A BAIXARIA da segunda-feira se repetiu hoje E MUITO MAIS GRAVE

O senador Renan Calheiros pretendia agredir hostilizar e enquadrar o senador Artur Virgilio. Mas sabia que poderia falar no máximo 20 minutos. Então decidiram que esperaria o senador assumir a Mesa, usaria o tempo que quisesse.

Foi o que aconteceu. Falou mais de uma hora, várias vezes o presidente, “seu tempo está esgotado”, mas nada se esgotava, a não ser a paciência dos presentes.

Depois de mais de uma hora, o ex-presidente (renunciante) deu por encerrada a sua palavra, que declarou CONSTRANGIDA.

E PASMEM, se assombrem, se estarreçam: começou novo episódio de BAIXARIA, mais abrangente do que a de segunda-feira. Com palavrões, baixo calão, enterrando o senado, sem velório, sem direito a CREMAÇÃO ou RESSURREIÇÃO.

É impressionante como podem cair cada vez mais. O subterrâneo, para alguns senadores, tem a profundidade da dignidade deles mesmos.

Frases autênticas, textuais e entre aspas

Do Ministro Mantega: “O Brasil já saiu da crise e voltou a crescer, v-i-s-i-v-e-l-m-e-n-t-e”.

Do senador Renan Calheiros: “A oposição no Senado é única no mundo. É MINORIA com complexo de MAIORIA”.

Comentários de vários senadores da oposição: “Renan nos chama, HOJE, de minoria com complexo de maioria. Podemos responder: o senador Sarney é o senador Renan, AMANHÔ.

Como em São Paulo chamam toda grande avenida de MARGINAL, perguntei a um grande empreiteiro, qual a explicação. Resposta rapidíssima: “É o exagero da AUTOCRÍTICA do ex-prefeito Paulo Maluf”.

Do presidente do Senado, José Sarney, num discurso monótono, sem sentido, e muito pior do que ele imagina: “Não RENUNCIO, não deixo a presidência, fui eleito pelo povo, ESTOU PRONTO, DIGAM AO POVO QUE FICO”. Alguém já ouviu isso?

Romero Jucá vetado e apavorado

Líder do governo FHC no Senado, líder do governo Lula no mesmo senado, foi barrado pelo colega Renan Calheiros. Chegou a perguntar no plenário (embora não no microfone) ao senador Renan Calheiros: “O que é que o senhor tem contra mim?”.

Na base da intimidação e do dossiê, apenas mostrado de longe, o senador não foi mais recusado, é relator da CPI da Petrobras. E age de tal maneira que ontem Álvaro Dias disse para ele: “Agindo como o senhor está agindo, este será um julgamento sem ACUSAÇÃO, só com DEFESA”. Silêncio, o mundo nos ouve. (Exclusiva)

Nome apropriado para o metrô

Desde 1987 está sendo construído o metrô cuja estação principal será a Praça General Osório, em Ipanema. A idéia dos construtores é chamar essa estação de General Osório, que já é o nome da praça.

Um grupo de moradores, incluindo grandes personalidades, faz movimento amplo para que essa estação principal se chame IPANEMA. Morando no Jardim Botânico, estou aderindo ao movimento, satisfação e reconhecimento para todos e para o metrô.

Faça o mesmo escrevendo para este blog e para outros, e se manifeste de todas as formas, mobilizando amigos e conhecidos.

Será inaugurado depois de 22 anos de obras.

METRÔ IPANEMA: não fique parado, embarque nele, com a denominação que você escolheu. Na verdade, em 1987, o preço era um, o sobrepreço é você que está pagando.

Os que fazem a defesa do Andrade, como este repórter (sempre), têm que culpar a defesa (zagueiros)

Foi uma injustiça com o Flamengo e com o treinador Andrade. No primeiro tempo, sofreu dois do adversário, falha tremenda dos zagueiros.

No intervalo, Andrade rearmou o time, reagiu, empatou, dominava o jogo, não conseguiu fazer o terceiro gol. Sofreu esse terceiro, aos 45 minutos, mais falha da defesa.

Donos de cassino “sentem” o golpe do “fico” de Sarney, assustados

Executando “ordens de ontem, quarta-feira, a Bovespa abriu em alta pequena, quase sem volume. Passados 15 ou 20 minutos, começaram a vender, achavam que a permanência de Sarney não tranquilizaria o país. Ao meio-dia, caía 0,70%, em 56 mil pontos. Amestrados “justificam” dizendo: “Isso é comum, vem de 4 recordes”. Esqueceram de dizer: a Bovespa vei de 74 mil para 38 mil pontos, recordes de queda NO MUNDO e não apenas em São Paulo.

