Bolsonaro teme ser investigado pelas rachadinhas em seus 28 anos na Câmara

Em vídeo, Wal do Açaí, ex "funcionária fantasma" de Bolsonaro ...

Wal do Açaí tornou-se recordista em contratações no gabinete

Leandro Colon
Folha

Desde a prisão de Fabrício Queiroz, Jair Bolsonaro baixou a guarda, moderou sua verborragia, e, num sinal de inflexão, buscou reduzir a tensão com os demais Poderes. Segundo as investigações do Ministério Público do Rio, Queiroz era o homem chave do esquema das “rachadinhas” do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia.

Descobriu-se um cheque de R$ 24 mil de Queiroz à primeira-dama, Michelle, e Bolsonaro, em sua defesa, diz que o dinheiro é parte de um empréstimo de R$ 40 mil que fez ao ex-assessor do filho.

LIGAÇÕES COM QUEIROZ – O presidente nunca explicou direito essa tal dívida nem as razões que levaram Michelle a receber o cheque. Queiroz conhece Bolsonaro desde 1984. O PM aposentado seria muito mais ligado a ele do que ao filho Flávio.

A história mal contada sobre o cheque abre brechas para interpretação de que o presidente também se beneficiou das rachadinhas, prática nefasta de desvio de parte dos salários dos gabinetes.

Um trabalho de reportagem exaustivo publicado pela Folha neste domingo (dia 6) indica que essa maracutaia com verba pública passou de pai para filho.

VAIVÉM FRENÉTICO – Os repórteres Ranier Bragon e Camila Mattoso analisaram nos últimos meses os boletins de movimentação de 28 anos do gabinete de Bolsonaro nos tempos de deputado.Eles descobriram ao menos 350 trocas de contratados em um vaivém frenético e desarrazoado.

Do dia para a noite, salários de servidores eram dobrados e quadruplicados. Em seguida, reduzidos a menos da metade.

WAL DO AÇAÍ – Um dos personagens é filha de Queiroz. ​O recorde de movimentações, com 26 vaivéns, é de Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, funcionária fantasma que veio à tona pela Folha na campanha de 2018.

A guinada de tom dada por Bolsonaro após a prisão de Queiroz é um movimento político de proteção ao filho. E as informações reveladas sobre seu gabinete na Câmara são um indicativo de que a sujeira pode ser muito maior.

Com sintomas de Covid-19, Bolsonaro abraçou ministros e não usou máscara em evento no fim de semana

Bolsonaro, filho e ministros comemoram a independência dos EUA 

Gustavo Maia e Naira Trindade
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro esteve com ministros e outras pessoas em um almoço no sábado, quando distribuiu abraços e não usou máscara de proteção. Nesta segunda-feira, dia 6,o presidente disse em entrevista que está com sintomas de Covid-19 e fez novo teste para a doença. O resultado ainda não estaria pronto.

No sábado, quando se comemorou a independência dos Estados Unidos, Bolsonaro, assessores e ministros foram a um almoço na casa do embaixador americano no Brasil, Todd Chapman. O presidente divulgou em uma rede social foto  do evento.

LADO A LADO – Além de Chapman e Bolsonaro, apareceram na foto lado a lado outras seis pessoas, todas sem máscara: Lorenzo Harris, adido de Defesa dos EUA; general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo; general Fernando Azevedo (Defesa); Todd Chapman, Embaixador dos EUA no Brasil; Ernesto Araújo (Relações Exteriores); general Walter Braga Netto (Casa Civil) e o almirante Flávio Rocha, secretário especial de Assuntos Estratégicos do governo brasileiro.

Antes do almoço, o presidente sobrevoou de helicóptero áreas afetadas por um ciclone em Santa Catarina. Após o voo, o presidente defendeu, em entrevista, o uso da hidroxicloroquina no tratamento do coronavírus. O mandatário disse que a droga era a “única prevenção no momento”, enquanto a vacina não está disponível, e fez um apelo para que os médicos passem a adotar o protocolo do Ministério da Saúde que ampliou a recomendação de medicamentos à base de cloroquina para pacientes em estágios iniciais da doença.

Na última quinta-feira, na live semanal, o presidente tossiu várias vezes. A tosse é um dos sintomas do novo coronavírus. Nesta segunda-feira o presidente não teve agenda pública. Um evento ocorreu no Palácio do Planalto sem a sua presença, o que não é usual. 

CONTATO – O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi Mello do Amaral Júnior, vai fazer nesta terça-feira um exame para saber se contraiu a Covid-19. Ele se reuniu por 30 minutos na tarde desta segunda com o presidente Jair Bolsonaro, que está com suspeita de contaminação.

Além de José Levi, outras oito pessoas aparecem na agenda oficial do presidente desta segunda. O primeiro deles foi presidente do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Marcos Heleno Guerson de Oliveira Junior. Em seguida, ele teve uma audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Às 15h, recebeu Roberto Mira, vice-presidente para assuntos de segurança da NTC&Logística.

DESPACHO – Das 15h30 às 16h, Bolsonaro esteve com os quatro ministros que despacham no Palácio do Planalto: Walter Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional). Destes, apenas Heleno já teve a doença. O último compromisso oficial foi com o secretário especial de Cultura do Ministério do Turismo, Mario Frias.

O Globo apurou que Bolsonaro começou a reclamar de cansaço no sábado à noite após voltar de Santa Catarina. No domingo, o presidente continuou se queixando de mal-estar. No início da noite desta segunda, com 38°C de febre, Bolsonaro procurou a equipe médica do Hospital das Forças Armadas (HFA) e passou por uma ressonância.

MPF apura lavagem de dinheiro de filha de Serra através da transação de obras de Portinari por offshore

Há indícios sobre uso do dinheiro na compra de ações na bolsa

Paulo Roberto Netto e Rayssa Motta
Estadão

O Ministério Público Federal mira suposta compra e venda de quatro obras de Cândido Portinari pela offshore Dortmund, gerida por Verônica Serra, filha do ex-ministro José Serra (PSDB) e alvo de investigações da Lava Jato sobre lavagem de propina. A transferência teria sido feita pela Hexagon, offshore controlada pelo empresário José Amaro Ramos, acusado de usar contas no exterior para fazer repasses ao tucano.

A informação consta em pedido de reconsideração apresentado pela Procuradoria contra decisão do juiz Diego Paes Moreira, 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que autorizou as diligências. De acordo com o MPF, as buscas na casa de Serra poderiam ‘elucidar’ uma transação de 326 mil euros da Hexagon, de José Amaro Ramos, para a Dortmund, de Verônica Serra, para a compra e venda de ‘quatro portinaris’.

LAVAGEM DE DINHEIRO – “Assim, é possível esclarecer na busca se há a existência de lavagem de dinheiro em favor de José Serra por meio de obras de arte, com o respectivo pagamento no exterior, ou se trata-se apenas de uma justificativa formal para a transferência”, afirmou a Lava Jato.

“A presença de obras de arte na residência de José Serra que possam ter sido utilizadas para a lavagem de ativos de origem ilícita não é, portanto, mera suposição, mas sim algo de alta probabilidade e que justifica a medida visada”.

O juiz Diego Paes Moreira aceitou os argumentos do Ministério Público Federal e autorizou as buscas contra Serra, destacando que ‘em algumas oportunidades as operações financeiras suspeitas apresentam como justificativa a suposta negociação de obras de arte’. O magistrado, porém, autorizou somente a busca por registros das transações, negando apreensão de peças artísticas.

APLICAÇÃO NA BOLSA – Ao autorizar as buscas, o juiz também destacou movimentações de contas da Dortmund, gerida por Verônica Serra, a partir do pagamento milionário pelos ‘quatro portinaris’, e apontou ‘indícios’ sobre uso do dinheiro na compra de ações na bolsa.

A transação pelos ‘quatro portinaris’ foi efetuada no dia 31 de março de 2006 – data em que a conta Firenze, da Dortmund, registrou a entrada de 326 mil euros. O valor teria sido dividido no dia 25 de abril: 120 mil euros foram convertidos em 150 mil dólares, aplicados em parte na compra de ações da Heinz e da Leucadia National, conforme extratos bancários apresentados pela Procuradoria.

