução simultânea, para que se entenda o que realmente aconteceu. É o caso, por exemplo, da recente decisão da juíza Gabriela Hardt no processo sobre denúncia de corrupção atingindo o ex-presidente Lula da Silva no caso da negociação que a empresa Odebrecht fez em São Paulo, para comprar um terreno destinado a instalar uma nova sede, mais ampla e com estacionamento, para o Instituto Lula.

A imprensa inteira – jornais, revistas, rádios, televisões, sites e blogs – deu a versão de que a juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, ”reconheceu a legalidade das palestras de Lula”. Mas não foi bem assim.

DISSE O CONJUR – A melhor cobertura foi do site Conjur (Consultor Jurídico”). Por ser especializado em notícias ligadas à Justiça, publicou a notícia com mais precisão, enquanto a mídia inteira dava a entender que a juíza Gabriela Hardt, cinco anos depois da abertura do processo, estaria reconhecendo um erro cometido pelo então juiz Sérgio Moro.

Mas foi isso que aconteceu. O juiz Moro agiu acertadamente ao aceitar a denúncia do Ministério Público Federal, que incluía também a simulação de palestras que jamais tinham sido proferidas por Lula, mas foram pagas ao Instituto Lula por uma série de empresas e instituições.

O que realmente ocorreu, em tradução simultânea, foi que a denúncia contra Lula se baseava na delação do empresário Marcelo Odebrecht e de executivos. E a legislação determina que não haja condenação quando as acusações não forem confirmadas por outras provas.

 NÃO HAVIA PROVAS – As investigações mostraram uma dupla ausência de provas sobre as palestras. Embora o Instituto Lula mantenha sob contrato um personal fotógrafo e cineasta, chamado Ricardo Stuckert, que documenta todas as atividades do ex-presidente, não existem fotos nem filmagens da maioria dessas palestras, seja no Instituto ou nas empresas que as supostamente “patrocinaram”.

Ficou patente que Lula não tinha como comprovar que realmente esses eventos foram realizados. Em compensação, a força-tarefa da Lava Jato também não conseguiu provas materiais de que Lula não teria proferido as palavras.

Na forma da lei, diante da ausência de provas, a juíza Gabriela Hardt então mandou arquivar essa parte da denúncia, mas continua tocando o processo sobre corrupção no caso da nova sede do Instituto Lula, que só não foi em frente porque dona Marisa Letícia não gostou do local.   

MILHÕES NO BOLSO –  Ao proferir a decisão, a magistrada também liberou alguns milhões de reais que estavam bloqueados, para Lula torrar à vontade, embora não tenha a menor necessidade.

Além das mordomias ex-presidenciais, com dois automóveis de luxo, combustível, motoristas, assessores e seguranças, Lula é funcionário do PT, com carteira assinada, salário de R$ 20,4 mil, para não fazer nada, e ainda tem uma pensão de cerca de R$ 7 mil,  como anistiado político, apesar de não ter sido perseguido no regime militar. Aliás, muito pelo contrário, era um verdadeiro filhote da ditadura, conforme Antonio Santos Aquino tem relatado aqui na TI.

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P.S.-
A verdade sobre o surgimento de Lula como instrumento da ditadura para neutralizar Leonel Brizola está registrada em importante livros, escritos por Tuma Jr. Mário Garnero, José Nêumane, Paulo Patarra e outros, com acusações gravíssimas, sem que o ex-presidente jamais tivesse desmentido essas informações nem tentado processar os autores. (C.N.)  

Uma dúvida eleitoral é saber se vale a pena demonizar a mídia, como Trump e Bolsonaro fazem

Ilustração do site O Cafezinho

Carlos Newton   

Em sua genialidade, Millôr Fernandes definiu o papel da mídia com propriedade, ao dizer que “imprensa é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Antes dele, o escritor britânico  George Orwell já havia feito uma declaração no mesmo sentido: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”.

Na verdade, não se pode dividir a mídia em fatias, classificando uma parte como oposição; outra como situação; e uma terceira como neutra. Não é tão simples assim.

INTERESSE PÚBLICO – A principal função da mídia, ao informar, é defender o interesse público, como se o jornalista fosse o clínico-geral da sociedade, que cuidaria do atendimento ao bem comum, fiscalizando a atuação das autoridades.