O dólar abriu em alta de 0,40% e ao meio-dia continuava em alta, a essa hora em mais 0,70%, em 1,82 alto. Instabilidade e indecisão totais, mas faltam 5 horas de jogatina.

Parabéns ao Supremo e aos Correios

Não importa que tenha sido vitória pelo resultado mais apertado possível, mas foi vitória. O Supremo DECIDIU que o monopólio da correspondência pertence aos Correios. Magistral.

É das empresas que funcionam com total competência, e sempre foi rigorosamente pertencente ao povo brasileiro. No mundo ocidental todo, os Correios não têm ingerência ou participação multinacional.

Nos EUA, (que gostam tanto de exaltar) qualquer atentado contra os Correios é CRIME FEDERAL. Se num condado distante e desconhecido, alguém atacar uma caixa do correio, é imediatamente processado e acusado por Promotor Federal. Multinacionais poderosas esperavam HERDAR esse importante e lucrativo setor.

Protestemos v-i-o-l-e-n-t-a-m-e-n-t-e contra as bases dos EUA na Colômbia

Mais uma (ou quatro, que é o número certo) fortaleza militar americana. Agora na Colômbia, dizem “isso é problema interno de cada país”, não é não.

Se montam bases militares na nossa fronteira será para utilizá-las como uma espécie de Disneylândia? Somos um país dominado por golpes, nossa democracia é uma “plantinha tenra” (Otávio Mangabeira) sempre podemos estar na iminência de golpe e de uma “OPERAÇÃO BROTHER SAM”. Então temos que RETALIAR logo, de forma que os americanos entendam.

Sarney ontem: “Ninguém pode me acusar de nada”.

Em 1985 queria ser vice do CORRUPTO Maluf, foi presidente de Tancredo

Ontem, 5 de agosto, 55 anos do atentado da rua Toneleros contra Carlos Lacerda, no qual morreu o major Rubens Vaz. Uma terça-feira. Dois dias antes, no grande Prêmio Brasil, Getulio havia sido vaiado na social do Jóquei Clube, muito diferente da social de hoje. Na raia, Rigoni vencia seu primeiro GP Brasil montando El Aragonez. Venceu numa chegada impressionante.

55 anos depois, a crise política contamina o país da mesma forma. Na história brasileira, em cada momento importante, um golpe, a posse do vice, e quase sempre um morto. Se formos dizer que 1954 terminou com a morte (voluntária mas politicamente genial de Vargas) estaremos esquecendo toda a História.

1889 foi um golpe de militares contra os Propagandistas. Não morreu ninguém, mas o presidente Deodoro foi substituído pelo vice Floriano. Até 1930 dezenas de golpes de bastidores, e o golpe apresentado como Revolução, e a morte de João Pessoa.

15 anos de ditadura, o ditador sendo eleito por ele mesmo, morreria em 1954, assumindo o vice Café Filho.

Juscelino, um dos raros a ficar o tempo inteiro, só tomou posse depois de 2 golpes. Jânio “morreu” em 1961, assumiu o vice João Goulart. Este foi deposto, surgiu a ditadura de 1964 a 1985, 21 anos vindos diretos de 1889, onde tudo começa.

Mas, na verdade, os “historiadores” de segunda-feira no Senado, ou não tinham idade ou se tinham, faltava poder de análise ou compreensão. O fim da ditadura foi negociado, (quase sempre é) mas no meio do caminho surgiu a emenda constitucional das “DIRETAS, JÁ”, que modificou tudo. Criado o parlamentarismo, acabou a tranquilidade.

Vigorando o bi-partidarismo, mesmo entre MDB e Arena, identificados como partidos do “SIM” e do “SIM, Senhor”, pelo menos se sabia quem era adversário, quem era correligionário.

Dante de Oliveira revolucionou (a palavra exata é essa) a história e a política que a ditadura pretendia regulamentar ou regular. Para que os “culpados” da violência, do autoritarismo, da arbitrariedade, da tortura indiscriminada pudessem morrer em paz. (O contrário do que aconteceu na Argentina, ditadura violentíssima também, mas apenas de 7 anos).

Foram 15 meses de HISTÓRIA MEMORÁVEL, sensação, divisão, união, incerteza. Como ninguém sabia de nada, uns eram pelas DIRETAS, outros pelas INDIRETAS, e muitas surpresas. Mas o que é inesquecível, mas INESQUECÍVEL mesmo, é o comício do dia 10 de maio, na Candelária. Jamais imaginei poder ver 1 milhão de pessoas, na horizontal, na avenida Getulio Vargas, de ponta a ponta.