Os 200 mil euros restantes teriam sido depositados em uma segunda conta da Dortmund, mas retornaram para a conta ‘Firenze’ em 09 de maio de 2006. Desse montante, cerca de 152 mil euros foram usados para quitar o pagamento de 3.760 ações da Inbev SA adquiridas uma semana antes.

AÇÕES – “Há indícios de que parte do dinheiro sob investigação supostamente foi aplicado em ações no período de 2006 a 2014, gerando dividendos”, apontou o juiz Paes Moreira. No mesmo dia que a PF conduzia a diligência, Serra foi denunciado por lavagem de dinheiro no caso de propinas da Odebrecht pagas no exterior em troca de benefícios da obra do Rodoanel Sul.

Segundo a Procuradoria, o tucano utilizou ‘sofisticada rede de offshores’ para dissimular o pagamento das das vantagens indevidas da empreiteira. Em nota, a defesa de Serra manifestou ‘profundo repúdio à busca e apreensão’ realizada na casa do tucano. “Se o Ministério Público entendeu, ainda que de forma equivocada, que havia razões para iniciar um processo, o que justifica, além da intenção de constranger, uma medida invasiva como essa?”, afirmaram os advogados Flávia Rahal e Sepúlveda Pertence, que defendem o ex-ministro.

A defesa do empresário José Amaro Ramos também nega as acusações e afirma que os pagamentos feitos no exterior decorreram de contratos existentes entre a sua empresa e a Odebrecht sediada em Portugal, ‘sem nenhuma ligação com o senador José Serra’.

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COM A PALAVRA, A DEFESA DE VERÔNICA SERRA

A defesa de Verônica Allende Serra informa que continua na expectativa de ter acesso a todos os procedimentos para apresentar a sua defesa. Todavia, diante de especulações quanto ao pretenso envolvimento em venda e compra de valiosas obras de arte, o advogado Antonio Pitombo esclarece que isso jamais ocorreu e se trata de uma inverdade, sem qualquer base fática.

COM A PALAVRA OS ADVOGADOS FLÁVIA RAHAL E SEPÚLVEDA PERTENCE, QUE DEFENDEM SERRA

“A defesa do senador José Serra vem manifestar profundo repúdio à busca e apreensão realizada na manhã desta sexta-feira (3), especialmente por ter sido promovida concomitantemente à apresentação de denúncia pelo Ministério Público Federal, a partir de fatos antiquíssimos, e que vinham sendo apurados pela Justiça Eleitoral. Sobre eles, aliás, José Serra nunca foi ouvido.

Se o Ministério Público entendeu, ainda que de forma equivocada, que havia razões para iniciar um processo, o que justifica, além da intenção de constranger, uma medida invasiva como essa?

Mais do que subverter a competência da Justiça Eleitoral, definida por decisão do Supremo Tribunal Federal, a operação de hoje revela-se não só desnecessária, mas profundamente atentadora do Estado de Direito.

Para agravar a situação, até o presente momento, a Defesa não teve acesso à decisão judicial que determinou a busca em seus endereços. É aviltante, num Estado que se diz democrático, que um Senador da República seja alvo de uma busca e apreensão e não consiga, inobstante pedidos judiciais nesse sentido, cópia das decisões e documentos que embasaram a grave medida contra si deferida.

Confiante no Poder Judiciário, o senador José Serra aguarda com serenidade o reconhecimento de todas as ilegalidades e inverdades das acusações que lhe foram feitas.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA EDUARDO CARNELÓS, DEFENSOR DE JOSÉ AMARO PINTO RAMOS

“A Defesa de José Amaro Pinto Ramos manifesta sua indignação com a violência de que ele foi vítima nesta data, ao ter seu lar submetido a uma devassa, em cumprimento a uma decisão judicial, cujo teor, até às 18h, não é do conhecimento de ninguém, nem mesmo era do próprio Delegado Federal que cumpriu o mandado, conforme ele consignou no Auto respectivo.

Os fatos atribuídos a José Amaro, homem que tem hoje 84 anos de idade, teriam ocorrido em 2006 e 2007, há pelo menos treze anos, portanto. Esse tempo é mais do que suficiente para levar à prescrição de qualquer crime que pudesse ser imputado a Ramos, tanto que ele não foi denunciado. Apesar disso, e de ser sabido que a prescrição leva à extinção da punibilidade, o que impede a prática de qualquer ato de investigação ou de medida constritiva, o abuso foi perpetrado, inclusive com a apreensão de bens. Tudo isso indica que há setores relutantes em aceitar o cumprimento das normas constitucionais e legais, em nome de pretenso combate à corrupção.

José Amaro foi ouvido em inquérito policial que tramitava perante o Supremo Tribunal Federal, e era conduzido por equipe especializada da Polícia Federal em Brasília, quando demonstrou que os pagamentos feitos a empresa sua no exterior decorreram de contratos existentes entre companhia de sua propriedade e empresa da Odebrecht sediada em Portugal, sem nenhuma ligação com o Senador José Serra.

O Supremo Tribunal Federal, acolhendo manifestação da Procuradoria-Geral da República, determinou o envio dos autos à Justiça Eleitoral de São Paulo, depois de reconhecer a prescrição dos eventuais crimes havidos até o ano de 2010 em relação ao Senador, o que foi estendido a Ramos por decisão do Juiz Eleitoral de Pinheiros. O entendimento do STF não deixa margem à dúvida quanto a competir à Justiça Eleitoral o processamento e julgamento de fatos que possam constituir crimes eleitorais, inclusive os conexos a estes, independentemente de outras interpretações.

É necessário que o Poder Judiciário dê um basta a esses abusos, sob pena de vivermos todos em absoluta e total insegurança jurídica.”

COM A PALAVRA, O PSDB

Em sua conta no Twitter, o partido afirmou: “O PSDB acredita no sistema judicial do País e defende as apurações na utilização de recursos públicos, ao mesmo tempo em que confia na história do Senador José Serra e nos devidos esclarecimentos dos fatos”.

Mourão defende diálogo e aliança com Centrão: “Se não houver coalizão o presidente não governa”

Charge do Iotti (gauchazh.clicrbs.com.br)

Victor Farias
O Globo

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira, dia 6, que o governo atual começou com uma “visão idílica” que o deixou “aprisionado” durante o primeiro ano de gestão, ao tentar negociar a aprovação de projetos com bancadas temáticas no Congresso. Segundo Mourão, Bolsonaro “mudou a sua rota” em 2020. Ele defendeu ainda que, “se não houver coalizão, o presidente não governa”.

“O governo começou com uma visão idílica, estou sendo bem sincero, de que por meio das bancadas temáticas nós teríamos um relacionamento eficiente com o Congresso”, afirmou em conversa promovida pelo Credit Suisse, acrescentando: “Quando viramos esse ano, o presidente, que obviamente passou 28 anos dentro da casa, sabe como a coisa funciona, entendeu que tinha que ter uma base mais consistente”, disse.

“TOMA LÁ DÁ CÁ” – Mourão citou as criticas feitas ao governo de que a prática do “toma lá da cá”, condenada pelo presidente Jair Bolsonaro, teriam voltado a Brasília, mas disse que isso faz parte do presidencialismo. Ele também afirmou que, em um Congresso fragmentado como o brasileiro, qualquer presidente que assuma precisará dialogar com os partidos de centro.

“E aí, óbvio, a crÍtica, “não, voltou o toma lá da cá, vai dar cargo, vai dar ministério”… É, o partido que quer estar junto do governo ele quer participar, e a participação se faz dessa forma. Muito se fala da questão presidencialismo de coalizão, o presidencialismo ele só pode ser de coalizão. Pra mim presidencialismo de coalizão é pleonasmo. Se não houver coalizão o presidente não governa”, comentou.