Portanto, o funcionamento da imprensa é completamente diferente do que acontece nas redes sociais, onde os internautas se dividem nitidamente em facções, o interesse público está longe de guiar as ações.

O estilo de Jair Bolsonaro, de fazer várias declarações por dia, obriga a mídia a mantê-lo sempre em evidência, levando o debate político do país a ficar limitado entre os que atuam a favor do presidente e os que estão contra seu governo.

DESPREZO À MÍDIA – Bolsonaro despreza a grande imprensa e acredita mais no poder da internet. Cultiva teorias conspiratórias e culpa a imprensa por todos os males do mundo, um erro que seu ídolo Donald Trump também comete.

Mas ninguém verdadeiramente sabe se essa estratégia de demonizar a mídia vai dar bons resultados. Bolsonaro cortou as verbas publicitárias e as transferiu para blogs e sites amestrados, que vivem em função do retorno financeiro que recebem ao apoiar incondicionalmente o atual – aliás esses “jornalistas” apoiam qualquer governo, porque o importante é o faturamento.

ROBOS HUMANOIDES – Essa polarização entre os que estão a favor e contra Bolsonaro se reflete aqui na Tribuna da Internet e nos demais espaços independentes, que são raríssimos.

Aqui na TI o predomínio é das tropas de Bolsonaro e de Lula da Silva, que fazem questão de interferir em todas as opiniões, chega a ser ridículo. Esses replicantes androides se perdem ao tentar interagir com os comentaristas habituais do blog, que são pessoas de alto gabarito e vasta cultura, procuram raciocinar sobre os fatos e não se deixam levar por enganações.

É claro que sempre há algum comentarista que perde a cabeça diante da intolerância dos robôs, isso faz parte. Mas é preciso que tenham paciência com os robôs. Como diz a Bíblia, é melhor perdoá-los, porque eles não sabem o que fazem.

BALANÇO DE SETEMBRO – Como sempre fazemos, vamos divulgar agora o balanço das contribuições de setembro, agradecendo muitíssimo esse apoio, que nos possibilita manter esse espaço livre na web.

De início, as contribuições na Caixa Econômica Federal:

DIA     REGISTRO   OPERAÇÃO      VALOR
09      400036        DOC ELET………..31,00

11       111202          DP DIN LOT…,…230,00
16       160937         DP DIN LOT……..20,00
18       181431          DP DIN LOT……100,00
22       221010        CRED TEV……….100,00

Agora, as contribuições na conta do Itaú/Unibanco

01     TBI 0406.49194.4…………………100,00
01     TED O33.359 ROBERSNA…….200,00
08     TBI 2971.21174-9………….;………100,00
15      TED 001.4416 MARIOACRO…250,00
30     TBI  046.49194.4………………..100,00

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P.S. –
Agradecendo muito a quem conseguiu nos apoiar nessa utopia de manter um blog independente, 365 dias ao anos, vamos em frente, sempre juntos. (C.N.)  

Se Trump e Bolsonaro percebessem que tudo é passageiro, cuidariam melhor das biografias

Gilmar Fraga: seja bem-vindo! | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo Google)

Carlos Newton 

Desde a década de 70, venho defendendo a tese de que as ideologias não interessam mais, porque o avanço do comunismo obrigou o capitalismo a se reciclar, passando a admitir importantes conquistas sociais que beneficiaram as classes trabalhadoras. Essa renovação propiciou o surgimento de uma terceira via, o socialismo democrático, que demonstrou ser altamente viável e vem sendo praticado nos países nórdicos, justamente os mais desenvolvidos do mundo.

E não foi por mera coincidência que conseguiram espantosos avanços em termos de qualidade de vida e segurança pública, porque a solução é simples – quando se combate a desigualdade social, consequentemente se reduz também a criminalidade, a ponto de haver países onde não há mais penitenciárias e as cadeias não tem grades, como a Noruega.

AS DUAS AMEAÇAS – Apesar da mediocridade e da selvageria que ainda se constatam na maior parte do mundo de hoje, há razões para sermos otimistas. As duas ameaças existentes são as extremas direita e esquerda, porque são sinônimos de ditadura, não sabem conviver com ambiente democrático.