Lançada no dia 9 de março de 1983, e liquidada 15 meses depois, Tancredo Neves já governador de Minas, Ulisses Guimarães, presidente do PMDB e da Câmara, foram jogados indiretamente um contra o outro. Não havia jeito, não foram presos, cassados, exilados ou perseguidos, suas histórias assustavam a ditadura. Mas de forma inesperada tiveram que dividir comícios, palanques, posições e objetivos.

Tancredo e Ulisses se amassem e se odiassem, se acarinhassem e se hostilizassem, se enfrentassem e se juntassem. Na esteira deles vieram Maluf e Andreazza (com apoio sofrido de Figueiredo) Aureliano Chaves (que era vice de Figueiredo, mas nem se olhavam, quanto mais falar) e o PFL (Partido da Frente Liberal) que vinha para ganhar. Sarney nem aparecia na foto, apesar de ter dado um soco na mesa e fundado o PDS.

Brizola, governador, conversava muito comigo ( o mesmo que Lacerda governador, sabiam que eu não queria nada) tinha confiança nas minhas análises. Uma noite, tomando o famoso “café gaúcho”, Brizola me perguntou: “Você acha que a eleição direta virá quando eu ainda for governador?”. Isso era 1983.

Imediatamente respondi: “Governador, DIRETAS só em 1990. O mandato de Figueiredo acaba em 1985, ele será sucedido por um civil que não seja Maluf nem tenha sido contra a ditadura, ostensivamente. Esse ficará 5 anos”. E concluí: “Brizola, é puro exercício de aritmética”.

Lamento, Brizola, apavorado, fez a proposta de prorrogação do mandato de Figueiredo. Não era por amor à ditadura, ele queria mais dois anos para manobrar. Não deu certo, o próprio Figueiredo queria ir embora, não aguentava mais.

Houve então o explosivo e IMPORTANTÍSSIMO encontro reservado, Maluf-Figueiredo. Se estivessem armados, não teria terminado. Só Maluf ganharia aquela batalha. Depois de horas, o “presidente” aceitou a proposta de Maluf: “Não me apóia mas não me impede de fazer campanha”.

Saiu contando o que acontecera, era candidato. Aí, apareceu Sarney só querendo ser vice. Pediu ao grande jornalista Oliveira Bastos que fosse conversar com o ex-prefeito e ex-“governador”. Quando ouviu o que Sarney queria, Maluf deu o berro: “De jeito algum”.

A batalha das “DIRETAS, JÁ” continuou, mas insensata ou deliberadamente fizeram este desenho: nas DIRETAS o candidato seria o doutor Ulisses, nas INDIRETAS, Tancredo Neves. Era verdade, mas nem Tancredo nem Ulisses se traíram. Tancredo foi um dos grandes do comício de 10 de maio. E muitos tinham como certo que Tancredo formava o Ministério.

Tendo sabido que Sarney queria ser vice de Maluf e sabendo que não podia ganhar do PDS-PFL, pediu ao seu homem de maior confiança e habilidade política, Fernando Lira, para “ir buscar” Sarney, o que era facílimo de conseguir.

Maluf, que sempre manobrou muito bem o dinheiro obtido na construção da MARGINAL (que desconfio tenha esse nome não por acaso), massacrou Andreazza, que era acusado de ter mais dinheiro do que Delfim Netto, perdeu fácil para Maluf. Este achava que ganharia de Tancredo, as “DIRETAS, JÁ” perderam por pouco, mas perderam.

Brizola não mandou votar em Tancredo, Lula expulsou do PT o bravo deputado Airton Soares, só porque votou em Tancredo. Lula é um ILUMINADO, faz análises iguais a essa, perde três eleições presidenciais, ganha na quarta, se transforma num personagem.

*  *  *

PS – Há muito mais para contar, a memória retém fatos inesquecíveis e duradouros. Pela primeira vez na nossa História, um vice assume por causa da morte do efetivo.

PS2 – Mas não foi MORTE CONTRA e sim rigorosamente acidental. Mas aí já é outra história.

A farsa das mudanças que nada mudam

Carlos Chagas

Do fundo  do tiroteio verificado esta semana no Senado emerge uma farsa. Os partidários do afastamento do senador José Sarney sustentam que nenhuma mudança  acontecerá  nas estruturas da instituição  caso o seu presidente não se licencie ou renuncie. Sua presença seria fator de constrangimento e de imobilidade.