INTERLOCUÇÃO – Segundo o vice-presidente, a relação entre o Executivo e o Legislativo foi reforçada com a chegada do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que antes ocupava cargo de deputado federal pelo PSD do Rio Grande do Norte. Faria tem boa interlocução com o Congresso e com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Eu vejo que nós vamos avançar para ter uma base mais consistente e que irá facilitar a aprovação das reformas”, afirmou. Mourão disse, no entanto, que o governo precisa melhorar a relação com estados. De acordo com eles, é preciso “estender outras pontes” para que o trabalho seja mais integrado, nesse contexto de pandemia do novo coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A atual gestão está imobilizada e rendida. Tanto que Bolsonaro há algumas semanas já baixou o tom. Deixou chegar a tal ponto com tanta trapalhada de seus ministros e filhos, que agora depende mais do que nunca do apoio do Centrão para sobreviver aos próximos meses no Planalto. Para tanto, negocia cargos e usa o dinheiro público. Tenta se apegar à boia que poderá, quem sabe, salvá-lo de um possível impeachment. Além disso, precisará arquitetar como salvará também os três trapalhões do seu clã. Se Bolsonaro pensou que iria brincar de ser presidente com sua arma de dedinhos até o final do mandato, percebeu, tardiamente, que administrar um país é muito mais complicado do que passar mais de duas décadas passivamente ostentando um cargo de deputado, com direito a uma soneca durante as sessões.  (Marcelo Copelli)

Procuradoria pede afastamento de Salles por ‘desestruturação dolosa’ do Meio Ambiente

MPF pede afastamento de Ricardo Salles por improbidade | Poder360

Ricardo Salles é um dos ponto fracos de um governo fraquíssimo

Paulo Roberto Netto
Estadão

O Ministério Público Federal apresentou ação de improbidade administrativa contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por ‘desestruturação dolosa’ e ‘esvaziamento’ de políticas ambientais ‘para favorecer interesses que não têm qualquer relação com a finalidade da pasta’. A Procuradoria pede à Justiça que conceda liminar para afastar o ministro do cargo.

De acordo com doze procuradores que assinam a ação, Salles teriam atuado em série de atos, omissões e discursos que caracterizariam conduta intencional ‘com o objetivo de fragilizar a atuação estatal na proteção do meio ambiente’. A ação foi movida na esteira da declaração do ministro na reunião do dia 22 de abril, tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal.

PASSANDO A BOIADA – Na ocasião, Salles disse que o governo federal deveria aproveitar a ‘oportunidade’ da pandemia do novo coronavírus para ‘ir passando a boiada’ em regulações ambientais. Após a divulgação das imagens, o ministro disse que estava defendendo a flexibilização de normas, dentro da legalidade.

“É possível identificar, nas medidas adotadas, o alinhamento a um conjunto de atos que atendem, sem qualquer justificativa, a uma lógica totalmente contrária ao dever estatal de implementação dos direitos ambientais, o que se faz bastante explícito, por exemplo, na exoneração de servidores logo após uma fiscalização ambiental bem sucedida em um dos pontos críticos do desmatamento na Amazônia Legal”, afirma a Procuradoria.

EXONERAÇÕES – O MPF cita a exoneração de três coordenadores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) um mês depois de ações de fiscalização nas terras indígenas Ituna Itatá, Apyterewa , Trincheira-Bacajá e cachoeira seca, na região de Altamira (PA). Cerca de 100 máquinas e equipamentos utilizados por quadrilhas foram destruídas na ação – número superior ao contabilizado em todo o ano de 2019. A Procuradoria vê que a exoneração teria sido uma ‘evidente retaliação’ do ministro.

A Procuradoria também alega que, sob a gestão de Salles, o Brasil registrou ‘as maiores altas do desmatamento e o menor número de multas por crimes ambientais em 20 anos’. Os procurados dizem que o ministro também reduziu em 25% o orçamento da pasta e paralisou o Fundo Amazônia, que deixou de receber investimentos estrangeiros.

BRASIL VERDE – O Ministério Público Federal também alega que os gastos do governo com a Operação Brasil Verde, derivada do decreto de Garantia de Lei e Ordem (GLO) durante as queimadas na Amazônia do ano passado, custaram em apenas dois meses R$ 14 milhões a mais do que todo o orçamento anual previsto para ações de comando e controle pelo Ibama no ano de 2014.

Segundo os procuradores, ao enxugar o orçamento da pasta e gastar mais com operações das Forças Armadas na Amazônia, Salles ‘não fez economia, e, ao contrário, provocou gastos muito maiores’. “Ressalte-se que tal operação se deu apenas quando a situação das queimadas na região amazônica tomou proporções desmedidas e o fogo ganhou repercussão negativa internacional”, aponta.

A reportagem entrou em contato, por e-mail, com o Ministério do Meio Ambiente e aguarda resposta. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

O desespero do poeta Emílio Moura ao descrever seu mundo imaginário

TRIBUNA DA INTERNET | Um poema mais do que patético, na ...

Emílio Moura era também um excelente retratista

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

O jornalista, professor, artista plástico e poeta mineiro Emílio Guimarães Moura (1902-1971), do grupo modernista da década de 20, revela neste poema uma visão melancólica sobre o “Mundo Imaginário”.

MUNDO IMAGINÁRIO
Emílio Moura

Sob o olhar desta tarde,
quantas horas revivem
e morrem
de uma nova agonia?

Velhas feridas se abrem,
de novo somos julgados,
o que era tudo some-se
e num mundo fechado
outras vigílias doem.

A noite se organiza e,
no entanto, ainda restam
certas luzes ao longe.
Ah, como encher com elas
este ser já não-ser
que se dissolve e deixa
vagos traços na tarde?

Ataques à Lava Jato demonstram que Bolsonaro e Aras são desprovidos de caráter

O presidente esqueceu de combinar comigo', diz Aras sobre ...

Aras dedica-se a defender os interesses pessoais de Bolsonaro

Carlos Newton

Cada um de nós vive de acordo com sua consciência. Todas as pessoas que receberam um nível razoável de educação sabem o que é certo ou errado. Como dizia Leonel Brizola, podem até costear o alambrado em busca de uma passagem para o outro lado, mas sempre saberão se estão no caminho correto e se devem nele permanecer.

NAS MÃOS ERRADAS – Assim, é triste constatar que esse país está sendo governado por autoridades que não conseguem distinguir o que é certo e o que é errado, como acontece com o presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral Augusto Aras.

O chefe do governo foi eleito, entre outras coisas, para enfrentar a corrupção, e escolheu o atual procurador-geral da República para concretizar esse objetivo. Pelo menos, era o que todos esperavam, mas a realidade é muito criativa e nos revela que as coisas não são bem assim.

SÓ HÁ UM CAMINHO – Não é preciso ter alto Q.I. e ser um gênio para constatar que no Brasil só existe um caminho eficaz para combater a corrupção, já mais do que comprovado – fortalecer a Lava Jato, um esquema que reúne o Ministério Público, a Polícia Federal e a Receita, três instituições onde somente se ingressa mediante concurso público, não há indicações políticas.

Mas agora estamos vendo exatamente o contrário. Ao invés de prestigiar a Lava Jato, o governo federal está fazendo o possível e o impossível para desmoralizar seus integrantes, esvaziar seus quadros e destruir esse eficiente esquema para reduzir a criminalidade.

E o mais impressionante é que o governo esteja atingindo seus objetivos, pois quatro dos procuradores da Lava Jato já decidiram se afastar da força-tarefa de Curitiba.

TODOS SÃO CULPADOS – Estamos aqui culpando o governo federal, ao invés de mencionar apenas os dois principais agentes (o presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral Augusto Aras), porque essa responsabilidade é comum a outras autoridades.

No Código Penal, omissão é tipificada como crime. Portanto, os generais integrantes do núcleo duro do Planalto e o ministro da Justiça, que é civil e servil, essas importantes autoridades estão se omitindo em relação ao processo de destruição da Lava Jato, que transcorre em sua presença e sem reação – ou seja, temos o direito de concluir que Bolsonaro e Aras contam com apoio e cumplicidade desses importantes ministros.

Afinal, porque demolir a Lava Jato? Para proteger os filhos do presidente da República, criminosos vulgares e de culpa formada, sem possibilidade de defesa? Ora, não foi para isso que elegemos Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão.

PRINCIPAL MISSÃO – Os militares do Planalto têm obrigação de defender a Nação. Ou seja, precisam proteger a Lava Jato, por se tratar de um esquema de máximo interesse público e que implica verdadeiramente em segurança nacional.

Da mesma forma como se comportou o general Augusto Heleno, que não se omitiu e deu um depoimento à Polícia Federal que desmonta qualquer possibilidade de defesa de Bolsonaro contra o ex-ministro Sérgio Moro, os generais do Planalto agora precisam enfrentar o presidente da República e dizer-lhe que a Lava jato é necessária, está cumprindo seu dever e precisa ser respeitada.

