Bolsonaro troca líder do governo na Câmara e deputado do Centrão assume

Barros foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer

Isabella Macedo e Julia Chaib
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu trocar a liderança do governo na Câmara e substituir o deputado Vitor Hugo (PSL-GO) por seu colega Ricardo Barros (PP-PR), em um novo aceno ao Centrão. Barros foi ministro da Saúde no governo de Michel Temer (MDB) e é do mesmo partido de Arthur Lira (PP-AL), que atua como líder informal do governo na Câmara.

O novo líder confirmou a substituição em uma rede social. “Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro pela confiança do convite para assumir a liderança do governo na Câmara dos Deputados com a responsabilidade de continuar o bom trabalho do líder Vitor Hugo, de quem certamente terei colaboração. Deus me ilumine nesta missão”, escreveu Barros. A substituição já era especulada desde o fim de julho. Bolsonaro quer dar mais espaço ao grupo político e fez um aceno com a troca.


NEGOCIAÇÕES – Além do PP, o Centrão reúne partidos como PL e Republicanos e ajuda a sustentar o governo em votações na Câmara, depois do racha do PSL, antigo partido do presidente da República. Lira levou o peso do bloco para a negociação com o governo em um momento de fragilidade de Bolsonaro por causa da demora em reagir ao avanço da pandemia e do impacto do caso Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e que está em prisão domiciliar.

Ao apostar em Lira, o governo federal tentou, na avaliação de integrantes do Planalto, enfraquecer a liderança de Rodrigo Maia (DEM-RJ) e, de quebra, criar um cenário favorável para ter um sucessor do presidente da Câmara mais favorável à agenda bolsonarista. Há algumas semanas, Lira mostrava resistência com uma possível indicação de Barros para liderança do governo na Casa. Para integrantes do centrão, a escolha de um deputado experiente na articulação do governo na Câmara poderia esvaziar o poder que Lira concentrava até então.

Após a confirmação de Barros, Vitor Hugo também foi às redes para agradecer a Bolsonaro. “Agradeço imensamente ao presidente Jair Bolsonaro pela confiança em mim depositada durante esses quase 19 meses à frente da liderança do governo na Câmara. Muitos desafios superados e grande amadurecimento. Desejo toda sorte ao novo líder Ricardo Barros, que contará com meu total apoio.”

PATROCÍNIO – A indicação de Barros como novo líder do governo na Câmara foi patrocinada por Arthur Lira e negociada para atender a nova base de apoio do presidente Bolsonaro ao Congresso. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, crítico de Vitor Hugo, foi um entusiasta da mudança e trabalhou para convencer Bolsonaro de que a substituição era necessária.

Ainda em maio, a experiência de Barros, eleito deputado federal pela primeira vez em 1995, foi apresentada a Bolsonaro como uma solução para mitigar os problemas de relacionamento com os parlamentares na Câmara. Apesar da entrega de cargos para partidos do Centrão, o governo segue tendo dificuldade de garantir votos para aprovar pautas.

FORMAÇÃO – Ricardo Barros é formado em engenharia civil e tem a política como herança familiar. Ele é filho do ex-prefeito de Maringá e deputado Silvio Magalhães Barros (1927-1979). O novo líder é casado com Cida Borghetti (PP), governadora do Paraná entre abril e dezembro de 2018. Eleita vice na chapa do ex-governador Beto Richa (PSDB), ela assumiu o comando do estado quando o titular renunciou para se candidatar ao Senado e foi derrotado.

No ano passado, Barros foi denunciado pela Procuradoria da República no Distrito Federal em ação por improbidade administrativa relacionada ao período em que foi ministro de Temer. O Ministério Público aponta irregularidades na compra de medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras pela pasta. Em nota divulgada na época, Barros negou qualquer contratação irregular.

Também em 2019 o deputado do Progressistas foi relator da chamada Lei de Abuso de Autoridade, que prevê punições a agentes públicos em uma série de situações e foi considerada uma reação da classe política às operações recentes contra corrupção, como a Lava Jato.

