Defesa de Flávio Bolsonaro entrará com representação no MPF por vazamentos em inquérito

Flávio pagou R$ 86,7 mil em dinheiro vivo na compra de salas 

Deu no Estadão

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) anunciou que vai entrar com uma representação nos órgãos de correição do Ministério Público Federal (MPF) pelo vazamento de informações de procedimentos judiciais em que o parlamentar é parte.

Em nota divulgada à imprensa, a defesa do senador disse ter “recebido com perplexidade” as notícias de vazamento das peças e áudios de um procedimento que tramita sob sigilo. Além da representação, a defesa de Flávio diz que não vai mais permitir registros audiovisuais durante as manifestações do parlamentar durante os procedimentos judiciais.

EM ESPÉCIE – Detalhes de investigações relacionadas ao senador foram destaque na imprensa durante a semana. Neste domingo, dia 9, o jornal O Globo mostrou que o senador pagou R$ 86,7 mil em dinheiro vivo por parte da compra de 12 salas comerciais no Rio de Janeiro. A reportagem do jornal teve acesso a depoimentos gravados de Flávio e de empreiteiros envolvidos na negociação.

No relato, o parlamentar afirmou aos promotores que pediu os valores emprestados para o pai, o presidente Jair Bolsonaro, e um irmão — sem identificar qual deles. Flávio também citou a possível ajuda de Jorge Francisco, pai do ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, e chefe de gabinete de Jair Bolsonaro de janeiro de 2001 a março de 2018, quando faleceu.

RACHADINHA – Os relatos do senador ocorreram em 7 de julho para o promotor Luis Fernando Ferreira Gomes no inquérito que apura a prática de rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio. No depoimento, Gomes relatou a Flavio que a Cyrella e a TG Brooksfield informaram ao MP que ele pagou R$ 86.779,43 com dinheiro em espécie, por meio de depósitos bancários, no ano de 2008, para a compra de 12 salas comerciais no Barra Prime Offices — um centro comercial de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.

A venda foi registrada em cartório em 16 de setembro de 2010, mas Flávio e as corretoras fizeram um contrato de “instrumento particular de compra e venda” em 5 de dezembro de 2008. Outros valores foram quitados com cheques e com boletos bancários. Flávio foi questionado pelos promotores sobre a origem do dinheiro em espécie.

CATA, CATA – “Eu saí pedindo emprestado para o meu irmão, para o meu pai, eles me emprestaram esse dinheiro. Tá tudo declarado no meu imposto de renda, que foi comprado dessa forma (por meio de empréstimo). Depois eu fui pagando a eles esses empréstimos. Acho que o Jorge (Francisco), que era chefe de gabinete do meu pai, também me ajudou”, respondeu Flávio aos promotores.

As salas acabaram revendidas por Flávio 43 dias depois do registro em cartório, de 2010. Segundo reportagens do portal Uol e do jornal “Folha de S.Paulo”, os imóveis foram formalmente adquiridos por valores entre R$ 192,5 mil e R$ 342,5 mil cada. No total declarado, as salas chegavam a R$ 2,6 milhões.

Antes de revender, Flávio pagou apenas 12% do financiamento. Menos de dois meses depois, no dia 29 de outubro, o senador vendeu as salas e cedeu o restante do financiamento a uma empresa chamada MCA, obtendo um lucro R$ 318 mil.

PAGAMENTOS – Ao longo do depoimento, o promotor também questionou Flávio sobre como foram pagos os empréstimos feitos junto a seus familiares para custear as salas. O senador disse que também retornou os valores em dinheiro vivo.

“Não. Era em espécie, em dinheiro”, afirmou Flávio, quando lhe foi perguntado se recebeu o empréstimo integralmente e se o pagou integralmente ou parcelado.O senador disse que não se recordava: “Como era em família, não lembro agora exatamente como foi feito. Se foi parcelado ou uma vez só”.

Em entrevista ao O Globo, o senador confirmou que seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, pagava mensalidades escolares e planos de saúde da sua família e que reembolsou em espécie um sargento da PM que pagou a parcela de um financiamento da sua esposa. Flávio nega irregularidades nas transações. Ele também nega que sua loja de chocolates tenha sido utilizada para lavagem de dinheiro, como suspeita o MP, e diz que a franquia é alvo de controle da matriz.