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P.S.Jair Bolsonaro e Augusto Aras são maus brasileiros, que se portam como autoridades desprovidas de caráter. Por isso, é necessário  que outras autoridades lhes digam que na vida tudo tem limites, e os interesses dos filhos do presidente não podem suplantar os interesses da Nação.(C.N.)

Guedes diz que reforma tributária está “absolutamente pronta” e só demanda acordo político

Segundo Guedes, o governo vai retomar a agenda de reformas

Marcello Corrêa
O Globo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que a proposta de reforma tributária do governo está “absolutamente pronta” e deve ser encaminhada nos próximos dias ao Congresso. Ele afirmou ainda que espera que projetos de atração de investimentos sejam aprovados em até 90 dias.

“(O programa) já está pronto. Está absolutamente pronto para ser disparado e agora nós temos que justamente fazer os acordos políticos para ver como é que vamos fazer”, disse o ministro em transmissão ao vivo com empresários, ao se referir ao modelo de reforma tributária preparado pela equipe econômica.

AGENDA DE REFORMAS –  Segundo Guedes, o governo vai retomar a agenda de reformas, mas priorizará projetos para incentivar a geração de investimentos, emprego e renda. O ministro afirmou que o chamado novo pacto federativo, que previa a descentralização de recursos com estados e municípios, se tornou menos prioritário.

O ministro se referiu a projetos como o Novo Mercado de Gás e uma nova regulamentação para a navegação por cabotagem, após a aprovação do marco legal do saneamento no Congresso. “Tudo isso (conjunto de projetos para atrair investimentos) pode ser aprovado em 60 a 90 dias. E isso significa destravar os investimentos. Daqui a dois, três meses, se já mudamos o marco regulatório agora, os investimentos já estão sendo disparados”, afirma.

CARTEIRA VERDE-AMARELA – Guedes afirmou ainda que a agenda pós-pandemia incluirá um pilar social, após o governo cadastrar 38 milhões de invisíveis — que não estavam em programas de benefício. O ministro espera ainda criar a Carteira Verde-Amarela, para reduzir custos de contratação e incentivar a formalização.

“Ele (trabalhador) basicamente era um invisível. Nós agora vamos dignificar esse trabalho. Uma pessoa que pode ganhar R$ 500, R$ 600, R$ 700 trabalhando, em vez de recorrer a R$ 200 do Bolsa Família. Deixa ele continuar livre, mas agora com apoio de microcrédito, com imposto de renda negativo, com programas de aperfeiçoamento. Temos que dar a mão e dignificar o trabalho deles, em vez de ignorá-los”, afirmou o ministro.

Rodrigo Maia diz que é preciso responsabilizar plataformas e financiadores de fake news

Charge do Duke (otempo.com.br)

Naira Trindade
O Globo

Em meio às discussões sobre a criação de uma lei para punir quem financia a propagação de fakenews, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu neste sábado, dia 4, a necessidade de se fazer um marco legal que permita a responsabilização das plataformas de internet e a identificação e punição de quem financia esta prática. Aprovado em votação acirrada no Senado na semana passada, o projeto de lei das fakenews chegou à Câmara na última sexta-feira.

Nesta semana, os deputados federais autores da proposta, Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tabata Amaral (PDT-SP) vão se reunir com o grupo de trabalho informal para tratar da medida, formado também pelos colegas Margareth Coelho (PP-PI), Orlando Silva (PCdoB-SP), Samuel Moreira (PSDB-SP) e Prof. Israel (PV-DF), para definirem com Maia um calendário para a apreciação do tema na Câmara. A expectativa é de se fazer “ajustes” no texto que já foi aprovado pelo Senado.

RESPONSABILIZAÇÃO – As declarações de Rodrigo Maia no sentido de responsabilizar os financiadores da propagação das fake news foram dadas em uma transmissão pela internet promovida pelo grupo Prerrogativas, composto por advogados de todo o País. Além do presidente da Câmara, participaram da live os deputados Orlando Silva (PCdoB-SP) e Paulo Pimenta (PT-RS).

No evento, Maia considerou que responsabilizar propagadores de notícias falsas é proteger o regime democrático. “Qualquer um de nós responde por nossos atos, e as plataformas não querem ter responsabilidade. Precisamos ter um marco legal que permita investigar e chegar aos financiadores desses esquemas que usam de forma radical e equivocada as redes sociais”, disse.

O presidente da Câmara diz ainda que a permissão para investigar a propagação de notícias falsas não afeta a liberdade de expressão ou de imprensa. “Nós não vamos enfraquecer a liberdade de expressão. Nós vamos fortalecer a liberdade de expressão correta. Essas redes sociais politizadas querem gerar o medo. Se nós não tivermos a coragem de organizar um texto que dê limites e punição, vamos ter problemas mais graves no futurO”, disse.

ROBÔS – O texto aprovado pelo Senado na semana passada dispõe de normas para as redes sociais e serviços de mensagem como WhatsApp e Telegram. Entre as medidas previstas estão regras para coibir contas falsas e robôs, facilitar o rastreamento do envio de mensagens em massa e garantir a exclusão imediata de conteúdos classificados como impróprios. O projeto prevê a possibilidade de as plataformas atuarem como moderadoras e excluírem conteúdos considerados impróprios.

No dia seguinte à aprovação do texto pelo Senado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou a apoiadores que o projeto “não vai vingar”. Bolsonaro avaliou que o texto terá dificuldades na Câmara e ressaltou que, caso a proposta seja novamente aprovada, ele ainda poderá vetá-la. Na última quinta, o mandatário afirmou durante uma live que, caso o texto seja aprovado na Câmara, irá submetê-lo a uma “consulta popular” para decidir quais pontos serão vetados.

Avó de Michelle Bolsonaro é intubada após piora no seu quadro de Covid-19

 é transferida para HRSM com suspeita de ...

Avó de Michelle caiu na favela e foi socorrida pelos seus vizinhos

Afonso Ferreira
G1 DF

A avó da primeira-dama Michelle Bolsonaro teve uma piora no quadro de Covid-19 e foi intubada neste domingo (dia 5). Maria Aparecida Firmo Ferreira tem 80 anos e está internada no Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, desde a última quarta-feira (1º), onde foi diagnosticada com coronavírus.

De acordo com o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), que administra o hospital público, “a paciente foi transferida para um leito de UTI na noite da última sexta-feira (03) e foi entubada neste domingo (05)”.

SEM COMENTÁRIOS – Questionado, o Palácio do Planalto disse que não vai comentar o assunto. Maria Aparecida Firmo Ferreira mora em Ceilândia, na favela do Sol Nascente, uma das maiores do país. De acordo com o prontuário médico, a idosa foi encontrada “por populares, na rua, caída” e levada para o Hospital Regional de Ceilândia, com falta de ar.

No hospital, a avó da primeira-dama disse que há 15 dias apresentava sintomas como tosse seca, febre, coriza, falta de apetite, falta de ar progressiva e dor abaixo das costelas. Devido ao quadro de saúde, Maria Aparecida foi transferida para o Hospital Regional de Santa Maria ainda no dia 1º de julho.

DIZ O IGES-DF – “O IGESDF informa que M.A.F.F. está internada no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) desde 1/7. A paciente foi transferida para um leito de UTI na noite da última sexta-feira (03) e foi intubada neste domingo (05).

O IGESDF esclarece que a paciente está recebendo toda a assistência necessária ao quadro de saúde.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Planalto não faz comentários. Nem precisa fazê-lo. O abandono de dona Maria Aparecida fala por si, nem precisa ser comentado. (C.N.)

Bolsonaro tem sintomas de Covid-19 e faz novo exame para detectar doença

Decisão judicial obriga Bolsonaro a usar máscara em espaço público ...

Bolsonaro bateu uma chapa do pulmão e depois foi fazer o exame

Deu no Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro foi submetido a um novo exame de covid-19 nesta segunda-feira (6/7), após apresentar sintomas da doença provocada pelo novo coronavírus. O próprio presidente confirmou que há suspeita de ele estar com a doença, ao retornar ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde.

Ao ser abordado por apoiadores que costumam se reunir em frente à residência oficial, Bolsonaro disse que evitaria se aproximar das pessoas por ter ido ao hospital fazer exame de covid-19 e que também avaliou o pulmão. “Está tudo bem”, disse o presidente, que usava máscara.