Os defensores da permanência  de Sarney argumentam  que as mudanças já estão em curso, promovidas pelo próprio presidente do Senado, como a extinção dos atos secretos, a limitação do  uso de passagens aéreas gratuitas e  as demissões de funcionários efetuadas sob a égide do nepotismo.

Com todo o respeito,   tanto  uns quanto  outros encenam a farsa das mudanças que nada mudam. Porque para recuperar sua imagem e voltar a prestar serviços ao país  o Senado precisaria mudar muito mais.   Descer às raízes das lambanças, começando por acabar com a triste figura dos suplentes sem voto, hoje numerosos e, sem coincidência,  os que mais se valem de benefícios irregulares. Caso um senador renuncie, morra ou se torne impossibilitado de exercer suas funções, deveriam ser convocadas novas eleições para a  vaga, em tempo recorde, em seus estados.

Tão importante quanto essa proposta seria a de que os senadores não teriam direito a verbas de representação, em especial para enfrentar despesas fora de Brasília.   Haveria, também, que limitar o número de  assessores e funcionários de gabinete ao mínimo possível.   Da mesma forma, denunciar todos os contratos de terceirização que não fossem essenciais, em especial os de prestação de serviços variados.  Ao mesmo tempo, levantar o sigilo bancário, telefônico e fiscal de todos os senadores, imediatamente diplomados. Outra mudança: colocar em disponibilidade ou demitir os funcionários considerados supérfluos, obrigando a indenizar os cofres públicos quantos comprovadamente recebiam vencimentos  sem trabalhar ou comparecer.

Mas tem  muito  mais e mais profundo: transformar o Senado em casa revisora, ficando a iniciativa dos projetos de lei com a Câmara dos Deputados. Reduzir de três para dois os senadores por estado e distrito federal. Proibir a reeleição para cargos na mesa e na presidência das comissões enquanto durarem seus mandatos. Dar aos presidentes do Senado a prerrogativa de devolver liminarmente ao Executivo todas as medidas provisórias carentes do caráter de urgência  e relevância. Estabelecer apenas um  recesso parlamentar por ano, em janeiro, mas só se  iniciando  quando não houver mais em pauta um só projeto a ser discutido e votado. Vetar o pagamento de despesas  pelos cofres públicos de   viagens de senadores ao exterior, sem exceção.  Realizar sessões de votação todos os dias da semana, menos aos domingos. Impedir o pagamento com dinheiro da casa  de despesas médicas para familiares dos senadores. Estabelecer o princípio da não-reeleição para os que tiverem completado dois mandatos. Extinguir a frota de carros oficiais postos à disposição dos senadores, exceção do presidente, mas apenas para representações oficiais. Acabar com o auxílio-moradia para todos, mantendo apenas as  residências  funcionais  e a mansão  do presidente, ainda que com  despesas de rotina arcadas pelos próprios.

Há muito mais a mudar, importando menos se com Sarney ou sem Sarney, mas a pergunta que fica é simples: quando acontecerão as mudanças fundamentais?  No dia em que o Sargento Garcia prender o Zorro…

Explicações que não explicam

O assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, comentou depois de receber o assessor de segurança nacional do presidente Barack Obama, general James Jones, que cachorro mordido de cobra tem medo de lingüiça. Disse que o Brasil tem  motivos para temer a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia.

O gringo veio atrasado, deveria ter feito o périplo pela América do Sul antes do anúncio das quatro bases militares          que serão instaladas no país vizinho, uma delas a poucos quilômetros da fronteira com o Brasil.  Mesmo assim, louve-se a iniciativa retórica de Washington, ainda que em termos práticos, nada vai mudar. Os “marines” chegarão em profusão e a ninguém será dado imaginar que para fazer caridade ou obras sociais. É claro que desde a presença de montes de satélites aí por cima, nada se move  no Brasil sem  que os americanos não saibam.

O singular nessa história é que para o general,  tanto faz como tanto fez Marco Aurélio Garcia manifestar seu temor. Não será por conta dele que os militares dos Estados Unidos deixarão de botar o pé na Amazônia. Melhor mesmo será ficarmos com o general Luiz Gonzaga Lessa, ex-comandante militar da Amazônia e ex-presidente do Clube Militar, para quem os nossos guerreiros estão se transformando em guerrilheiros. Só assim tentaríamos enfrentar qualquer ameaça armada na região.