OFERTA DE IMÓVEIS – No depoimento ao MP, Flávio também afirmou, pela primeira vez, que Alexandre Santini, seu sócio na loja de chocolates, foi quem “apresentou sim as pessoas que vieram comprar as salas” no Barra Prime Offices em 2010. O senador relatou: “Conheci ele (Santini) dessa forma, ele oferecendo imóveis para mim”.

Os promotores questionaram Flávio sobre um cheque no valor de R$ 200 mil feito por ele e nominal para o Barra Prime que foi localizado na casa de Santini durante a busca e apreensão em dezembro do ano passado.

ESQUECIMENTO – “Pode ser porque ele ia entregar o cheque para alguém e não entregou, né? Pelo que eu me lembro, para Prime, eu fazia os pagamentos direto da minha conta. Não lembro desse cheque não. Mas certamente não foi entregue”, disse Flávio, ao dizer que pagava às construtoras diretamente. “Não recordo. Pode ser que eu tenha dado para ele entregar para alguém lá na corretora para pagar uma parcela do financiamento”, afirmou. 

Para os promotores, além da suspeita sobre a negociação em si, também “chama atenção o fato de a pessoa jurídica adquirente (a MCA) ter como sócia outra empresa com sede no Panamá”, a Listel S.A. O país é considerado um paraíso fiscal e rota de esquemas de lavagem de dinheiro.

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ÍNTEGA DA NOTA DA DEFESA DE FLÁVIO BOLSONARO 

A defesa do senador Flávio Bolsonaro tem recebido com perplexidade as notícias de vazamento das peças e áudios do procedimento que tramita sob sigilo, o qual é reforçado e afiançado às partes, pelos próprios membros do Ministério Público, ao início de cada ato processual.

Em tendo sido provada a ineficiência do sigilo imposto judicialmente à investigação, esclarece a defesa que a partir deste momento não serão mais permitidos os registros audiovisuais do Senador durante as suas manifestações procedimentais, além do que ainda esta semana representará aos órgãos de correição do MPF para que apure a falta e o delito, se houver.

7 thoughts on “Defesa de Flávio Bolsonaro entrará com representação no MPF por vazamentos em inquérito

  1. O cara está todos os dias nas páginas policiais e ainda quer reclamar de quê?

    Não tem uma semana que não aparece os rolos dele com o Queiroz.

    Agora quem está no rolo é mulher dele. O pior é que ele diz desconhecer os depósitos que o Queiroz fez na conta da mulher.

    A pergunta é: será que o Queiroz depositou na conta corrente ou na poupança da mulher do 01?

  2. O vazamento é antigo ,continuara acontecendo é crime porem ninguém é punido.Gostaria de ver criticar os vazamentos anteriores o que não ocorreu e diziam: tem que dar publicidade.Estão provando do próprio veneno.

  3. O MANDRIÃO 01, mente que nem sente.

    Nunca lembra de nada, é tudo vago…

    O que chama atenção na matéria, é o seguinte:

    “Acho que o Jorge (Francisco), que era chefe de gabinete do meu pai, também me ajudou”.

    Como o cara ACHA(?) que o tal sujeito o ajudou.
    Ora, ninguém esquece uma dívida de quem te ajuda. Principalmente com DINHEIRO!!!

    Isso é CANALHICE ou outra mentira.

    Para com isso mandrião, abre as contas e pronto, qual é o problema?

    PQP!! É um cipoal enroladissímo!

    Essa gente tem que ser parada, ou:

    Vamos nos fud ops, esborrachar, com força.

    Cordialmente.

  4. Carlos Marchi (via Fcebook)

    Podes crer, é a melhor piada dos últimos 40 anos.
    Ao depor ao MP, Flávio Bolsonaro disse desconhecer que ele ou qualquer parente tenham recebido dinheiro de Queiroz.
    Numa declaração joinha, disse não saber a origem do dinheiro de Queiroz (que era seu assessor na Assembleia).
    E deu um conselho ao MP:
    “Dá uma checada direitinho que eu tenho quase certeza que não deve ter nada a ver com Queiroz.”
    Quer dizer, em processo de canonização pela Santa Sé, Queiroz está quase santificado.
    Flávio arrematou com um papo de retidão absoluta:
    “Queiroz nunca depositou dinheiro na conta da minha esposa, pelo que eu saiba.”
    Gostaram, papudos? E vocês aí desconfiando dos dois, hein?

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