O resultado deve ficar pronto nesta terça-feira (7/7), ao meio-dia. Bolsonaro apresentou febre de 38ºC e cancelou compromissos por causa da suspeita. Ele foi atendido no Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília.

Ele disse à imprensa que o resultado da avaliação do pulmão mostrou bom funcionamento do órgão. Ele afirmou ainda que já está tomando hidroxicloroquina de maneira preventiva, embora não seja esta a recomendação médica padrão.

GRUPO DE RISCO – O presidente pode ser considerado um integrante do grupo de pessoas que apresentam risco maior de desenvolver forma grave da doença, por já ter 65 anos. Vários integrantes de sua equipe apresentaram a doença desde o início da pandemia, mas, até agora, os testes do presidente resultaram negativo.

Bolsonaro tem resistido em manter o distanciamento social e costuma se aproximar das pessoas ao aparecer em público, seja participando de manifestações públicas em seu apoio, seja passeando por Brasília nos fins de semana.

Para recuperar imagem do governo, Secom pretende gastar R$ 325 milhões em publicidade

Charge do Nando Motta (brasil247.com)

Renato Onofre
Folha

A Secom (Secretaria de Comunicação) pediu a liberação ainda neste ano de R$ 325 milhões para gastar em publicidade e em relações públicas para tentar melhorar a imagem do governo Jair Bolsonaro no país e no exterior. O valor é mais do que o dobro previsto no atual orçamento de 2020 para ações de Comunicação, cerca de R$ 138,1 milhões. A Secom justifica o pedido por mais recurso sob o argumento da pandemia do novo coronavírus.

“Tais providências são determinantes para que a Secom, no contexto de enfrentamento do Brasil à pandemia do Covid-19, tenha condições de cumprir com sua missão de promover a comunicação do governo federal com a sociedade e ampliar o acesso às informações de interesse público”, diz o documento.

DESGASTE – O pano de fundo, no entanto, é tentar recuperar a imagem do governo abalada por uma sucessão de crises provocadas por decisões tomadas por Bolsonaro e sua equipe.

Segundo a mais recente pesquisa do Datafolha, feita no final de junho, a rejeição ao presidente atinge 44% dos brasileiros. A aprovação é de 32%, enquanto os que avaliam Bolsonaro como regular são 23%.

O pedido de mais verba pela Secom foi feito no início de junho, antes de Bolsonaro reformular a área do governo e recriar o Ministério das Comunicações. O presidente tem mostrado insatisfação com a maneira com que o governo é retratado no país e no exterior.

PRIORIDADE – A pasta é controlada por Fábio Faria (PSD), congressista ligado ao Centrão, que anunciou mudanças na condução da comunicação do governo. Em sua posse, o ministro disse que a “mídia continua a estar entre as prioridades” do governo e defendeu a liberdade de expressão.

Na quinta-feira, dia 2, ao participar da primeira reunião virtual de cúpula de presidentes do Mercosul, Bolsonaro afirmou que o governo está procurando corrigir o que chamou de “opiniões distorcidas” que arranharam a imagem do país no exterior. “Nosso governo vai desfazer opiniões distorcidas sobre o Brasil, mostrando ações que temos tomado em favor da floresta amazônica e do bem-estar das populações indígenas.”

DANOS – Na avaliação de assessores ligados à cúpula do Planalto e da ala militar do governo, o discurso ideológico contaminou a comunicação oficial, especialmente no exterior, causando danos à imagem do país. No final de junho, um grupo de investidores internacionais enviou uma carta aberta a embaixadas brasileiras em oito países manifestando preocupação com o “desmantelamento de políticas ambientais e de direitos humanos”.

A reportagem teve acesso a três ofícios encaminhados pela Secom à Secretária-Geral da Presidência, à Secretaria de Governo e ao Ministério da Economia. Neles, há a justificativa para a liberação do gasto com publicidade. Procurada, a Secom não se manifestou.

De acordo com o pedido, a repercussão negativa das ações do governo está impactando a imagem do país e é necessário incentivar a “veiculação de pautas positivas” no Brasil e no exterior. A estratégia prevê a liberação da R$ 200 milhões em publicidades que terão como foco principal mídias regionais em detrimento a veículos nacionais – mais críticos às ações do governo – e quintuplicar o valor gasto em relações públicas com a mídia.

FOCO – “Há necessidade de coordenação e capilaridade regional, associada a situações muitos díspares em cada local. Já o trabalho internacional vai focar nos veículos influenciadores de opinião nos países-chave para o Brasil”, afirmou o secretário-adjunto Samy Liberman em um dos ofícios encaminhados no início de junho. Há ainda o pedido de liberação de R$ 60 milhões para gastar em veículos no exterior.

“O Brasil tem sido citado de forma recorrente pelos principais jornais e agências de notícias internacionais, e críticas à atuação do governo no enfrentamento à Covid-19 têm sido amplamente divulgadas”, diz Liberman. Ele cita seis publicações em veículos de imprensa americanos e europeus que criticam as ações de Bolsonaro.

A primeira publicação é de 14 de abril, do jornal “The Washington Post”. Em editorial, o veículo critica a postura do governo frente à pandemia: “Líderes arriscam vidas ao subestimar o coronavírus. Bolsonaro é o pior”, diz o texto. O secretário também cita reportagem do jornal britânico “The Guardian”: “Bolsonaro está arrastando o Brasil para a calamidade do novo coronavírus. Especialistas temem”.

REPERCUSSÃO – Em outra citação, Liberman relata que as mudanças no comando da Saúde repercutiram negativamente em um dos jornais econômicos mais influentes do mundo. “O episódio da troca de ministro da Saúde ganhou ampla repercussão, como por exemplo matérias publicadas pelos jornais “The Wall Street Journal” e “The Washington Post”. Também jornais europeus repercutiram a saída do ministro.”

“É neste cenário, em que o volume de mensagens negativas expõe o país, que se faz necessária a ação de comunicação, que, por meio de divulgação de informações relacionadas a diversos setores, culminem na reversão da imagem negativa do Brasil no exterior.”

Desde janeiro de 2019, a Secom está sem contrato para os serviços de relações públicas no exterior. Nos últimos anos, a média de gastos anual foi de R$ 10 milhões para ações focadas na participação do Brasil em fóruns internacionais.

CORTE – O pedido de mais verba foi feito dois dias depois de o governo cortar o orçamento do Bolsa Família para expandir a publicidade institucional. A tesourada de R$ 83,9 milhões acabou sendo cancelada após repercussão negativa. Além dos recursos para publicidade e relações públicas, o governo quer destinar outros R$ 10 milhões para comunicação digital. No documento, Liberman diz que os recursos vão ser usados para a adoção de uma identidade visual nos portais do governo.

O acompanhamento das redes sociais, ponto de crítica constante por parte de um dos filhos do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro, também pode receber uma parte do bolo – R$ 5 milhões. O pedido diz que “as redes sociais é uma das formas usuais de verificação dos anseios da sociedade” e ambiente para a “formação de parte da opinião pública no processo dialógico”.

Alcolumbre trabalha alianças e articula manobra em busca da reeleição para Presidência do Senado

Alcolumbre se fia em ligações com o Supremo Tribunal Federal

Amanda Almeida, Naira Trindade e Bela Megale
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), inaugura em julho a reta final de seu mandato no comando da Casa dedicado a solucionar uma complexa matemática na tentativa de se reeleger ao posto. Além de conseguir o voto dos colegas, ele precisa transpor um trecho da Constituição que tem sido seguido à risca pelo Congresso: a proibição de reeleição para presidências do Senado e da Câmara.

Desgastado nos últimos meses, Alcolumbre tenta reorganizar uma “base eleitoral” se fiando na proximidade ao governo e em ligações com o Supremo Tribunal Federal. É nessa relação com o Supremo que Alcolumbre traça sua principal estratégia para conseguir alterar as regras para permitir a reeleição.

SONHO ANTIGO – A Constituição diz que é “vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente” nos casos do comando da Câmara e do Senado. Superar esse trecho é sonho antigo de presidentes que já passaram pelas duas Casas. Propostas de emenda à Constituição (PEC) nesse sentido, porém, nunca avançaram.