14 thoughts on “Bolsonaro troca líder do governo na Câmara e deputado do Centrão assume

  1. Há um mês atrás ele dizia “se precisar demitir o presidente, nos demitimos”
    Hoje “Agradeço imensamente o Presidente…
    Grande caráter!
    Suspeito de corrupção, na gestão do Ministério da Saúde.
    Grande honestidade!
    Uma coisa não se discute, comporta todos os atributos necessários para representar o Governo Bolsonaro nos conluios parlamentares.

  2. Parece que elegemos um presidente só para gozar da nossa cara, como se o cargo não requeresse outros afazeres. Ele não sabe falar (cospe o que pensa em frases curtas), suas racionalizações são pobres e desbotadas, não tem empatia por nada, reage sempre grosseiramente e é despreparado para solucionar problemas difíceis. Cerca-se de amigos de farda, geralmente despreparados para os papéis que representam. Querem um exemplo? Pois bem: o Ministro da Saúde. O seu Pazuello pode ser um bom general, bom lider para as suas tropas, mas está longe de ter preparo para exercer a posição que ocupa.
    Enfim, houve Sodoma e Gomorra, houve Brumadinho e tantas outras desgraças. O governo do Bozo é mais uma. Shit happens!

      • O fato de termos tido maus ministros da Saúde no passado não deve ser usado como justificativa para escolhermos pessoas desqualificadas para a área. Especialmente numa situação de pandemia.
        Outro ponto: O fato de o Jose Serra ter sido um bom Ministro da Saúde sem ser médico não é razão para justificar a presença de um general que não é médico na Saúde. O argumento é furado: o Serra foi uma exceção por ser excepcionalmente qualificado. Michelangelo pintou a Capela Sistine embora fosse escultor – mas ele era Michelangelo!

        • não questionei, argumentei, nem juizo de valor.
          Apenas pedi citações as quais renovo quero aprender.
          Oras, se todos foram mal e não cobrados, e tambem não eram da area da saúde.
          Sempre devermos ter os melhores, independe de raça, cor , credo ou partido, somos seres racionais sempre buscando o melhor para todos ou estou errado?
          Não estaria sendo incoerente, em exigir somente desse profissional?.

  3. Bolsonaro é um traidor da pátria, um estelionatário eleitoral que enganou a milhões de eleitores que nele votaram para impedir a volta da quadrilha lulopetista ao poder.

    Agora ele se desvelou como um verdadeiro chefe de quadrilha familiar, envolvido inclusive com milicianos. E está deixando o chamado “centrão” (outra manada de políticos pilantras) deitar e rolar, dando-lhe as chaves de inúmeros cofres.

    Mas quem se importa???

  4. O líder do boçal é o mesmo que dias atrás dizia que, se o cara não fizesse o que o Centrão queria perdia o emprego. O boçal e o seu ministro L E Ramos sabem muito bem escolher os aliados. O novo líder do boçal votou pela criação da CPI da Lava Jato, ou seja, pelo fim dela.

  5. Muito mi mi de gente que por alguma razão ficam contra o governo e assim contra o Brasil.

    A coisa muito simples e elementar. O PR tem que governar e com esse Congresso incluso pode ser Impedido e ele tenta buscar aliados para poder governar e terminar seu mandato.

    Porém, está cumprindo com o Brasil, com nenhum ato de corrupção no governo, coisa incomum neste país. Obras inacabadas por décadas pois sendo terminadas e a serviço da população e muita coisa a mais para enumerar.

    Isso evidentemente no vê ou vê com maus olhos quem vivia da corrupção. Não a toa nas pesquisas eleitorais aparece na frente en qualquer cenário e dela o desespero dos corruptos e seus tontos uteis.

    Vivemos em Democracia, deixem o PR governar é os insatisfeitos tentem mudar em 2022 no voto. Claro que está difícil e dali toda está classe de mi mi …

    • Senhor Jesus, me explique como podem aparecer atos de corrupção com um Ministério Público amordaçado e uma Polícia Federal devidamente controlada. Isso são fatos. E o pior crime que seu presidente e defensores praticam, não é a corrupção, é o atentando contra a inteligência alheia, querer insistir na a lenda da luta contra a corrupção do Mito, é demais.
      Talvez o governo Bolsonaro, “ainda” não tenha tirado do Lula o título de maior corrupto do mundo, agora, o de “maior artífice da impunidade” esse está garantido.

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