Assim como todos os caminhos antigamente levavam ao Império Romano, hoje eles nos conduzem à democracia, não há como imaginar ditaduras no futuro próximo, porque a evolução da humanidade é algo inexorável, incontestável e inevitável. Ao contrário do que imaginou em 1963 o genial escritor francês Pierre Boulle, não voltaremos a ser um planeta dos macacos.

Apesar de todas as adversidades com a existência de líderes políticos que parecem estar levando a humanidade a um retrocesso abissal, trata-se de uma fase momentânea, porque o mundo avança em ondas, como o mar.   

TUDO É PASSAGEIRO – Nesse permanente vaivém, líderes como Donald Trump, Xi Jinping, Rodrigo Duterte, Hugo Chávez, Fidel Castro e Jair Bolsonaro são figuras pouco memoráveis, representarão apenas um átimo na história de seus países.

Basta conferir o que está acontecendo na eleição norte-americana, que é um verdadeiro caos. A lógica nos indicaria que o megainvestidor George Soros estaria apoiando Trump e o mercado, pois foi ele um dos principais incentivadores e financiadores do colapso do comunismo na Europa Oriental no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, 

Mas o investidor Soros não apoia Trump em hipótese alguma e se tornou um dos maiores críticos da política conservadora que entrou na moda.

TRUMP É ABERRAÇÃO – Soros chegou a dar uma explosiva entrevista ao The New York Times, na qual classificou Donald Trump como “uma aberração”. Declarou também que a atual escalada de ascensão da direita pelo mundo é apenas coincidência e será derrotada em breve.

Por fim, Soros anunciou que está engajado em derrotar o conservadorismo ao redor do mundo e não tem poupado esforços com esse objetivo.

Embora poucos percebam, George Soros tornou-se  o maior exemplo de um novo capitalismo, que demonstra maior preocupação com a desigualdade social.

INVESTINDO NO SOCIAL – Por intermédio de suas fundações, entre 1979 e 2011 ele doou mais de 11 bilhões de dólares para causas filantrópicas. Outros 12 bilhões de dólares foram destinados a iniciativas para reduzir a pobreza, aumentar a transparência dos governos e financiar bolsas de estudo e universidades de diversos países.

Em consequência, há décadas o financista sofre permanente campanha de difamação que o apresenta como uma das personalidade mais negativas da humanidade. Em tradução simultânea, George Soros é uma das maiores vítimas de fake news em todos os tempos.

No entanto, com o poder que os bilhões de dólares lhe proporcionam, Soros não liga para o que dizem a seu respeito. Simplesmente segue em frente e tenta conserta o mundo, à sua maneira.

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P.S. 1 Com mestrado em Filosofia, Soros atribui sua fortuna à um importante estudo que fez, ao adaptar para o mercado de capitais a Teoria Geral da Reflexividade de Karl Popper, para ter uma melhor noção das bolhas de ativos no mercado dos valores mobiliários.

P.S. 2 –Por fim, um dos maiores mistérios da atualidade é o testamento de George Soros. Aos 90 anos, está casado pela terceira vez e tem cinco filhos. Se doou tantos bilhões em vida, deve ter guardado muitos outros para doar depois de morto. (C.N.)  

Arquivamento da investigação sobre a ligação da família Bolsonaro com as fake news não adiantou nada

TSE presta homenagem ao vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros — Tribunal Superior Eleitoral

Procurador diz que os assessores da família agiram sozinhos…

Carlos Newton

Parece Piada do Ano, mas a coisa é séria. Reportagem de Márcio Falcão e Fernanda Vivas, no G1, mostra que a Procuradoria-Geral da República mandou arquivar uma apuração preliminar da maior importância e gravidade, que relaciona ao esquema de criação de fake news em redes sociais ao presidente Jair Bolsonaro e dois de seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Em obediência ao rito processual nesse tipo de representação ao Supremo, uma notícia-crime, feita pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), o relator Alexandre de Moraes pediu que a Procuradoria se manifestasse sobre a investigação preliminar, que chegara a espantosas conclusões.