Para derrubar esse empecilho, Alcolumbre precisaria articular a aprovação de uma PEC no Senado e na Câmara, que necessitam de pelo menos três quintos dos votos de senadores e deputados, ou de uma decisão do Supremo. A carta na manga está em obter uma resposta positiva do STF a uma consulta que deve ser lançada por outro partido.

A ideia é uma sigla aliada questionar a Corte se presidentes do Senado que terminam o mandato no fim da legislatura de quatro anos podem disputar a reeleição. Este é o caso de Alcolumbre: eleito em 2014, seu atual mandato de senador termina em 2022, junto com sua possível recondução ao cargo.

CENÁRIO FAVORÁVEL – Integrantes da cúpula do DEM dizem já ter mapeado um cenário favorável a Alcolumbre no Supremo. Reservadamente, ministros do STF admitem “analisar com atenção” qualquer consulta nesse sentido, contrariando haver indicativos de que o questionamento será rejeitado de imediato. Segundo aliados, o presidente do Senado é muito bem relacionado com a maioria dos magistrados.

Se vencer essa barreira, Alcolumbre tem o desafio de ganhar o apoio dos colegas à recondução. Nesta tentativa, ele tem se equilibrado para manter a boa relação com o presidente Jair Bolsonaro e se fortalecer como o candidato do governo. Senadores veem movimentos discretos favoráveis a Alcolumbre vindos do ministro da articulação política do governo, Luiz Eduardo Ramos, da pasta de Governo.

MDB QUER VOLTAR – Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, a avaliação é de que o democrata desponta como melhor alternativa para continuar no comando do Senado. Para o governo, no último um ano e meio, Alcolumbre mais ajudou do que atrapalhou. Por outro lado, grupos no Senado se articulam para fazer frente a ele. Derrotado pelo democrata e pela pregação de uma “nova política” no início do ano passado, o MDB quer voltar ao comando da Casa.

Internamente, senadores do partido sustentam que são a maior bancada da Casa, com 13 parlamentares, o que vinha sendo critério nas eleições para a Presidência, antes da vitória do DEM em 2019. Depois do fim do mandato de Eunício Oliveira (MDB-CE), os emedebistas perderam a dianteira do Senado para Alcolumbre. Renan Calheiros (MDB-AL) foi derrotado em meio a discursos de que ele representava a “velha política”.

No MDB, a dificuldade será encontrar um candidato que agrade a todas as alas do partido. O líder Eduardo Braga (AM), o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (TO), a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, Simone Tebet (MS), e o próprio Renan são apontados como nomes que flertam com uma candidatura.

NO PÁREO – Mais experientes, porém, eles preferem observar o cenário político antes de qualquer movimento. Isso porque, avaliam aliados, investigações envolvendo Bolsonaro podem ainda mudar os rumos da eleição.  Além do MDB, outras legendas, como o PSD, em ascensão na Casa, com 12 senadores, também sonham com a cadeira da Presidência.

Por fora, há ainda um grupo que reúne parlamentares de diferentes partidos, o Muda Senado, que deseja ocupar o espaço. Na semana passada, um representante deles, o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO), expressou em sessão remota a vontade do grupo: “Se o Alvaro Dias não for candidato à Presidência, eu serei, para disputar com o senhor respeitosamente”.

Alcolumbre vive altos e baixos entre senadores que o elegeram, em especial o grupo que chegou à Casa com o discurso de novas práticas na política. Foi cobrado por engavetar a CPI dos Tribunais Superiores, pelo silêncio em relação a pautas e declarações controversas do governo e por segurar projetos como o que prevê prisão imediata de condenados em segunda instância.

DESGASTE – Além do desgosto dos mais radicais, perdeu força entre os considerados mais moderados que o ajudaram a chegar à Presidência, como Simone Tebet, Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Antonio Anastasia (PSD-MG), depois de se aproximar de velhos caciques da Casa.

Na tentativa de contornar essas dificuldades, Alcolumbre tenta ganhar apoio entre os colegas, que relatam gestos dele, como uma distribuição “mais democrática” de relatorias, o prestígio a projetos de parlamentares na pauta do plenário e espaços na Casa. A inclusão na pauta do projeto de lei de combate às fake news foi interpretada como uma sinalização de que Alcolumbre deseja agradar aos colegas mesmo que isso traga incômodo ao governo.

INTERMEDIAÇÃO – No dia seguinte à aprovação da proposta, Bolsonaro avisou que poderá vetar a medida caso ela seja aprovada pela Câmara. Em outra frente, Alcolumbre tem se colocado como uma ponte com o governo federal, para facilitar encontros e demandas dos senadores nos ministérios e no Planalto.

Como o diálogo com a gestão Bolsonaro é considerado difícil, essa posição de Alcolumbre é elogiada entre colegas. Apesar dos sinais claros, as conversas sobre a sucessão à Presidência ocorrido de forma discreta.

Neoliberalismo de Guedes mantém a economia sufocada por déficits e dívidas

Nani Humor: PAULO GUEDESFlávio José Bortolotto

O economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, tem razão em afirmar que os governos federal, estaduais e municipais gastam muito e gastam mal. O Brasil até 1930 operou no sistema clássico liberal laissez-faire, entregue às chamadas regras informais do mercado, e crescia em média 2,5% ao ano, com padrão de vida muito baixo e analfabetismo atingindo cerca de 70% da população.

Com essa forma de liberalismo absoluto, nunca saímos de uma economia exportadora de produtos agrícolas e minerais sem beneficiamento algum.

A ERA VARGAS – Com a Revolução de 1930, sob a liderança do grande presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945 e 1951 – 1954), mudamos para o sistema nacional desenvolvimentista industrialista, que propiciou até 1980 um crescimento médio de 7,5% ao ano, com implantação da indústria de base e a substituição de importações, eletrificou-se o país, baixou-se o analfabetismo para 7% e melhoramos muito nosso padrão de vida. Passamos de 50ª economia do mundo para 8ª.

A diferença principal entre os dois sistemas econômicos é que no liberalismo laissez-faire praticamente não há incentivo estatal, enquanto no nacional desenvolvimentismo industrialista o Estado protege o crescimento da indústria, principalmente no começo, para induzir sua expansão, com utilização de empresas estatais e mistas na infraestrutura e em setores estratégicos.

A ERA DOS DÉFICITS – Sendo assim, por que o nacional desenvolvimentismo industrialista, que melhorou muito o padrão de vida brasileiro, entrou em esgotamento em 1980? Depois teve tentativa de desmonte em 1990 com o presidente Collor de Mello, e mais forte ainda em 1995 – 2002, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, foi reativado pelos presidentes Lula e Dilma em 1993 – 2016 e entrou em colapso de novo?

É que, nosso sistema nacional desenvolvimentismo industrialista passou a ser operado, diferentemente dos tempos de Vargas, com grandes déficits fiscais, quando o governo gasta bem mais do que arrecada, cobrindo o déficit com crescente endividamento e suportando também déficits no balanço de pagamentos internacional que mede a entrada e saída líquida de riqueza no Brasil.

ASPECTOS NEGATIVOS – O déficit fiscal vai aumentando a carga tributária até asfixiar a produção. O déficit do balanço de pagamentos internacional vai descapitalizando a economia nacional. E nenhum país ainda conseguiu a proeza de enriquecer com capital de terceiros. Só o “capital brasileiro”, como sempre nos disse o grande governador Carlos Lacerda, enriquecerá os brasileiros. O capital internacional deve ser sempre secundário numa economia próspera.

A nossa tragédia econômica, é que, quando esgotamos o nacional desenvolvimentismo industrialista (sistema mais produtivo), devido ao contínuo duplo déficit fiscal e do balanço de pagamentos internacional, em vez de combater a causa dos duplos déficits, partimos para mudança de sistema e adotamos o liberalismo laissez faire, que se mostra ineficaz para o Brasil.

Impasse e ‘modo fritura’ de testar nomes para o MEC gera desconforto entre aliados de Bolsonaro

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Gerson Camarotti
G1

Até mesmo auxiliares mais próximos já demonstram desconforto com a dificuldade do presidente Jair Bolsonaro de escolher um nome para comandar o Ministério da Educação. A fritura explícita do secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, sondado duas vezes para o cargo, acendeu o alerta até mesmo entre aliados do governo no Congresso Nacional.