Simon não poderia ter sido o vice de Tancredo

Pedro do Coutto

A história, incrível isso, sofre muitos atentados e corre riscos permanentes de distorção através do tempo, como se o passado fosse imprevisível e até mutável. Foi o que aconteceu na sessão de segunda-feira do Senado Federal. No impulso de apoiar de qualquer maneira a permanência de José Sarney na presidência da Casa e, por isso, tentando desqualificar o pronunciamento de Pedro Simon que cobrava a renúncia, o senador Renan Calheiros  procurou mudar a história moderna do país. Disse que o parlamentar gaucho guarda até hoje mágoa de Sarney por não ter sido escolhido vice de Tancredo Neves nas eleições indiretas de 85.

Não é fato. Pedro Simon não poderia ser o candidato. Simplesmente porque a vitória de Tancredo, que era do PMDB, deveu-se ao apoio que recebeu da dissidência do PDS, partido dos governos militares. Ao qual Sarney pertencia. Era inclusive o presidente da legenda. Portanto o vice teria que ser indicado pela dissidência, como de fato aconteceu. Havia necessidade de maioria absoluta e o PMDB só tinha 40% dos votos. Os dissidentes acrescentaram o que faltava e assim contribuiram para encerrar o ciclo dos militares no poder, como escreveu Carlos Castelo Branco.

Como toda ruptura apresenta sempre um sinal singular, a lei complementar número 15/1973, que havia regulado os colégios eleitorais que escolheram Ernesto Geisel e João Figueiredo, em 74 e 79, afastava a exigência da filiação partidária, que havia permitido a habilitação política dos generais. O parágrafo único em seu artigo 10 dizia o seguinte: “se qualquer dos candidatos escolhidos pela convenção não estiver filiado ao partido, ser-lhe-á aberto prazo de oito dias para fazê-lo”. Sarney, naquele momento então, transferiu-se para o PMDB, livrando-se da exigência  de fidelidade partidária  que está hoje na legislação. Foi a escolha de Sarney que viabilizou a dissidência no plano legal. Dentro desse quadro, Simon não poderia sequer desejar a vice. Bloquearia Tancredo, impediria a incorporação dos dissidentes.

Renan Calheiros, na segunda-feira desta semana, parece ter confundido inconfidentes com dissidentes. A história, seja moderna ou antiga, está sempre exposta a versões impressionistas que não refletem a realidade. Não exprimem o que efetivamente ocorreu em momentos decisivos. Que fazer? Faz parte da existência humana. É portanto necessário ter-se atenção com tais episódios para evitar que se incorporem como verdade ao domínio público e à memória futura do país, do Brasil no caso que estamos tratando.

No mundo inteiro, a cada dia surgem informações sem base, tentativas de distorção, transformações indevidas, apropriações de idéias, palavras e imagens de pessoas que afirmaram coisas em determinados sentidos, mas cujas direções são mudadas ao sabor de intérpretes da irrealidade. O caso do colégio eleitoral de 85 é fácil ser elucidado, pois afinal de contas passaram-se apenas 24 anos. Mas existem outros capítulos alterados por historiadores que, às vezes, assumem o papel de personagens daquilo a que não assistiram e do que julgam ter acontecido. A história, dessa forma, enfrenta uma ameaça permanente. Por isso, é essencial traduzir-se bem os momentos críticos. Não é fácil.

Como os jovens de hoje, por exemplo, depois de ouvirem dos seus pais, irão compreender o apoio arrebatado, não de Renan, mas de Fernando Collor a Sarney, depois do conceito que formulou a respeito de seu antecessor na presidência da República na campanha de 89? Como interpretar o apoio de Leonel Brizola ao mesmo Collor no processo do impeachment? A história é complicada. Por isso é fascinante.

Sarney sem renunciar: “Estou pronto, digam ao povo que fico”

Fiquei emocionado, comovido, até constrangido com o discurso do presidente Sarney. As duas primeiras manifestações numa relação impressionante do que tem sido a vida de realizações do senador.

E minha surpresa é espantosa, criando o citado constrangimento. Pois não tinha a menor idéia de que quase tudo que existe no Brasil, FOI OBRA, CRIAÇÃO, PREOCUPAÇÃO e CLARIVIDÊNCIA  de José Sarney, como presidente da República ou nas três vezes que presidiu o Senado.

Confesso a minha ignorância histórica. Muita coisa que este repórter acreditava devesse ser colocado na conta de Pedro Alvares Cabral, de D. Pedro I e II e não esqueçamos de D. João VI, fiquei sabendo que foi feito com enorme antecedência pelo próprio Sarney.