ACUSAÇÕES MUITO FORTES – Ao representar ao Supremo, a parlamentar afirmou haver fortes indícios de inúmeras ações delitivas supostamente cometidas pela família Bolsonaro e aliados, utilizando-se da rede mundial de computadores para a prática de crimes como calúnia, difamação e injúria, assim como ameaças contra o Supremo Tribunal Federal e seus ministros, além de agressões ao Poder Legislativo da União e aos presidentes da Câmara [Rodrigo Maia] e do Senado [Davi Alcolumbre]”.

Ao cobrar providências, a parlamentar pediu também que a notícia-crime fosse incluída no inquérito das fake news, que desde o ano passado investiga a disseminação de notícias falsas e ataques a ministros do Supremo.

AUTORES ESTÃO IDENTIFICADOS – Apesar de os responsáveis pelas fake news terem tentando ocultar suas verdadeiras identidades, as investigações levadas a efeito pelo Facebook (que inclui o Instragan) encontraram não somente ligações de pessoas associadas ao PSL, mas também a participação direta de funcionários dos gabinetes de Eduardo Bolsonaro na Câmara e de seu irmão Flávio no Senado, além de assessores funcionais de Anderson Moraes e Alana Passos, ambos deputados estaduais pelo PSL no Rio de Janeiro.

O mais importante e estarrecedor foi que a investigação identificou também no Facebook a atuação direta do perfil “Bolsonaro News”, registrado no nome de Tercio Arnaud Tomaz, especialista em informática e considerado o líder do “Gabinete do Ódio”.

Ex-assessor de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, Tomaz trabalhou na campanha de Bolsonaro e se tornou assessor especial da Presidência da República, com gabinete no Planalto, salário de R$ 14 mil por mês e apartamento funcional.

PROCURADOR NÃO VIU NADA – Apesar dessas ligações diretas da família Bolsonaro com a criação de fake news, o vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros, em parecer ao Supremo, afirmou não haver elementos que justifiquem o prosseguimento da investigação contra Bolsonaro e seus filhos por estes fatos.

Com essa decisão, a notícia-crime da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) foi arquivada. Mas a família Bolsonaro ainda não escapou ilesa, porque o relator Alexandre de Moraes conhece em profundidade essa investigação, pois o Facebook e o Instagram já removeram 73 contas, 14 páginas e um grupo, todos ligados ao PSL e a gabinetes da família Bolsonaro.

Empresa responsável pelas duas redes sociais, o Facebook, afirmou ter identificado perfis falsos e com “comportamento inautêntico” — quando um grupo de páginas e pessoas atuam em conjunto para enganar outros usuários sobre quem são e o que estão fazendo. Mas o vice-procurador-geral não viu nada, não soube de nada…

DECISÃO TAMBÉM É FAKE – Embora muito bem-intencionada, digamos assim, a decisão do vice-procurador-geral Humberto Jacques de Medeiros também foi fake, porque a principal pretensão da deputada acreana acabou atendida, porque no dia 9 de julho o material produzido pelo Facebook, que incrimina a família Bolsonaro, realmente foi juntado ao inquérito que apura ataques ao STF e a disseminação de notícias falsas.

Em tradução simultânea, a Procuradoria-Geral da República pretende que se acredite que as fakes news foram criadas espontaneamente pelos assessores do presidente e de seus três filhos, mas sem o conhecimento deles. Como dizia o saudoso jornalista Carlos Chagas, é mais uma estória da série “Me engana que eu gosto”.

É claro que o relator Alexandre de Moraes não vai cair nessa esparrela. Assim, o destino político da família Bolsonaro continua nas mãos dele.

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P.S.
O vice-procurador-geral deveria ter pensado três vezes antes de assinar esse parecer teratológico, como se diz no linguajar jurídico. Deveria ter mais cuidado com a biografia. Mas quem se interessa? (C.N.)

Atenção, robozada! Acabamos de penalizar o robô “Al” por ofender o editor e comentaristas

Robô do Bolsonaro / noticia e respostas da Internet #1 - YouTubeCarlos Newton

Os robôs em geral, sejam humanoides, replicantes, androides e até mecânicos de antigas gerações  todos estão cansados de saber que podem circular livremente na Tribuna da Internet, pois já estamos acostumados com a presença deles. Mas devem respeitar os comentaristas e articulistas, sem ofensas, perseguições e demonstrações de menosprezo à opinião alheia.

