“Guru” da cloroquina, irmão de Weintraub é pago para traduzir estudos em inglês e enviar PDFs para Bolsonaro

Arthur recebe salário bruto de R$ 18.215,94, e ocupa imóvel funcional

Daniel Gullino, Gustavo e Maia e Naira Trindade
O Globo

O nome do cargo ocupado por Arthur Weintraub, de 44 anos, é genérico e pouco revela sobre suas tarefas no Palácio do Planalto: assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência. Irmão caçula do ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, Arthur diz ter atuado como uma espécie de “guru” do presidente Jair Bolsonaro sobre a cloroquina, com a incumbência de ler estudos sobre os efeitos do medicamento no combate à Covid-19.

A substância já foi utilizada pelo chefe mesmo sem ter eficácia comprovada.”Ele (Bolsonaro) estava desde o começo antenado na hidroxicloroquina. E ele virou para mim e falou: `Você que é estudioso, lê aí e me traz´. Comecei a ler os artigos em inglês, contou Arthur, em uma entrevista em maio a ao programa no YouTube `O Brasil precisa saber´, do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

PDFs – “Se consigo ler um artigo científico de epilepsia, consigo ler alguma coisa de Covid. Comecei a ler. Passando para o seu pai, ele entendeu. Eu mandava PDFs de 20 páginas. Chegava no dia seguinte e estava impresso na mesa dele, grifado”, disse. Com formação em Direito, Arthur diz ter capacidade para entender as pesquisas por ter pós-doutorado em Neurologia.

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) informou ao O Globo que Arthur, professor da instituição, “realizou estágio pós-doutoral”, com projeto homologado, no Programa de Pós-graduação em Neurologia-Neurociências em 2014.

Apesar de ter se debruçado sobre pesquisas a respeito da cloroquina, os estudos de Arthur pouco interferiram nas ações do Ministério da Saúde, que passou a recomendar o uso do medicamento mesmo sem a comprovação da sua eficácia. O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, sequer o conhece pessoalmente.

ESPECULAÇÕES – Desde que seu irmão deixou o cargo, em junho, e saiu do Brasil às pressas para depois ocupar um cargo no Banco Mundial, Arthur convive com especulações de que também sairá do governo. A perspectiva chegou a ser comemorada entre servidores do Planalto.

Alguns colegas comentam, em reservado, que ele ocupa um cargo alto demais para “não fazer nada de concreto” e que vivia “na sombra do irmão”. Atribuem ainda sua nomeação a uma recompensa por ter atuado na campanha de Bolsonaro, para a qual foi convidado pelo atual ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. Nos últimos tempos, contam auxiliares palacianos, Arthur tem ficado “escanteado”.

O grupo mais alinhado a Arthur no palácio é o que ficou conhecido como o “gabinete do ódio” e inclui outros assessores especiais do presidente. Discreto no trato pessoal, Arthur tem uma postura agressiva nas redes sociais e já acumula mais de 500 mil seguidores no Twitter. Na rede, critica com frequência a utilização de máscaras contra o coronavírus, a Organização Mundial de Saúde (OMS), o governador João Doria (PSDB), o youtuber Felipe Neto e a imprensa, entre outros. E ameaça processar quem critica o irmão.

REGALIAS – Arthur recebe salário bruto de R$ 18.215,94, além de ocupar um imóvel funcional. Faz parte do Conselho Fiscal dos Correios, o que lhe rendeu, em maio, um jeton de R$ 4.496,22. E também integra, desde outubro, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), órgão do Ministério da Economia.

Sua agenda oficial, publicada no site da Presidência, limita-se quase todos os dias a “despachos”, sem detalhes. No Twitter, Arthur ironizou uma notícia recente de que deixaria o governo. “A pressa de muitos para que eu saia é imensa”, escreveu.

 

9 thoughts on ““Guru” da cloroquina, irmão de Weintraub é pago para traduzir estudos em inglês e enviar PDFs para Bolsonaro

  1. Bolsonaro mandou um avião com medicamentos e aspiradores artificiais para o Líbano.

    Em seguida, pretende mandar por navio, 4 toneladas de arroz, além de oferecer ajuda técnica para a investigação da explosão.

    Agora, depois de tanta notícia boa, uma péssima:
    Convidou para chefiar essa expedição, de ajuda ao Líbano, quem, quem, quem??
    Michel Temer!

    Pronto. Metade das doações será desviada!
    Com tanta gente boa sobrando, logo Temer??!!

    Temo haver problemas com a entrega desse auxílio na sua totalidade, e os libaneses devem temer também a possibilidade de não receber o que foi anunciado.

  2. Pra que pagar tradutor, se há um bom pacas e gratuito. Ele atende pelo nome de Google! Trabalha a qualquer hora e aceita mau tratamento. Ideal para qualquer ignorante mesmo com faixa presidencial.

  3. Mas Trump não foi contaminado pelo coronavírus!

    Se tomou a cloroquina, a droga não lhe curou, pois não estava doente ou, mesmo que tenha tomado, o efeito foi nulo por isso mesmo.

    Muito menos acredito que um médico da Casa Branca tenha indicado o medicamento como prevenção do COVID-19, pois seria um absurdo, a ponto de perder a sua licença profissional!

    Prevenção somente a vacina.

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