O ex-presidente não falou que foi o autor da “Abertura dos Portos”, por excessiva modéstia e timidez.  Mas como usou um tempo enorme para dizer, “fui criador da Radio Senado, do Jornal do Senado, da Televisão do Senado, a popularização da Internet pelo Senado, (e repetia isso tantas vezes), que em determinado momento, assinalei para mim mesmo: “Não demora e Sarney me convence vai ler a carta de Pero Vaz Caminha dizendo que foi ele que escreveu”.

Sarney não leu, mas ficou evidente que a carta foi realmente escrita por ele, e consta do currículo para ingressar na Academia. Mas o ex-presidente estava pronto para NEGAR, que qualquer parente de Pedro Alvares Cabral, de Pero Vaz Caminha ou de D. João VI, tivesse sido nomeado por ele no seu gabinete. (No de sua filha Roseana pode ser, cada um tem seu estado, eu sou do Amapá).

Sarney estadista acaba a primeira parte, começa o final “não tenho nenhum inimigo”

É impossível negar: foi um discurso menor do senador. Depois do relacionamento de tudo o que fez e que modestamente “limitou em 55 anos”, quando na verdade precisariam de 550 anos, (embora o país só tenha 509) passou ao que chamou “apelo para que não façam a humilhação de uma vida digna, sem qualquer acusação”.

Foi uma sucessão de nomes desconhecidos, sem nenhuma importância. E é lógico, que o plenário inteiro mostrou ao (ainda) presidente da casa, que não gostara, com um mínimo de palmas, formais, desatentas, protocolares.

Todos os senadores, contra ou a favor de Sarney, estavam decepcionados, frustrados, se consideravam enganados. E não escondiam o fato. E repetindo e comentando com palavras do próprio Sarney: “Ele disse que jamais se esconderia no silêncio, mas esse silêncio teria sido muito melhor para ele. Pois o que falou, quer dizer, NÃO FALOU, foi muito pior para ele”.

Consternamento geral, impossível esconder.

Nenhuma solução à vista, nem hoje, nem no Conselho de Ética ou falta de Ética

Acabando de falar, Sarney não olhou para ninguém, não falou com ninguém, não apertou a mão de ninguém. Saiu pela porta do lado, até Marconi Pirilo, que presidia a sessão, ficou confuso. Declarou: “Passo a presidência ao presidente Sarney”, mas este já estava num de seus gabinetes. Por segundos ninguém presidiu o Senado.

Pirilo estava em pé, dando a presidência a Sarney, que acreditava que já estava EXPULSO, não queria assumir.

Depois de Sarney, começou a indecisão a respeito da sessão do Conselho de Ética. Este deveria ter se reunido antes, como o próprio Sarney anunciara na véspera.

Esse Conselho não tem a menor condição de resolver coisa alguma. Depois do discurso de Sarney, me lembrei de duas afirmações do ex-presidente, que publiquei e ontem não saía da memória do repórter.

1 – “Vou para o Maranhão, volto com o DOSSIÊ, que organizei durante 40 anos”. Ontem, ameaças e intimidações eram feitas nessa base.

2 – “Não tenho um só inimigo”. Sarney tentava reviver ou ressuscitar essa realidade, mas viu que não era realidade, as aspas deturpavam a palavra.

Lamentável, mas é preciso constatar: não foi uma sessão histórica, nem um discurso memorável. Hoje mesmo já estava tudo esquecido, ninguém queria o FUNCIONAMENTO do Conselho de Ética, mas oposição e a base, diziam o contrário.

Não era omissão, era a certeza de que a questão não tinha solução à vista, e esse Conselho não possuía autonomia de voo para nada. Podia ter até maioria de votos, mas não de convicções.

Não se lembravam mais da descoberta da HISTÓRIA CENTENÁRIA DE  SARNEY, que todos DESCONHECIAM, mas eram obrigados a conviver com o que tentaram impor ou impingir, o que consideravam realisticamente como o ESTADISTA DO NADA.

Nenhuma solução à vista, nem hoje, nem no Conselho de Ética ou falta de Ética

Acabando de falar, Sarney não olhou para ninguém, não falou com ninguém, não apertou a mão de ninguém. Saiu pela porta do lado, até Marconi Pirilo, que presidia a sessão, ficou confuso. Declarou: “Passo a presidência ao presidente Sarney”, mas este já estava num de seus gabinetes. Por segundos ninguém presidiu o Senado.

Pirilo estava em pé, dando a presidência a Sarney, que acreditava que já estava EXPULSO, não queria assumir.

Depois de Sarney, começou a indecisão a respeito da sessão do Conselho de Ética. Este deveria ter se reunido antes, como o próprio Sarney anunciara na véspera.