Geralmente, as coisa correm bem, mas os robôs são como qualquer eletrodoméstico – de vez em quando dão defeitos, não fazem o serviço e alguns até saem completamente de órbita.

MÁQUINAS COM DEFEITO – Aqui na TI a gente nem esquenta, todos aqui sabem que os robôs necessitam de manutenção periódica, trocar o óleo, apertar parafusos, revisar as correias, sem falar da lubrificação geral, que os deixa inteiramente lambuzados.

Os editores da TI, em parceria com os especialistas do grupo UOL, têm condições de identificar os robôs humanoides, e isso os leva à loucura, porque são pagos para se manterem incógnitos ao tentar interferir nas opiniões dos outros.

Nesta segunda-feira, para começar bem a semana, fizemos uma análise da atuação do robô “Al”, que foi criado com base no computador do filme “2001, uma odisseia no espaço”, que se chamava “Hal” e era muito folgado. E o resultado foi altamente negativo, pois o robô bolsonarista está fora de validade.

PORTA DA RUA – Assim, estamos apresentando ao “Al” a porta da rua, que é serventia da casa, para que ele vá poluir outros ambientes. O fato concreto é que esse robô “Al” está fora de fase, dá faniquitos e fricotes, ninguém aguenta tanta baboseira.

Espera-se que os administradores do Gabinete do Ódio mandem imediatamente o velho androide para a oficina, para ver se conseguem dar um jeito nele, antes que vire sucata em definitivo ou acabe em algum ferro-velho.

Quanto aos demais robôs, cuidado com o que dizem. Aliás, essa caça aos replicantes e humanoides está se tornando o esporte preferido do editor-chefe da TI, que tem se divertido bastante com esse novo hobby, nesses tempos solitários de home office, como dizem os anglófilos.

Bolsonaro dá o exemplo, as pessoas começam a abandonar o uso de máscaras e a covid se fortalece

Sem máscara de proteção: Ibaneis vai multar Bolsonaro? - Poder no quadrado

Jair Bolsonaro sai do palácio com a filha. sem usar máscara

Carlos Newton

Em todo o país, a Justiça Eleitoral recomenda que os candidatos façam campanha sem promover aglomerações e existe uma preocupação muito grande com o processo de votação, que costuma causar longas filas e concentração de pessoas em ambientes fechados, como escolas e outros locais onde são instaladas as urnas.

Essas recomendações são superválidas, porque só existe uma maneira de dominar a covid-19, que é mantendo o isolamento, evitando o máximo de contato entre as pessoas, seguindo os hábitos de higiene e usando permanentemente a máscara.

REGRAS UNIVERSAIS – As regras para controle da pandemia são universais, precisam ser seguidas em todos os países. Mas aqui no Brasil, temos um presidente da República que simplesmente não aceita essas normas e até desdenha delas sempre que há oportunidade.

Desde o início, Bolsonaro incentivou que se formassem aglomerações em torno de si, fazendo questão de não usar a máscara e cumprimentando as pessoas como se não existisse pandemia. Ou seja, não dá a menor importância à necessidade de uso da máscara, comprovadamente capaz de reduzir a contaminação e salvar vidas.

Na semana passada, Bolsonaro passou todos os limites, ao ironizar as autoridades dos três poderes que recentemente se contaminaram.

DISSE O PRESIDENTE – Nessa quinta-feira, dia 24, declarou o presidente da República: “Fico vendo Brasília. A alta cúpula do poder em Brasília, alguns do Executivo, do Judiciário bastante, do Legislativo também. Máscaras 24 horas. Dormiam com máscaras, cumprimentam assim” — disse, simulando um toque com o cotovelo. E prosseguiu:

“Pegaram o vírus agora, não adianta. O que eu ficava falando lá atrás: toma cuidado quem tem comorbidades, esperando vacina, um remédio comprovado cientificamente, mas não adianta, vai acabar pegando. E ficando em casa, não resolve nada. Um dia vai ter que sair da toca, sair de casa e vai acabar pegando o vírus”.

BOLSONARO VENCEU – Foram meses e meses de insistência titânica, mas agora podemos reconhecer que o presidente venceu mais essa batalha.

