“Respeitamos o teto de gastos”, diz Bolsonaro após declarações polêmicas de Paulo Guedes

Guedes criticou auxiliares de Bolsonaro e os seus maus conselhos

Gustavo Garcia, Mateus Rodrigues e Laís Lis
G1 / TV Globo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na noite desta quarta-feira, dia 12, após reunião com os presidentes da Câmara e do Senado, ministros e parlamentares no Palácio da Alvorada, que o governo respeitará o teto de gastos. Após o encontro, Bolsonaro e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fizeram pronunciamentos na entrada da residência oficial do Alvorada.

“A economia está reagindo, e nós aqui resolvemos então com essa reunião direcionar mais as nossas forças para o bem comum daquilo que todos nós defendemos”, disse Bolsonaro. “Respeitamos o teto dos gastos, queremos a responsabilidade fiscal, e o Brasil tem como realmente ser um daqueles países que melhor reagirá à questão da crise”, afirmou o presidente.

IMPEACHMENT – A reunião e os pronunciamentos foram motivados pelas declarações desta terça-feira, dia 11, do ministro Paulo Guedes, da Economia. Guedes criticou auxiliares do presidente que, segundo ele, aconselham Bolsonaro a “furar” o teto de gastos como forma de se fortalecer na disputa pela reeleição. De acordo com o ministro, se fizer isso, o presidente se aproximará de uma “zona de impeachment”.

O teto de gastos é a regra que limita o crescimento das despesas da União, aprovada pelo Congresso em 2016, durante o governo Michel Temer. Em maio, devido à pandemia do coronavírus, o Congresso aprovou o chamado “orçamento de guerra”, que permitiu ao governo fazer gastos além daqueles previstos no orçamento, a fim de atender as necessidades de mais investimentos em saúde e de renda para trabalhadores informais durante a crise.

Uma ala do governo defende a prorrogação para além de 31 de dezembro do estado de calamidade pública, que motivou o “orçamento de guerra”, a fim de se permitir ampliar os investimentos públicos. Foi contra isso que Paulo Guedes reagiu, em entrevista no Ministério da Economia, após reunião com Rodrigo Maia.

COMPROMISSO – “Reafirmamos nosso compromisso com o teto de gastos, com a boa alocação do gasto público. Reafirmar esse tema é reafirmar o compromisso com nosso país. Dentro dessa realidade, temos muito ainda a fazer e acho que, de fato, reafirmando teto de gastos, regulamentação dos seus gatilhos, [isso] vai nos dar as condições de melhorar e administrar nosso orçamento”, declarou Maia.

Segundo Davi Alcolumbre, a reunião convocada por Bolsonaro foi para “nivelar as informações dessa agenda de responsabilidade fiscal. A gente tem uma emenda constitucional, construída a várias mãos no Parlamento, limitando os gastos públicos. E, concretamente, nós precisamos formar esse convencimento na sociedade brasileira dessa agenda administrativa, da reforma administrativa, e também do pacto federativo. São pautas que já estão no parlamento brasileiro, algumas delas na Câmara e outras no Senado”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom o pronunciamento, Bolsonaro sinaliza a um possível pacto para evitar o impeachment, na tentativa de se segurar até 2022. Mas ainda tem muita água para rolar debaixo dessa ponte. (Marcelo Copelli)

6 thoughts on ““Respeitamos o teto de gastos”, diz Bolsonaro após declarações polêmicas de Paulo Guedes

  1. Entendo eu, que essa manifestação política de ontem, nada mais é, do que um ajuste de rumo no Grande Acordão, idealizado naquela conversa grampeada entre Romero Jucá e Sérgio Machado, em maio de 2016 e sugerido no discurso de posse e em outras ocasiões por Dias Tóffoli, que é o verdadeiro mentor e dínamo da conspiração guiado pelo plano do PT de anular sentenças contra o Lula, limpando sua Ficha Suja e habilitando-o eleitoralmente.
    O Bolsonaro, alheio e contrário, inicialmente, ao acordão, ao deparar-se com a real possibilidade de impeachment, ante as manifestações de maio/19, aderiu pronta e vigorosamente ao “Acordo entre os Três Poderes” (conspiração mafiosa contra a Lavajato e o povo brasileiro), passou a hostilizar Sérgio Moro, fez cara de paisagem ante o jabuti do Juiz de Garantias (garantia de impunidade para corruptos), virou Centrão desde pequeninho e, hoje, consumou a sua traição a seus eleitores e ao País, designou o Sr Ricardo Barros, ex-ministro de Temer e deputado estrela do Centrão, como Líder do Governo na Câmara.
    Jair Bolsonaro. paladino da moralidade e da luta contra a corrupção.

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