Esse Conselho não tem a menor condição de resolver coisa alguma. Depois do discurso de Sarney, me lembrei de duas afirmações do ex-presidente, que publiquei e ontem não saía da memória do repórter.

1 – “Vou para o Maranhão, volto com o DOSSIÊ, que organizei durante 40 anos”. Ontem, ameaças e intimidações eram feitas nessa base.

2 – “Não tenho um só inimigo”. Sarney tentava reviver ou ressuscitar essa realidade, mas viu que não era realidade, as aspas deturpavam a palavra.

Lamentável, mas é preciso constatar: não foi uma sessão histórica, nem um discurso memorável. Hoje mesmo já estava tudo esquecido, ninguém queria o FUNCIONAMENTO do Conselho de Ética, mas oposição e a base, diziam o contrário.

Não era omissão, era a certeza de que a questão não tinha solução à vista, e esse Conselho não possuía autonomia de voo para nada. Podia ter até maioria de votos, mas não de convicções.

Não se lembravam mais da descoberta da HISTÓRIA CENTENÁRIA DE  SARNEY, que todos DESCONHECIAM, mas eram obrigados a conviver com o que tentaram impor ou impingir, o que consideravam realisticamente como o ESTADISTA DO NADA.

Sarney estadista acaba a primeira parte, começa o final “não tenho nenhum inimigo”

É impossível negar: foi um discurso menor do senador. Depois do relacionamento de tudo o que fez e que modestamente “limitou em 55 anos”, quando na verdade precisariam de 550 anos, (embora o país só tenha 509) passou ao que chamou “apelo para que não façam a humilhação de uma vida digna, sem qualquer acusação”.

Foi uma sucessão de nomes desconhecidos, sem nenhuma importância. E é lógico, que o plenário inteiro mostrou ao (ainda) presidente da casa, que não gostara, com um mínimo de palmas, formais, desatentas, protocolares.

Todos os senadores, contra ou a favor de Sarney, estavam decepcionados, frustrados, se consideravam enganados. E não escondiam o fato. E repetindo e comentando com palavras do próprio Sarney: “Ele disse que jamais se esconderia no silêncio, mas esse silêncio teria sido muito melhor para ele. Pois o que falou, quer dizer, NÃO FALOU, foi muito pior para ele”.

Consternamento geral, impossível esconder.

Sarney desprendido e generoso: “Estou pronto, digam ao povo que fico”

Fiquei emocionado, comovido, até constrangido com o discurso do presidente Sarney. As duas primeiras manifestações numa relação impressionante do que tem sido a vida de realizações do senador.

E minha surpresa é espantosa, criando o citado constrangimento. Pois não tinha a menor idéia de que quase tudo que existe no Brasil, FOI OBRA, CRIAÇÃO, PREOCUPAÇÃO e CLARIVIDÊNCIA  de José Sarney, como presidente da República ou nas três vezes que presidiu o Senado.

Confesso a minha ignorância histórica. Muita coisa que este repórter acreditava devesse ser colocado na conta de Pedro Alvares Cabral, de D. Pedro I e II e não esqueçamos de D. João VI, fiquei sabendo que foi feito com enorme antecedência pelo próprio Sarney.

O ex-presidente não falou que foi o autor da “Abertura dos Portos”, por excessiva modéstia e timidez.  Mas como usou um tempo enorme para dizer, “fui criador da Radio Senado, do Jornal do Senado, da Televisão do Senado, a popularização da Internet pelo Senado, (e repetia isso tantas vezes), que em determinado momento, assinalei para mim mesmo: “Não demora e Sarney me convence vai ler a carta de Pero Vaz Caminha dizendo que foi ele que escreveu”.

Sarney não leu, mas ficou evidente que a carta foi realmente escrita por ele, e consta do currículo para ingressar na Academia. Mas o ex-presidente estava pronto para NEGAR, que qualquer parente de Pedro Alvares Cabral, de Pero Vaz Caminha ou de D. João VI, tivesse sido nomeado por ele no seu gabinete. (No de sua filha Roseana pode ser, cada um tem seu estado, eu sou do Amapá).

Os falsos democratas

Paulo Solon, Miami:
“Quem defende a democracia não deve justificar um golpe de estado. Quem justifica um golpe de estado, não pode combatê-lo se novamente acontecer no Brasil.”

Marcos Pinto, Niterói:

“Hélio Fernandes, francamente não o entendo! Sempre tive a impressão que o ilustre jornalista era contra os desmandos norte-americanos no mundo, mas agora vejo posicionar-se contra Hugo Chavez, Zelaya e o presidente do Irã…Fica mais difícil ainda quando não podemos mostrar-lhe o erro que comete, seguindo a péssima conduta dos jornalões do Brasil.”