Neste sábado, eu saí às ruas com minha mulher, para encher o tanque do carro, fazer compras no supermercado. na farmácia e na padaria. Ficamos impressionados. Em nossos cálculos, entre 30% e 40% das pessoas nas ruas já não usam máscaras ou ficam com o nariz a descoberto.  E os bares cheios, em clima de confraternização. Mas o pior foi notar que não somente as pessoas entravam nas lojas sem máscaras, mas em alguns estabelecimentos eram atendidas por vendedores que também não as usavam.

Bolsonaro venceu. Seu exemplo deu frutos. O Rio de Janeiro, Manaus e outras cidades brasileiras já estão enfrentando nova onda de contaminações, enquanto a China, apesar de já ter controlado a situação há dois meses, continua determinando que as regras sejam seguidas, e lá ninguém deixa de usar máscara.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNa França, na Inglaterra e em outros países que relaxaram as normas, a covid-19 não dá trégua, mas na Itália, que mantém o rigor preventivo, o número de contaminações tende a diminuir. Enquanto isso, aqui na Terra de Santa Cruz, la nave va, cada vez mais fellinianamente, em direção ao iceberg da pandemia. (C.N.)  

Comparado ao Judiciário, o governo de Bolsonaro parece ser muito menos danoso ao país

A pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.... Frase de Rui Ba… | Rui barbosa frases, Frases em portugues, Citações sábiasCarlos Newton

Ruy Barbosa tinha razão. Muitas vezes, o cidadão de bem tem motivos para se envergonhar de ser honesto. As leis existem para harmonizar a sociedade, impedir a exploração do homem pelo homem, proteger as minorias carentes, reduzir as desigualdades sociais, combater a criminalidade etc. Justamente por isso, o Judiciário é o mais importante dos Poderes da República, porque tem o dever se supervisionar os atos do Executivo e do Legislativo, caso sejam ilegais ou inconstitucionais.

Quando o Judiciário funciona a contento, os dois outros poderes são obrigados a obedecer às leis e atender melhor aos cidadãos. Mas não é isso que acontece no Brasil, um país onde a Justiça verdadeiramente envergonha o cidadão-contribuinte-eleitor, como diz Helio Fernandes.

UM PROJETO INDIGNO – Reportagem de William Castanho e Fábio Pupo, na Folha desta sexta-feira, dia 25, mostra que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não se movimenta para exigir o fim da impunidade dos crimes ligados a enriquecimento ilícito, através da volta da prisão após segunda instância, nem toma a iniciativa de recomendar o fim do foro privilegiado.

Em compensação, o CNJ tem a desfaçatez de enviar ao Congresso um projeto para o Judiciário ultrapassar o teto de gastos da União. A proposta determina que receitas das chamadas custas processuais (cobradas no início da ação ou nos recursos) sejam usadas pela Justiça acima do limite estabelecido pela “regra de ouro”.

Previsto na Constituição desde 2016, o teto de gastos impede o crescimento real das despesas de todos os Poderes, para evitar o desequilíbrio nas contas públicas.

DE OLHO EM R$ 600 MILHÕES – O CNJ está de olho na arrecadação da Justiça Federal e da Justiça Trabalhista, que recolheram quase ​R$ 600 milhões em custas (em valores de 2018).

Com esses recursos, o Judiciário pretende bancar novas benesses aos magistrados, como o pagamento de um terço de férias a juízes e desembargadores federais de todo o país. Esses magistrados já têm direito a 60 dias de férias por ano e agora podem “vender” 20 dias.

A proposta é indigna, porque não leva em conta a realidade judiciária do país. Já faz tempo que magistrado trabalha no dia que bem entende. A sexta-feira é considerada “day off”, os juízes não trabalham e os serventuários se revezam nos cartórios. O movimento nos tribunais é mínimo.

DIVERSOS PENDURICALHOS – Além dos elevados salários, os magistrados ganham diversos adicionais, conhecidos como penduricalhos, como auxílio-moradia, educação, creche e alimentação, embora raramente cheguem antes do almoço.

Têm direito também a um adicional de um terço do salário quando “cobrem” as férias de outros juízes, sem praticamente nada fazer, despachando apenas os processos urgentes, embora na Justiça brasileira não exista urgência para nada, porque juiz raramente cumpre prazo processual.