Feder foi forçado a recusar oficialmente neste domingo, dia 5, o convite para ser ministro após o governo vazar que Bolsonaro já tinha desistido do nome dele. O atual secretário de Educação do Paraná sofreu intenso ataque da chamada ala ideológica do governo e de aliados da bancada evangélica.

EXPOSIÇÃO – “Chega a ser cruel expor um homem público duas vezes para ficar vulnerável aos ataques de todos os lados, simplesmente, para testar a capacidade de resistência do nome. Esse tipo de fritura cria uma desconfiança entre aliados”, disse ao blog um líder que integra a nova base de apoio ao governo Bolsonaro.

Depois de 17 dias sem um ministro no comando da Educação, cresce no Congresso Nacional a preocupação com o destino do setor no país, num ano em que será preciso tomar decisões rápidas sobre uma nova data para o Enem e sobre um cronograma de volta às aulas em meio à pandemia do novo coronavírus. Além disso, a Câmara dos Deputados deve votar nas próximas semanas a proposta que institui o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).

IMPASSE – O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em entrevista à GloboNews neste domingo que os “lunáticos conseguem prevalecer” ao comentar o impasse em torno do comando do Ministério da Educação.

Desde a última quarta-feira, dia 1º, quando a nomeação de Carlos Alberto Decotelli foi anulada, o cargo de titular do MEC está desocupado. Mas, para Maia, o país está sem um ministro da Educação há um ano e meio. Antes de Decotelli, que teve de deixar o governo depois de descobertas informações falsas em seu currículo, o MEC era chefiado por Abraham Weintraub.

O ex-ministro se envolveu em várias polêmicas e sua situação ficou insustentável depois que se tornaram públicas ofensas, feitas por Weintraub durante reunião ministerial, contra magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF).

Arrancada do democrata Joe Biden surpreende até jornalistas e cientistas políticos

Aos poucos. Joe Biden está ganhando a confiança dos eleitores dos EUA

Pedro do Coutto

A política é sempre repleta de surpresas e, por isso, sua movimentação contesta as afirmações que se tornam congeladas diante das mutações. Isso é próprio da política em si. Os imprevistos ao longo da estrada possuem sempre uma influência de peso que apaga as ideias fixas. É a vitória de seu caráter dinâmico sobre os estacionamentos do raciocínio, em um encadeamento que se choca com uma visão fotográfica do momento.

O cinema, iniciado no amanhecer do século XX, assim representou um dinamismo de imagens que supera a cristalização da conquista da técnica e da arte de fotografar. Mas vamos ao assunto esquecendo essas movimentações de texto.

NOS ESTADOS UNIDOS – O New York Times publicou, e reportagem de Bruno Benevides e Catarina Pignato, Folha de São Paulo de 4 de julho reproduziu, apontando um distanciamento de Joe Biden sobre Donald Trump para as eleições de 3 de novembro. A surpresa comprova o dinamismo do processo político que altera rumos que pareciam estar solidificados.

Donald Trump estava firme à frente dos Democratas. Mas o jogo se modificou, podendo ser muitas as razões, a começar pelo desempenho do atual ocupante da Casa Branca.

O New York Times encomendou quatro pesquisas sobre intenções de voto. A primeira aponta diferença de 53 a 41 pontos. A segunda de 52 a 44, a terceira de 46 a 39, uma quarta de 50% a 38%.

ELEITORADO NEGRO – A grande margem de intenções de votos no eleitorado negro sustenta o avanço de Biden. Nessa faixa ele atinge 90%. Entre os latinos a vantagem é de 65 a 35. E entre os brancos Trump tem uma vantagem de 51 a 49, praticamente um empate.

O panorama representa o caráter volúvel do eleitorado ao sentir a força do vento dos fatos. Nas eleições de 2016, por exemplo, Hillary Clinton perdeu a disputa por si mesma. Ela foi usar o sistema da Internet do governo para mensagens não oficiais entre pessoas de seu conhecimento. E também fez exatamente o contrário. Usou seu computador pessoal para trocar correspondências de Estado.

EXEMPLO DE HILLARY – Ela vinha à frente com 12 pontos em outubro. James Comay, diretor do FBI, reviveu o episódio três semanas antes das eleições. Hillary teve mais votos mas perdeu no peso dos colégios eleitorais. O páreo foi decidido em Michigan onde Trump venceu pela margem de 0,1%. Como sempre digo, Hillary perdeu para si mesma.

Agora mais um fato contra Trump. No sábado ele atacou a new left (nova esquerda) e estendeu suas críticas àqueles que combatem o racismo. O que dizer?

O PIB E O ABONO – Francamente, ao longo de 62 anos de jornalismo, poucas vezes li afirmação tão sem base na realidade quanto a declaração de Sérgio Vale, economista chefe da MB Associados. Na reportagem de Cássia Almeida, O Globo de hoje, ele disse que a distribuição do benefício mensal de 600 reais representou 2,5 pontos a mais no PIB deste ano. A queda que seria de 9% passou a ser de 6,5.

Ora, o PIB é a soma de tudo que se produziu ao longo de 12 meses em qualquer país. Não importa qual o setor da produção, incluindo o consumo. O que está havendo no Brasil é uma simples transferência de recursos estatais para camadas da sociedade, justa.  Portanto, a ordem dos fatores não pode alterar o resultado.

DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS – Por fim, neste artigo de hoje focalizo matéria de O Globo de domingo. O presidente da Petrobrás, Roberto Castelo Branco, lançou na empresa o programa de demissões voluntárias, cujo objetivo é reduzir o número de empregados de 44 mil para 30 mil. Argumentou que o programa contribui para redução de custos da Petrobrás.

Só na aparência, porque a grande parte dos que aderem ao PDV são os que possuem tempo de serviço para se aposentar. Assim obtêm indenização e recorrem à Petrus, fundo de pensão que complementa o valor de remuneração mensal. Por exemplo: se alguém vai receber 6.000 reais do INSS e seu salário na Petrobrás for de 10.000 reais. a Petrus complementa a diferença.

Ótimo negócio para os que atingiram o tempo suficiente para se aposentar. Em matéria de economia de custos, a diminuição do quadro de pessoal é transferida para o Fundo de Pensão, que é parcialmente pago pela própria Petrobras. Apenas isso.

Moraes manda soltar investigado no inquérito dos atos antidemocráticos, mas impõe restrições

Bolsonarista foi proibido de usar redes sociais e organizar atos

Mateus Vargas
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes mandou soltar da prisão neste domingo, dia 5, o blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio, investigado no inquérito que apura o financiamento de atos antidemocráticos no País.

Moraes determinou que Eustáquio não use redes sociais, ‘apontadas como meios da prática dos crimes ora sob apuração’, além de proibir que o investigado fique a menos de 1 quilômetro da Praça dos Três Poderes ou das residências dos ministros do STF.

CONTATO COM INVESTIGADOS – Pela decisão, Eustáquio também não pode manter contato com outros investigados no processo e mobilizar ou integrar manifestações de ‘cunho ofensivo’ a Poderes ou que incitem ‘animosidade das Forças Armadas’. Ele também fica proibido de sair do Distrito Federal sem autorização da Justiça.O blogueiro foi preso em 26 e junho, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Na última terça-feira, 30, Moraes prorrogou por cinco dias a prisão temporária.

Em depoimento à Polícia Federal prestado nesta quinta-feira, dia 2, Eustáquio, disse que ‘fez parte do governo executivo federal de transição do atual presidente da República até 31 de janeiro de 2019’. O blogueiro não detalhou quem o teria convidado para trabalhar na gestão do governo Jair Bolsonaro, nem quando iniciou seu trabalho com a equipe de transição.

RISCO – “Verifico estar demonstrado o risco à investigação e a necessidade de restrição à atuação de Oswaldo Eustáquio Filho com relação aos fatos aqui investigados”, afirmou Mores na decisão. A Polícia Federal vê indícios de envolvimento do blogueiro com ações de ‘potencial lesivo considerável’. Ele é apontado como parte do ‘núcleo produtor de conteúdo’ na investigação.