 

Comentário de Helio Fernandes:
É impressionante a interpretação FALSIFICADA que dão ao golpe de estado. Quem está no Poder e não quer sair, e pretende continuar mesmo com a eleição marcada para novembro, não é GOLPISTA? É o que?

Continuo minha luta e minha posição INDEPENDENTE E CRÍTICA em relação aos EUA. Por que não registrar, reconhecer e ressaltar, o fato dos EUA, a partir de 1952, ter reformado a Constituição e RADICALIZADO em relação aos presidentes?

Só podem ser presidentes por 4 anos e reeleitos por mais 4 e depois não podem ocupar mais nenhum cargo, NOMEADO ou ELEITO.

Hugo Chavez diz que ficará até 2050, Zelaya é um carreirista que mudou de posição várias vezes. No Irã, a eleição não vale nada. Acima do presidente estão as forças militares e acima delas, o Aiatolá, que é quem decide tudo.

Preconceito padronizado

Mario Augusto, Rio de Janeiro:
“Pergunto ainda, por que cargas d’água um presidente legitimamente eleito em seu pais e defenestrado do cargo – aqui cabe o termo – ANTI-DEMOCRATICAMENTE num golpe de estado perpetrado na madrugada por forças militares deve ser classificado como “desprezível”. Perplexo vejo um gigante da democracia do meu pais desfraldando energicamente a bandeira da intolerância.”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma intolerância. Condeno os dois lados, quem começou tudo foi Zelaya, que estava no fim do mandato, não queria sair. Lancei até a idéia de colocar no governo o cardeal conciliador, mais claro, impossível. Lamento o teu preconceito ao exprimir que “flanelinha” tem que ser negro, para você o contrário de caucasiano.

A gratidão de Gilvan Borges, nem suplente nem eleito

Quem esteve mais tempo em exposição na televisão, na manhã de hoje, foi Gilvan Borges. Sua situação é curiosa. Num Senado cheio de indigentes (perdão, suplentes), ele pode dizer que não é suplente, e não é mesmo. Mas também não foi eleito, espantoso.

O que aconteceu com ele: foi derrotado pelo senador Capiberibe. Entrou na Justiça Eleitoral contra o vencedor, ganhou (?) mas havia recurso. O tribunal eleitoral comunicou ao senado, o então presidente Renan Calheiros TIROU O MANDATO DO VENCEDOR que estava na tribuna. Renan quase chorando, “lamento, mas não posso fazer nada”.

Capiberibe saiu da tribuna já sem mandato, Renan imediatamente ENTREGOU o título, vá lá, o mandato, ao senhor Gilvan Borges, nada surpreendente, ele é do Amapá.

Agora, pelo menos, não pratica traição com os amigos Sarney e Renan, diz, “tudo é perseguição da imprensa”. (Exclusiva)

A hora da reunião do Conselho, a hora do discurso de Sarney

Quase às 10 horas, duas informações, negadas e sonegadas, foram liberadas. Agora se sabe que a reunião do Conselho de Ética será às 3 horas. E como o próprio Sarney anunciou ontem, “falarei depois”, se especula com o horário de 4 horas. Como se vê, pouca diferença.

Por isso, durante toda a manhã, se garantia (mas sem nenhuma convicção) que Paulo Duque (suplente mas aristocrata do Conselho) não pediria o arquivamento das representações, nem vetaria algumas delas. Isso está sendo chamado de “armistício negociado”, mas ninguém garante nada. (Exclusiva)

Quer dizer que Clinton, ex-presidente e marido da Secretaria de Estado, foi à Coréia do Norte, ninguém sabia disso?

Fugindo um pouco do “assunto” Sarney, falemos dessa hipocrisia política, tão comum nos EUA. Querem convencer a opinião pública mundial que um ex-presidente foi à Coréia do Norte por vontade e inspiração própria, sem o menor conhecimento da Casa Branca?

Os amestrados do mundo (e do Brasil) aceitaram e divulgaram. Ninguém sabia de nada, Clinton foi esperado no aeroporto, imediatamente recebido pelo ditador, que não recebe ninguém. Conversaram, poucas horas depois, Clinton embarcava de volta, levando duas jornalistas condenados a 12 anos de prisão.

De boca, o ditador disse ao ex-presidente, “estão ABSOLVIDAS, podem viajar com o senhor”. Hoje, às 10 da manhã, chegavam à Califórnia. Como a Casa Branca fica em Washington, continuavam sem saber de nada. (Exclusiva)