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P.S
. – A proposta indecente do Conselho Nacional de Justiça foi apresentada dia 9 por Dias Toffoli, então presidente do CNJ, na véspera de deixar o cargo. Também assinaram os ministros Villas Bôas Cueva e Humberto Martins, ambos do Superior Tribunal de Justiça. O projeto foi recebido com surpresa pela equipe econômica e considerado claramente inconstitucional, por criar uma excepcionalidade à Constituição via projeto de lei. Quer dizer, os economistas perceberam a evidente inconstitucionalidade que os ministros de tribunais superiores não conseguiram vislumbrar, com a vista turvada pelo vil metal. Mas quem se interessa? (C.N)

Maior erro de Bolsonaro foi desprezar o exemplo de Trump, que mantém os três filhos sob controle

Charge – Angelo Rigon

Charge do Aroeira (Jornal O Dia/RJ)

Carlos Newton

Existem muitas semelhanças entre Donald Trump e seu discípulo Jair Bolsonaro, mas há também enormes diferenças. O dois governantes, por exemplo, se elegeram com uso radical das potencialidades das novas tecnologias, incluindo fake news e campanhas de assassinato de reputações, que são modernas ferramentas eleitorais também utilizadas por candidatos adversários, mas sem a mesma competência e intensidade. É uma similitude, não há dúvida.

Além disso, ambos têm vários casamentos e cinco filhos – Trump, com três filhos e duas filhas, e Bolsonaro, quatro filhos e uma filha. Nesse particular, parecer haver semelhanças, mas as diferenças são abissais.

FILHOS DE TRUMP – Enquanto Bolsonaro deixa os três filhos mais velhos se meterem em tudo, inclusive com atuação marcante dentro do tacitamente a Secretaria de Comunicação Social e também o chamado Gabineie do Ódio, o que é fato público e notório, embora ele negue e diga que está sempre apenas de passagem pelo palácio.

Nos Estados Unidos, Trump faz exatamente o contrário. Não permite que Donald Jr. Barron e Eric se envolvam em assuntos ligados ao governo, e essa diferença é realmente fundamental e decisiva.  

Se Bolsonaro tivesse estabelecido limites entre o governo e a família, sua situação seria muito melhor, porque não teria acumulado tantos pontos de atrito e perdido o apoio de importantes parlamentares que ajudou a eleger.

A BOA BRIGA – Nos Estados Unidos há uma série na TV em que a ficção é baseada na realidade, na qual Donald Trump é retratado impiedosamente. Chama-se “The Good Fight” (A Boa Briga), produzida pelo genial cineasta Ridley Scott.   

A série mostra os esforços dos democratas para conseguir uma justificativa sólida para pedir o impeachment do presidente americano, cujo mandato está terminando sem que se consiga afastá-lo por comportamento indevido.

Aqui no Brasil, a Polícia Federal está investigando o presidente em dois inquéritos do Supremo que podem levar ao impeachment. Um deles reúne provas contra o governo na produção e financiamento de atos antidemocráticos, com atuação marcante dos filhos de Bolsonaro, especialmente Carlos, o Zero Dois, que fez o pai contratar e posicionar no Palácio do Planalto um assessor especializado em fake news.

O CASO MORO – O outro inquérito apura a iniciativa de Bolsonaro, ao interferir na Polícia Federal, indicando até superintendentes regionais que possam ajudá-lo a proteger a família (leia-se: seus filhos) e os amigos, conforme o próprio presidente admitiu na reunião ministerial de 22 de abril.

No início do governo, os principais analistas políticos do país previram que os maiores inimigos do governo seriam os filhos de Bolsonaro, caso ele não os colocasse em seus devidos lugares, junto com o guru virginiano Olavo de Carvalho.

No entanto, Bolsonaro insistiu em transformar os filhos em “príncipes-regentes”, esquecido de que estamos numa democracia, que ainda é muito imperfeita, mas funciona a seu jeito.

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P.S.
Constata-se, assim, que Bolsonaro brigou com Sérgio Moro inutilmente. Não adianta tentar manter sob controle a Polícia Federal. Se o presidente tivesse mais juízo, saberia que “isso non ecziste”, como diria o saudoso Padre Quevedo. Mas sonhar ainda não é proibido…  (C.N.)