Para a Polícia, suas publicações instigam uma parcela da população a ‘impulsionar o extremismo do discurso de polarização e antagonismo, por meios ilegais, a Poderes da República’, segundo manifestação citada na decisão de Paulo Goyaz,  um dos advogados de defesa de Eustáquio, disse ao Estadão que a decisão de Moraes é perigosa e cria ‘jurisprudência de censura à imprensa’. O blogueiro foi detido no mesmo inquérito que levou à prisão a extremista Sara Giromini, solta após dez dias de prisão provisória.

Empresa de ex-mulher de Wassef obteve dois aditivos milionários durante a gestão de Bolsonaro

Extensões contratuais feitas mesmo após auditoria apontar sobrepreço

Bernardo Mello e João Paulo Saconi
O Globo

A Globalweb Outsourcing, empresa ligada a Maria Cristina Boner Léo, ex-mulher do advogado Frederick Wassef, obteve dois aditivos durante a gestão do presidente Jair Bolsonaro em um contrato firmado com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e questionado pela Controladoria-Geral da União (CGU). A Ebserh, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), é responsável pela gestão de hospitais universitários federais.

Uma auditoria da CGU apontou prejuízo na ata de preços em que se baseou o contrato. Após os aditivos, o valor final chegou a R$ 37,4 milhões, segundo o Portal da Transparência. As empresas negam irregularidades. Cristina é uma das fundadoras da empresa, hoje administrada por uma de suas filhas, Bruna Boner. A ex-mulher de Wassef, ex-advogado da família Bolsonaro, ficou impedida de participar de contratações do governo após ser condenada na Operação Caixa de Pandora, em 2019.

CONDENAÇÃO ANULADA – Há duas semanas, porém, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) anulou a condenação de Cristina por improbidade administrativa. O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP/TCU), Lucas Rocha Furtado, pediu que a corregedoria do TJ-DF investigue “se foi mera coincidência ou casuísmo” a definição da data de julgamento do recurso de Cristina.

A absolvição ocorreu um dia após o MP pedir investigação sobre contratos firmados pela Globalweb com o governo federal e sobre a suspensão de uma multa de R$ 27 milhões com a Dataprev. O consórcio Protec firmou contrato com a Ebserh em março de 2017 para desenvolvimento de softwares, no valor de R$ 9,9 milhões, e obteve um primeiro aditivo pelo mesmo valor no início de 2018, ainda no governo de Michel Temer. O aditivo coincidiu com a entrada da Globalweb no consórcio, ao lado da Liberty Comércio e Serviços, e com a saída da Infosolo Informática e da Basis Tecnologia da Informação.

À época, a Protec era alvo de apuração da CGU por um contrato firmado em novembro de 2016 com o Ministério das Cidades. Uma auditoria publicada em julho de 2018 constatou que a ata de registro de preços elaborada pela Protec, e utilizada nos contratos com o Ministério das Cidades e também com a Ebserh, se encontrava “em patamar muito superior quando comparado com licitações semelhantes”, o que levou a um prejuízo estimado na casa de R$ 4 milhões à União.

PROGRAMA SOCIAL – O contrato com o Ministério das Cidades seria destinado ao desenvolvimento da plataforma do Cartão Reforma, programa social lançado por Temer através de medida provisória e que foi cancelado após denúncias de irregularidades. O contrato da Protec com a Ebserh foi firmado com base na mesma ata de registro de preços.

Com a empresa de Cristina Boner no consórcio, a Protec conseguiu mais dois aditivos, já no governo Bolsonaro e após o alerta da CGU em relação aos valores praticados. O primeiro desses aditivos, em 19 de março de 2019, foi publicado no Diário Oficial quatro dias após o governo federal suspender a cobrança de uma multa de R$ 27 milhões devida por outro consórcio, o MG2I, do qual a Globalweb também é integrante.

O caso, revelado pelo O Globo, diz respeito a um contrato com a Dataprev, vinculada ao Ministério da Economia. Após a reportagem, o MP/TCU pediu que o caso fosse comunicado ao Ministério Público Federal (MPF) para investigação de eventual tráfico de influência e advocacia administrativa.

PARÂMETRO –  Em março deste ano, o consórcio Protec conseguiu novo aditivo de seu contrato com a Ebserh, agora com validade de três meses, até 18 de junho de 2020. Embora com duração menor, o aditivo foi estimado em R$ 8,9 milhões, pouco abaixo dos R$ 9,5 milhões que haviam sido orçados pela extensão anterior, que durou um ano. As publicações no Diário Oficial dos dois aditivos mostram que a ata de preços criticada pela CGU continuou sendo utilizada como parâmetro.

Há duas semanas, o portal Uol revelou que a empresa de Cristina Boner obteve individualmente — isto é, sem somar os consórcios que integra — R$ 239 milhões em contratos novos e aditivos no atual governo.

Na representação em que pede a investigação sobre os contratos, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado argumentou que o “aumento considerável” no volume de pagamentos recebidos pela Globalweb “levanta suspeitas quanto à eventual prática de tráfico de influência” pelo fato de a empresa estar vinculada, “ainda que de forma indireta”, à ex-mulher de Wassef.

OUTRO LADO – Procurado, o consórcio Protec classificou como “esdrúxulo”o relatório da CGU e alegou que o órgão adotou “critérios pessoais e sem qualquer justificativa metodológica”. A Protec argumenta que o TCU reconheceu em outro procedimento que “existe uma variação enorme no valor do ponto de função”, unidade de medida adotada para avaliar desenvolvimento de softwares.

A Globalweb Outsourcing — representando Cristina Boner — disse que não se manifestaria, uma vez que não é a empresa titular do consórcio. O advogado Frederick Wassef também não se posicionou após ser questionado pelo GLOBO.

A Ebserh informou que sabia da avaliação da CGU, mas que os aditivos foram feitos “em caráter excepcional”, enquanto uma nova licitação não é concluída. A empresa alegou ainda que os aditivos representam apenas um “valor máximo” para um contrato cuja execução é sob demanda. E que novo aditivo, assinado no último dia 18, permite o encerramento do contrato com o consórcio assim que a nova licitação for finalizada.

Bolsonaro vive maus momentos, com os três filhos praticamente no banco de réus

Charge do Tacho (Jornal NH)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro não poderia ter notícia pior: os três filhos dele, Flávio, Carlos e Eduardo, estão no banco de réus. Todos estão sob investigação da Justiça, o que dará muita dor de cabeça ao governo. Não se descarta que, em algum momento, pelo menos um deles venha a ser preso.

Vereador pelo Rio de Janeiro, Carlos está sendo investigado pela contratação de funcionários fantasmas em seu gabinete. Como ele perdeu o foro privilegiado, o processo, agora, está tramitando em primeira instância, que costuma ser bem rigorosa em casos como o dele.

RACHADINHAS – Flávio, hoje senador, é peça central no inquérito que apura o sistema de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele era deputado. Ele e a mulher, Fernando, foram intimados a prestar depoimentos esta semana.

Ex-assessor dele, Fabrício Queiroz está preso e a mulher dele, foragida da Justiça. Segundo o Ministério Público, Flávio Bolsonaro chefiaria uma “organização criminosa”.

Eduardo, por sua vez, virou alvo do procurador-geral da República, Augusto Aras, que determinou a abertura de “notícia de fato” para saber se o deputado federal violou a Lei de Segurança Nacional em declarações que fez pela internet. Aras apura se o parlamentar cometeu crime de “subversão da ordem democrática”.

BOLSONARO NA MIRA – Com os três filhos investigados pela Justiça, Bolsonaro atendeu aos conselhos da ala militar e baixou totalmente o tom contra o Judiciário e o Congresso. Nos últimos dias, por sinal, emitiu sinais de paz aos dois Poderes, pois sabe que as consequências de um embate poderão resultar em um estrago em seu mandato.

O próprio presidente é alvo de processos. Bolsonaro deverá ser ouvido, em breve, pela Polícia Federal no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal que investiga se ele tentou interferir na corporação, conforme denúncias do ex-ministro Sergio Moro.

Bolsonaro também está na linha de tiro do Tribunal Superior Eleitoral, que decidiu reabrir dois processos que tratam de denúncias contra a chapa que o elegeu. No total, oito processos contra Bolsonaro e seu vice, o general Hamilton Mourão, estão correndo no TSE, quatro deles, com informações robustas sobre disparo em massa de fake news pelo WathsApp.